Os produtos orgânicos avançam no mundo e no Brasil também. A biodiversidade que o país dispõe, atrai cada vez mais empresas internacionais em busca de ativos, óleos e essências provenientes de nossa biodiversidade, um mercado que cresce a cada dia no mercado internacional. E a crescente demanda mundial por produtos orgânicos, abre caminho para um mercado, que o Brasil tem condições de atender desde da regulamentação  para produtos orgânicos no país, em 2007. O mesmo não acontece entretanto com as marcas de produtos cosméticos orgânicos, já que para o produto final não há legislação especifica.

A cultura e comercialização dos produtos orgânicos no Brasil foram aprovadas pela Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Sua regulamentação, no entanto, ocorreu apenas em 27 de dezembro de 2007 com a publicação do Decreto Nº 6.323. Segundo o MAPA -Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo brasileiro. O Ministério especifica que a principal característica dos produtos orgânicos é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou substâncias sintéticas que agridam o meio ambiente. Sobretudo, para ser considerado orgânico, o processo produtivo precisa ter o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. O Brasil já ocupa posição de destaque na produção mundial de orgânicos.

Segundo estudo do Organic Monitor – empresa de informação e marketing, especializada em produtos orgânicos -, o setor de cosméticos orgânicos movimenta cerca de US$ 9 bilhões em todo o mundo, representando 2% do mercado total. No Brasil não vemos pesquisas representativas sobre o consumo de cosméticos orgânicos e vegan,  já que não existe legislação específica para estas categorias. São os institutos particulares que determinam os seus critérios específicos. Entretanto, Tina Gill, gerente de marketing do Organic Monitor pontua: “A sustentabilidade vai muito além de ingredientes naturais e orgânicos em formulações cosméticas. Ela engloba a transparência nas cadeias de fornecimento, produção e distribuição, além dos aspectos sociais”.

No Brasil  o tamanho do mercado de produtos orgânicos é da  ordem de R$ 2 bilhões, para toda a cadeia – de cosméticos, alimentos,  ativos,  ingredientes e matérias primas, de acordo com o  Organics Brasil, programa de promoção internacional dos produtores orgânicos sustentáveis, fomentado pela Apex-Brasil. O grande filão é o de alimentos, mas os ativos, ingredientes, matéria primas e essências – todos ligados ao mercado de cosméticos – despontam  no mercado internacional, sobretudo se forem ativos da biodiversidade brasileira. A Beraca, líder mundial em ativos da biodiversidade brasileira vem  abrindo caminho para esse mercado, com a participação em feiras internacionais, seus princípios de sustentabilidade e o fornecimento desses ativos para empresas de várias partes do mundo. E a certificação orgânica está ordenando  e movimentando esse mercado.

Empresas estrangeiras vieram ao Rio de Janeiro em maio deste ano para fechar negócios com produtores orgânicos na quarta edição da Green Rio / Rio Orgânico , plataforma de negócios dos produtos orgânicos e sustentáveis. Os representantes importam produtos para a Escandinávia, Colômbia e o Peru e, segundo a organização da feira, eles estão interessados em frutas exóticas, cosméticos da Amazônia e versões orgânicas de produtos tradicionais, como o café.

“Em cosméticos há regulamentação apenas para matérias primas cosméticas, como extrato, óleos, ativos. Mas não para o produto final. Como em grande parte dos cosméticos a  parcela de água é grande, essa composição de ingredientes orgânicos em relação ao produto final é que não está clara,” aponta  Ming Liu, coordenador executivo  da Organics Brasil – Brazilian Organic and Sustainable Producers , com sede administrativa  em Curitiba, nos escritórios do IPD, Instituto de Promoção do Desenvolvimento, organização responsável pela implementação nacional do programa.

No mercado internacional a taxa de crescimento do mercado de orgânicos tem ficado em torno de 9% a 13% em relação aos mercados externos. No Brasil a taxa é maior, em torno de 35% devido a nossa regulamentação recente,” diz Liu, para quem é a partir da regulamentação que surgem as regras de mercado e consequentemente  tem início os investimentos.

Nos EUA e Europa esse crescimento aconteceu a partir de 2004. No Brasil apenas a partir de 2011. “Essa defasagem de tempo fez com que o mercado brasileiro ficasse estagnado. Mas a oferta vem crescendo de forma significativa – de 25% a 30% ao  ano,” diz o coordenador da Organics Brasil.

O projeto Organics Brasil é setorial e ligado à Apex . Tem atuação similar à Abipec  e o seu programa Brazilian Beauty, que promove as empresas brasileiras de cosméticos no exterior. O projeto da Organics Brasil, no entanto, promove  e comercializa exclusivamente produtos orgânicos e veganos (que não usam testes em animais ou ativos de origem animal). Trabalha não apenas do segmento de cosméticos, mas de alimentos, bebidas, têxteis, serviços, etc. Atualmente representa as empresas:Beraca, de ativos da biodiversidade brasileira e a Polióleos, de produção de óleo vegetal prensado e derivados  e das empresas de cosméticos  Ikove Organics (ex Florestas)  e Surya Brasil.

Segundo Ming Liu por ser um mercado novo, há muito a ser feito. “Há todo um trabalho de construção de imagem no exterior e de inserção dos produtos brasileiros nos mercados. Além disso, nosso trabalho é de equivalência, já que os países trabalham atualmente num reconhecimento mútuo das equivalências de certificação” conta.

