De acordo com a agência de inteligência de mercado Mintel, a filosofia de desperdício zero ganhará força nos mercados de beleza global e de cuidados pessoais nos próximos anos, e a medida que cresce a conscientização dos consumidores em relação ao impacto ambiental dos plásticos descartáveis, inclusive os de embalagens do setor cosmético, cresce o desejo dos consumidores de compensar o dano que a produção e distribuição que um produto causa. As empresas do futuro, segundo a agência, devem oferecer esse conceito e maneiras de compensação por esses danos.

Uma das principais preocupações dos consumidores em todo o mundo em relação ao consumo, apontam os analistas no relatório da Mintel,  Sub-Zero Waste – 2019 Global Beauty and Personal Care Trend, diz respeito ao desperdício e à sustentabilidade. De acordo com eles, os fabricantes de produtos de beleza, empresas e marcas devem mudar para um paradigma totalmente novo ao abordar o desperdício e a sustentabilidade, concentrando-se em todos os aspectos da cadeia de suprimentos.

O lixo sub-zero é um movimento em direção a uma nova maneira de se fazer negócios nos setores de beleza e cuidados pessoais e se as marcas não mudarem sua abordagem agora, é provável que elas se tornem insignificantes em um futuro próximo. De acordo com Andrew McDougall, diretor associado da Mintel Beauty & Personal Care algumas marcas indie ou independentes têm vantagem em relação à beleza sustentável, pois construíram suas práticas de negócios em torno de práticas éticas e amigas do meio ambiente. “Hoje, os consumidores estão prestando muito mais atenção ao seu impacto no planeta e as mudanças climáticas são mais drásticas do que nunca. Um foco maior é necessário em toda a cadeia de fornecimento de produtos de beleza e cuidados pessoais para uma verdadeira mentalidade de desperdício zero. ”

Atualmente algumas marcas de cosméticos já investem em ideias de resíduo zero. No Brasil a Natura há algum tempo privilegia o uso de reciclados e recicláveis em seus produtos, como frascos de perfumes feitos de vidro reciclado, além do uso de plástico verde à base de cana de açúcar (Braskem). O Boticário implantou um sistema de logística reversa em suas cerca de 3800 lojas para recolher, reciclar e reutilizar as embalagens que utiliza em seus produtos., ou encaminhá-la ao seu descarte adequado. Pequenas e novas empresas de cosméticos já nascem com propostas mais ‘limpas’, do reciclável e/ou do reutilizável, como a paulista Harah Cosmetics, de 2017, que adotou o selo Eureciclo (New Hope Ecotech), que certifica a logística reversa das embalagens, assumindo assim a responsabilidade pelo seu impacto ambiental. A premiada empresa paranaense feito brasil usa embalagens recicláveis desde a sua fundação em 2004. E a VAIBE, que nasceu em 2017 já com um projeto de logística reversa, ativos naturais e sem testes em animais.

Marcas Indies ou independentes construíram seus negócios com práticas em torno da ética de desperdício-zero. Marcas de HPPC de alto lucro que não estão investindo nessa área já estão se condenando, dizem os analistas no relatório.

A Aveda foi uma das primeiras empresas de beleza a usar o PET reciclado pós-consumo em suas embalagens e, hoje, mais de 85% de seus frascos de produtos de cuidados pessoais e produtos para os cabelos contêm 100% de materiais reciclados. A marca agora está experimentando a combinação de plástico reciclado com derivados de plantas para tornar seus tubos ainda mais sustentáveis.

A marca global  de produtos massivos Procter & Gamble desde o ano passado vem utilizando frascos de xampu com plástico reciclado que são arremessados pelo mar nas praias e a loja de cosméticos Lush tem o objetivo de se tornar 100% livre de plástico.

Ser sustentável não significa comprometer a qualidade ou o luxo, dizem os analistas da Mintel. Para eles inovar e ser inteligente com conceitos de upcycling ( arte de criar a partir de descartes), a utilização de refis e a vida útil do produto são medidas ao alcance de empresas e todos os portes. Ser transparente para criar um relacionamento melhor com os consumidores oferecendo a eles a orientação e educação para fazer transformações são outras ações responsáveis apontadas pela agência.

