Parece que os homens brasileiros não querem ousar e tendem a demonstrar preferências conservadoras em relação às escolhas de perfumes. Uma nova pesquisa da Mintel sobre Atitudes dos Homens com Produtos de Beleza e Cuidados Pessoais, revela que três em quatro (76%) deles usam fragrâncias específicas para o seu gênero. Acentuando essa tendência, os desodorantes também se destacam em relação a produtos criados especificamente para homens, já que 71% dos consumidores usam desodorantes próprios para o sexo masculino, em comparação a 31% que afirmam utilizar desodorantes unissex.

Porém, quando a pesquisa aborda produtos como xampus, condicionadores e itens de limpeza corporal, eles mostram que não se importam em cruzar limites de gênero. De acordo com a pesquisa, 58% dos homens dizem usar xampus e condicionadores unissex, comparado a 42% que dizem usar os mesmos itens, mas específicos para homens. Ao mesmo tempo, 56% dos homens afirmam utilizar produtos de limpeza corporal unissex, comparado a 32% daqueles que usam produtos específicos para o seu gênero.

Takesumi

Kaia Naturals The Takesumi Detox Charcoal Underarm Detox Kit, EUA, lançamento de janeiro de 2018

“Há muitas oportunidades para desodorantes no Brasil. As marcas poderiam, por exemplo, desenvolver desodorantes que possam ser usados por homens e mulheres, agregando valor à marca e conquistando consumidores que veem esse produto como unissex. Uma ideia é usar ingredientes ‘masculinos’, como o carvão, na estratégia de comunicação desses desodorantes. Como possui benefícios de remoção de impurezas, excesso de oleosidade e proteção contra a poluição, o carvão vem sendo utilizado pela indústria de beleza principalmente em cosméticos faciais. Por outro lado, marcas que queiram continuar desenvolvendo desodorantes específicos para o sexo masculino podem inovar lançando extensões de linhas. Marcas que possuam xampus, sabonetes, entre outros produtos masculinos, podem lançar desodorantes com a mesma fragrância, por exemplo”, afirma Juliana Martins, especialista Sênior de Beleza e Cuidados Pessoais da Mintel.

Charcoal

Schmidt’s Charcoal + Magnesium Mineral Enriched Natural Deodorant, Alemanha, de junho de 2017

Apesar da recente moda entre os homens de usar barba/bigode, os brasileiros ainda preferem se cuidar em casa. A pesquisa da Mintel revela que apenas 5% dos respondentes faz a barba e/ou bigode no salão/barbearia. E 94% realizam essa atividade em casa, por conta própria. Além do mais, quando se trata de frequência, a maioria dos homens faz a barba e/ou bigode pelo menos uma vez por semana. De acordo com a pesquisa, 35% deles faz a barba de duas a seis vezes por semana, 35% uma vez por semana e 15% menos de uma vez por semana. Somente 9% dos entrevistados diz que faz a barba diariamente.

A pesquisa ainda revelou que mais da metade (57%) dos homens brasileiros não usa nenhum produto para barba e/ou bigode. Porém, entre os itens utilizados mais mencionados na pesquisa, estõ os produtos de limpeza para barba/bigode, citados por 21% dos homens, e hidratantes para barba/bigode, por 21%.

“É uma questão de educar os consumidores. Os homens geralmente não sabem quais produtos combinam melhor com a sua pele. Uma marca húngara tentou resolver este problema, desenvolvendo cinco itens para a barba enumerando-os na ordem em que devem ser usados. Segundo a marca, o objetivo foi facilitar o dia a dia ocupado dos seus consumidores”, explica Juliana.

Marcas: Personalidade e Propósito

Além disso, o consumidor brasileiro parece se importar com o que ele lê online: 23% deles seguem marcas de beleza que gostam nas redes sociais, como Facebook e Instagram. Esse comportamento condiz com a tendência da Mintel, Campaign Capital, que diz que simplesmente vender um produto de beleza não é mais suficiente: as marcas devem ter personalidade e propósito que se alinhem com as crenças dos consumidores para conquistá-los. Outro indício de influência da mídia social é o fato de que 38% dos homens afirmam ler/assistir avaliação de produtos na internet, como blogs de beleza e vídeos do YouTube, antes de comprar.

“As marcas poderiam usar mídia social para ficarem mais ‘humanizadas’ e atrair consumidores que compartilham seus valores e ideais. Uma conhecida marca nos Estados Unidos, por exemplo, ganhou seguidores devido a sua estratégia digital. Ela usa seu canal no Instagram, integrado ao seu site principal, para publicar lançamentos de produtos e, mais importante, compartilha conteúdo gerado pelos clientes, como fotos e comentários, para seus próprios canais. Esse posicionamento é uma boa estratégia para gerar engajamento online por parte dos clientes”, finaliza Juliana.

 

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