O setor de cosméticos, que teve retração de 6% em 2015, a primeira em 23 anos, busca soluções para reagir e uma delas a Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – proveu na semana passada convidando cerca de 130 representantes do setor e de grandes Institutos de Pesquisa que atuam no Brasil para um Seminário em que foram analisadas tendências de consumo diante da crise econômica brasileira.

“O longo período de turbulência refletiu diretamente no poder de compra do consumidor e na mudança de hábitos do brasileiro”, disse João Carlos Basílio da Silva, presidente executivo da Abihpec. Assim, sete agências de pesquisa de mercado foram convidadas a traçar um panorama do mercado e analisar algumas estratégias. Participaram do Seminário, Euromonitor, LCA Consultores, Mintel, Nielsen, Kantar Worldpanel, Factor-Kline e IMS Health.

A palestra de abertura foi realizada pela LCA Consultores, que fez projeções de como o Brasil deve se recuperar nos próximos anos. Segundo Cláudia Viegas, diretora de Regulação Econômica da LCA Consultores “se tudo der certo, nossa economia vai se recuperar de forma lenta, até 2021 para recuperar o patamar de PIB de 2013”.

As agências também apresentaram percepções sobre o perfil do novo consumidor e dados sobre a expansão do setor de HPPC.
Elaine Gerchon, gerente de Projetos da Factor-Kline, falou sobre o crescimento dos salões de beleza no Brasil. Segundo a executiva, dados oficiais indicam mais 150 mil salões instalados em território nacional. “No segmento de cabelos, apesar de termos perdido colocação entre os principais consumidores mundiais, o Brasil segue como um dos países que mais inova e mais exporta produtos desta categoria”, afirmou Elaine.

A Nielsen abordou o “novo” consumidor brasileiro e, assim como Kantar Worldpanel e a Euromonitor, reforçou a importância de estratégias de comunicação e vendas direcionadas para o consumidor Millenial (nascidos entre 1980 e 2000). “Em 2016 o consumidor está disposto a trocar conveniência por economia. Assim, não apenas as indústrias, como o varejista devem estar atentos a este momento de “experimentação” dos consumidores”, disse Tatiene Spósito do Vale, executiva da Nielsen.

Gabriela Fujita, gerente de Atendimento da Kantar Worldpanel, traçou o comportamento de compra do consumidor diante do momento de crise econômica, apontando a tendência de crescimento no atacarejo, forma de comércio que reúne atributos de duas formas tradicionais de comercialização: o atacado e o varejo, com os conceitos de self-service (autosserviço) e de cash & carry (pague e leve) .

Para a Kantar, 2015 foi um ano economicamente difícil e consequentemente o ano das “smart choices” em que o consumidor esteve ainda mais bem informado e totalmente multitelas – TV + Smartphone + Computador -, com queda de 5% na cesta de produtos de higiene e beleza.

O Instituto IMS Health fez uma análise do segmento de farmácias e comentou as principais tendências deste canal de vendas. Rodrigo Kurata, Marketing – Consumer Health do Instituto falou sobre a importância da realização de promoções que atraiam o consumidor que procura a drogaria para comprar medicamentos, e que pode ampliar o leque de compras.