Esta não é apenas uma tendência; é um movimento em direção a um novo arquétipo para a indústria. Algumas empresas de HPPC já estão discutindo, removendo completamente a embalagem da equação. Se marcas não mudarem sua abordagem agora, é provável que tornem- se insignificantes, dizem os analistas da Mintel.
A necessidade de redução de resíduos vai se tornando cada vez mais evidente no dia-a-dia e mais consumidores globais passam a reavaliar suas rotinas de beleza.

Dados da Mintel apontam:
-54% dos consumidores de beleza e cuidados pessoais do Reino Unido frequentemente pesquisam produtos on-line antes de comprá-los.
-58% dos chineses de um grupo significante de pessoas que buscam qualidade de vida, de 29 a 40 anos, se dizem dispostos a a pagar mais por marcas éticas.
-44% dos consumidores de produtos de cuidados pessoais naturais / orgânicos dos EUA, que compram uma mistura de marcas convencionais e marcas naturais / orgânicas, dizem que vivem de forma sustentável.
– 54% dos brasileiros que são potenciais compradores de produtos ecológicos / éticos e dizem que compram sustentável / bens ecologicamente corretos porque eles não gostam de desperdiçar.
– 74% dos consumidores de beleza e cuidados pessoais na Espanha estão preocupados que os ingredientes utilizados em produtos naturais não são sustentáveis.
– 24% dos consumidores indianos são motivados / estariam motivados a viver um estilo de vida mais “natural” para apoiar ambientalmente empresas conscientes.
Assim, o desperdício abaixo de zero está no foco dos consumidores. A sustentabilidade está nos holofotes. Mais pessoas estão questionando marcas em suas práticas eco-éticas, mas os esforços para mudar ainda são limitados. As marcas precisam de uma estratégia de longo prazo que considere cada elemento da cadeia de fornecimento, indica a agência.

Os consumidores de HPPC estão buscando rotinas de beleza mais simples, e haverá uma reação contra marcas que propositadamente criam vida útil limitada para produtos nas prateleiras ou incentivam o consumo excessivo.

Para os analistas da Mintel, há espaço para criar produtos que podem ser reinventados, não substituídos e oportunidades para novos formatos e embalagens que suportam produtos mais duradouros ou transformadores. As marcas devem ser mais ambientalmente responsáveis e devem ser transparentes quanto a suas práticas, mas os consumidores também devem se envolver. Muitas pessoas querem ajudar, mas não sabem como.

As marcas podem ajudar os consumidores após a compra, informando-os na embalagem sobre como descartar e oferecer sugestões de criar a partir do descarte. Els podem ganhar a fidelidade de seus consumidores usando educação e oferecendo soluções simples. Isso oferece o fator ‘sentir-se bem’ e economiza para os consumidores tempo e dinheiro.

Em 2019, os consumidores continuarão a focar em produtos consideravelmente embalados, mas também serão atraídos para marcas que colocam um foco mais amplo na redução de resíduos.

No geral, o conceito de desperdício zero está em desacordo com a imagem tradicional de luxo da indústria da beleza, especialmente para marcas de prestígio, por isso apela para uma nova definição de “luxo”.

Terão apelo: criar novos conceitos de embalagem com propósitos finais, tratamentos de beleza sem desperdícios, transporte, estocagem, tudo o que evite o desperdício.

Marcas de beleza que oferecem refis precisam manter contato pós-venda com os consumidores e fornecer informação sobre como suas novas soluções estão reduzindo o desperdício. Implementando um esquema de devoluções permitindo aos clientes Implementando um esquema de devoluções permitindo aos clientes retornar as embalagens que eles não querem mais recarregar cosméticos recondicionados no retorno às embalagens a custo reduzido podem garantir metas de sustentabilidade, dizem os analistas da agência de pesquisas.

Como as lojas pop-up são uma tendência contínua de varejo, as marcas precisam garantir essas configurações sejam criadas e removidas dos ambientes de maneira responsável. Usar projeção em vez de imprimir e adaptar-se a em vez de mudar o espaço.

A tendência do desperdício zero vai transformar a indústria de beleza e cuidados pessoais nos próximos cinco anos e vai evoluir de maneiras não previstas. Começar já a desenvolver essa tendência irrevogável e que veio para ficar é um ganho para as empresas que saem à frente, diz a Mintel.