O movimento pelos orgânicos começou na década de 70, com a fundação Mokiti Okada, que chegou ao país com suas plantações orgânicas para o mercado de alimentos. Os orgânicos tem origem na antroposofia vinda da Europa  e  na década de 70, através daFundação Tobias, fundada em Botucatu por um grupo de empresários. E é em Botucatu que surgiu em 1982 o IBD Certificações, a maior certificadora orgânica da América Latina. Desde  2001, no Brasil está presente também a certificadora internacional Ecocert, fundada na França em 1991 e presente em mais de 50 países. Seu escritório fica em Florianópolis, SC e ela segue as normas do Ministério da Agricultura brasileiro para certificação, diferente da matriz na França.

O  movimento de produtos e insumos orgânicos vem da década de 80 e o IBD surgiu para atender a demanda de importadores da Europa que precisavam que os produtos se adequassem às legislações dos mercados americano e europeu. As ideias se complementaram à Fundação Mokiti Okada e o público consumidor começou a valorizar o conceito de orgânico e se converteu.

Hoje, de acordo com a legislação brasileira, para que produtores estrangeiros possam comercializar seus produtos no Brasil como “Orgânicos”, devem ser certificados por uma certificadora credenciada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, e atender às normativas específicas brasileiras. Produtos certificados por normas internacionais (comoNOP, EU, JAS) não são reconhecidos automaticamente como orgânicos.

No mercado brasileiro o movimento pelos cosméticos orgânicos começa a tomar forma. As maiores representantes são a Surya Brasil, especializada em hennas naturais e demais produtos para os segmentos de cabelo e corpo, Tem escritório e fábrica nos Estados Unidos e comercializa seus produtos em cerca de 30 países.  E aIkove Organics, fundada em 2002, presente em 10 estados brasileiros, além do e-commerce. Também exporta para a Austrália, Canadá, Emirados Árabes, Estados Unidos e França.  Atua nos segmentos corporal, facial e de cabelos, além de aromaterapia, com óleos essenciais e vegetais.

“Apesar da falta de regulamentação para orgânicos, não há dúvida que o consumidor brasileiro está cada vez melhor informado, mais crítico e que, inclusive, é influência para a tomada de decisões do público internacional. No entanto, é inegável que estar presente em mais de 40 países como Holanda, Alemanha, República Tcheca, Eslováquia, Filipinas e Japão, dá credibilidade à marca no Brasil. O fato de termos distribuição nos EUA e sermos a única empresa de cosméticos brasileira presente em 95% do território americano também gera mais interesse do público daqui.”, diz Clélia Angelon, dona da marca Surya Brasil.

Há ainda a Cativa Natureza, fundada em 2008, que produz e comercializa cosméticos com insumos orgânicos rastreados. Disponibiliza uma linha completa de produtos certificados pelo IBD, Ecocert e Tecpar (esta última do estado do Paraná) e não testa seus produtos em animais.  Fornece também argilas e ingredientes ativos minerais  (pigmentos minerais para maquiagem ) daTerramater, produtora de minerais orgânicos para uso em cosméticos.

Fornecedores:

“A Gattefossé tem apostado no segmento de naturais e orgânicos, uma vez que, globalmente, há uma crescente conscientização dos consumidores e aumento da preocupação  com a saúde e causas ambientais e de sustentabilidade, além disso, vemos uma expansão da diversificação de produtos e ingredientes de alta eficácia nesse segmento” diz Amanda Pimentel,gerente de desenvolvimento de negócios da Gattefossé Brasil e na América do Sul.

A Gattefossé possui uma linha bastante extensa com certificaçõesEcocert, NPA e Cosmos. Desde a linha de emulsionantes funcionais (Emulium® Mellifera Emulium® Kappa2), agentes de texturas (Compritol® 888 CG, Lipocire™ A, Acticire® e ativos como a linha de águas vegetais Original Extract), Gatuline entre outros.

A Beraca disponibiliza – Beracare BBA, o novo ativo 100% natural e certificado orgânico clareador da pele com benefícios anti-idade. Contribui para redução da síntese de melanina. O produto estimula ainda a produção de ácido hialurônico e contribui para o aumento da densidade da rede de fibras de colágeno da derme, proporcionando efeito firmador, além de hidratar profundamente a pele. A empresa disponibiliza ainda os óleos de Andiroba (ação anti-inflamatória e hidratante); de Buriti (anti-oxidante, anti-inflamatório,rico em carotenóides e Pró-vitamina A); óleo deCastanha-do-Brasil (ação emoliente); Manteiga de Murumuru (de ação emoliente e hidratante); Óleo de Patuá (poderoso agente hidratante, capaz de atuar como agente hidratante no tratamento do couro cabeludo, pois possui alto teor de ácido oleico (75%)) eManteiga de Cupuaçu (de ação hidratante e recuperação da elasticidade da pele).

A Chemyunion disponibiliza Melscreen Coffee El Deo Org , produzido a partir da extração dos grãos verdes do café orgânico, certificado orgânico pela Ecocert que está em conformidade com a legislação Americana e Européia. Esse ativo apresenta uma padronização em ésteres diterpênicos, sendo utilizado em formulações para cuidados com a pele por suas atividades anti-oxidante, potencializadora da proteção contra luz UV, atividade-anti eritemática comprovada in vivo, auxiliando da prevenção do processo de envelhecimento da pele.

E a Symrise com Symrise Actipone ® / Extrapone ® , produtos orgânicos que consistem de extratos de plantas e vegetais cultivados organicamente, Glicerina e água ou Maltodextrina orgânica, como substância transportadora. Disponibiliza ainda a linha Allplant Essence®   de ingredientes 100% orgânicos,  certificados pela Ecocert,  livre de preservativos.