O momento turbulento da crise político-econômica brasileira, que na sua esteira de consequências provoca o aumento do desemprego, vê surgir soluções engenhosas para superar o momento crítico e fazer valer a vocação brasileira para a criatividade, nesse caso para a comercialização de produtos.

A Mirandas está criando um clube de venda direta multimarcas por catálogo impresso e digital de segmentos distintos, e a Cosmetic Green, uma franquia em que o franqueado investe muito pouco e pode trabalhar tanto em casa, como em uma sala comercial. Há os que focam no ponto comercial para expandir, ou em soluções híbridas para a venda direta. Os modelos são diferentes mas trazem um denominador comum e moderno: ser multicanal e também digital.

Quem não se lembra que o Grupo Boticário teve início a partir de uma pequena franquia no aeroporto de Curitiba, tornando a marca conhecida dos visitantes de todo país e do exterior? Hoje, de acordo com Artur Grynbaun, presidente do Grupo Boticário, o faturamento total da empresa chega a 120 bilhões com a venda de produtos de suas marcas (O Boticário, quem disse berenice?, Eudora, The Beauty Box). Mas a fórmula de sucesso da maior empresa de franchising de cosméticos do mundo, com mais de 3000 lojas franqueadas foi além e hoje introduz o modelo de venda direta a partir das lojas. Mas o crescimento da empresa, embasado na qualidade de seus produtos, também vem recebendo nos últimos anos o reforço do e-commerce.
Raccoshop

app da Racco

A também paranaense Racco Cosméticos, empresa de venda direta, passou a operar no sistema combinado, adequando o catálogo para acesso digital e desenvolveu em parceria com startups, a Racco Shop, um aplicativo em que é possível realizar pedidos com os consultores mais próximos, gerando emprego e renda para as pessoas em uma empresa reconhecida.

A Cosmetic Green, empresa de cosméticos, estética e beleza, aposta no lançamento de um novo modelo de franquia: o ‘Office’, que oferece ao franqueado maior autonomia nas vendas, comodidade e um investimento de apenas 5 mil reais, com retorno previsto entre 8 a 14 meses e faturamento mensal de 10 a 30 mil reais.

Assim, o franqueado atua a partir de uma sala comercial ou na própria residência. “Projetamos um modelo especial para trabalhar essa linha de negócios”, conta Marcio Roland, um dos fundadores da Cosmetic Green, que comercializa as principais marcas do mercado em suas lojas físicas, com espaços para a experimentação dos produtos. Ao todo são três modelos de negócio: Digital, Office e Store.

cosmeticgreen

Loja franquia da Green Cosmetic

De acordo com ele o novo modelo apresenta um contato mais próximo com o consumidor final. “O cliente pode montar sua equipe de revendedores e revender os produtos para consumidores finais e clínicas de estética”, explica o empresário. A franqueadora oferece treinamento, suporte, uma URL para divulgar os produtos da rede, além de marketing de divulgação. Além disso, suas lojas tornam-se centros de convivência com atendimento personalizado,  eventos e workshops para público em geral e para profissionais de beleza e estética.

Mirandas

Catálogo da Mirandas

E a Mirandas, da empresária Andrea Eboli, ex marketing da Natura, abriu seu cadastro para captação de vendedores há duas semanas e já atingiu a marca de mais de mil pessoas inscritas. O modelo da Mirandas foi criado para dar oportunidade às pessoas de trabalharem com produtos de segmentos diversos, não apenas de cosméticos, para oferecer um leque amplo de produtos a cada campanha. Na verdade cosmética têm uma limitação de 30% do mix de produtos do catálogo da empresa.

“O modelo de Venda Direta tem muitas barreiras – de ser obrigatório comprar um determinado valor, por exemplo, ou de oferecer apenas uma marca de produtos, entre outros termos. Tentamos através desse nosso modelo romper essas barreiras. Então os vendedores pagam depois, e se quiserem continuar com o nosso modelo”, explica a diretora da Mirandas.

“Temos 3 campanhas e os vendedores só pagam no quinto mês,” ela diz. Funciona assim: os vendedores fazem um cadastro sem compromisso, recebem a revista e começam a vender. Na terceira campanha eles começam a pagar R$ 13,00 por mês, se quiserem continuar. Bem pouco em tempos bicudos, o que explica o sucesso na captação de vendedores, que ganharão 15% sobre tudo o que venderem, mais as promoções que a Mirandas promoverá a cada 20 dias.

“A grande inovação é trazermos um catálogo novo a cada campanha com produtos diferentes. Então a vendedora tem sempre produto novo para oferecer aos seus clientes”, diz Andrea. Na prática isso quer dizer que, na campanha próxima ao Dia das Crianças, por exemplo, as novidades em produtos não se esgotam. “Há sempre uma mochila da Disney, ou outro tipo de produto infantil além dos lançamentos em cosméticos para a data. Quem não vende por não se identificar com o conceito de consultor (a) de beleza, por exemplo – universitários e homens – , pode vender sem ter a obrigação de participar de treinamentos,” diz Andrea .

A proposta da Mirandas é oferecer produtos adicionais, tirar a venda da loja e passar para os vendedores de venda direta. Assim, marcas não inseridas no modelo de venda direta que passam a utilizar o canal, ganham uma divulgação extra e eventualmente podem expandir-se através do canal.

“Marcas menores de cosméticos veganos Reload e Bony Brasil trarão o frescor da novidade dos cosméticos veganos ao catálogo, ” aponta Andrea. “Estimulamos o empreendedorismo, inclusive de marcas pequenas, mas com  uma proposta interessante. São 23 empresas de produtos veganos em nosso catálogo, uma delas é uma empresa de roupas de tecidos reciclados. E em uma próxima campanha teremos uma nova marca de cosméticos e assim será sempre… oferecermos novas propostas. ”