O consumidor brasileiro está mais consciente, engajado e exigente na hora de eleger um produto, já que vem buscando maneiras mais simples de viver, diante do estresse provocado pela crise econômica. É o que demonstra estudo desenvolvido pela Kantar Worldpanel, empresa global de informação e consultoria em estratégia de negócios.

O estudo revela que mesmo com a pouca apetência dos brasileiros em comprar, após o período de prosperidade experimentado entre 2009 e 2014, há, uma oportunidade para a indústria. Mesmo marcas líderes, que já atingem boa parte dos lares, têm oportunidades de crescimento. Um exemplo revelado na pesquisa é que 11% da população, ou seis milhões de lares, não compra o creme dental líder.

A pesquisa da Kantar Worlpanel apontou ainda que o custo tem sido um motivador na hora da compra, entretanto, o brasileiro não deixa de comprar seus produtos favoritos, mas passou a comprá-los em embalagens menores. “As pessoas abrem mão do volume, mas não da categoria e levam embalagens menores para manter a marca”, diz Christiane Pereira, diretora comercial da Kantar.

A tendência de simplificar a vida é uma tendência forte – 87% no Brasil, contra os 70% em outros países. Os consumidores estão 90% mais propensos à auto-indulgência diante do estresse atual, permitindo-se viagens e diversão, e a se presentear, aponta a pesquisa. O estudo da Kantar revelou também que 2,7% de toda a cesta de 2014 era composta por lançamentos. No ano seguinte esse número quase dobrou, chegando a 5,3%. Os dados referentes a 2015 são do NPD (New Product Development) nova ferramenta da Kantar, que avalia o nível de lançamentos no Brasil, onde a ferramenta foi desenvolvida nos últimos dois anos. De acordo com o NPD, a cesta de higiene pessoal no Brasil se destaca em lançamentos (36% ), quando comparada a outros países, como Reino Unido (10%) ou China (18%). O NPD mostra ainda que o maior sucesso em inovação no ano passado, foi justamente a adaptação da indústria às necessidades do consumidor relativas ao tamanho da embalagem.

As primeiras conclusões do NPD apontam que a maior parte dos lançamentos no país são elementos novos para a categoria, aqueles diferentes dos existentes, (47,5%), seguidos de nova combinação, que compreendem os já existentes na categoria e surgem sob outra marca (43,9%) e não novo, que trazem alguma alteração, como mudança de tamanho de embalagem (8,7%).
“ Ainda otimistas mas não como antes, nem sempre estamos dispostos a gastar mais para salvar o meio ambiente, mas apreciamos as marcas que valorizam e atendem a essa proposta”, diz Patricia Berber, responsável pela Kantar Worldpanel no Brasil.

A conclusão da pesquisa é que sortimento deve estar adequado às diferentes motivações do consumidor e os canais onde ele busca satisfazê-las. “Em HPPC ainda há muito espaço para lançamentos. Apesar da crise o consumidor continua se interessando por eles”, diz Patricia beber.