Probióticos, ou “bactérias boas” tem saído da esfera alimentar – normalmente associados a iogurtes matinais e a regularização intestinal – para se tornarem novos protagonistas nos cuidados com a pele. Marcas internacionais como Clinique, Aurelia, Elizabeth Arden e a Jhonson& Jhonson tem buscado esse novo caminho para seus desenvolvimentos para a pele do rosto.

O conceito de bactérias probióticas vem evoluindo através de pesquisas clínicas e experimentais documentadas que comprovam que além dos probióticos influenciarem positivamente as funções intestinais, podem exercer benefícios para a pele, graças às suas propriedades naturais anti-inflamatórias que ajudam a eliminar as bactérias que causam acne, rosácea, dermatites e psoríase e por ajudarem a reduzir vermelhidão e inflamações e combater rugas prematuras a longo prazo.

Estudos

De acordo com relatos científicos do professor Jean Krutmann, da Universidade Heinrich-Heine, em Düsseldorf, baseados em evidências, reforçam a suposição de que certos probióticos podem contribuir para modular a microflora cutânea, a barreira lipídica e o sistema imunológico da pele, levando à preservação da homeostase da pele.

O estudo explica que a pele humana fornece habitat para uma variedade de microorganismos: a microflora da pele e que existe uma rede complexa de interações entre os micróbios e as células da epiderme.

Vários estudos pesquisados pelo professor Krutmann apontam para uma ação dos probióticos sobre a pele: “Muitas evidências indicam que os probióticos podem ser úteis como agentes antioxidantes, tanto in vitro como in vivo (Lin e Chang, 2000) e em alguns estudos os probióticos têm demonstrado exercer proteção sistêmica contra o estresse oxidativo e diminuir a oxidação humana de lipoproteínas de baixa densidade (Navarro et al., 2008, Bouilly-Gauthier et al., 2010) Concluiu-se que os probióticos representam uma ferramenta terapêutica útil para a prevenção do estresse oxidativo epidérmico via tópica ou via ingestão (Cinque et al., 2011 A habilidade dos probióticos em agir como antioxidante pode ser atribuída à presença de enzimas antioxidantes como a superóxido dismutase (Shen et al., 2010) à liberação de compostos antioxidantes como a glutationa (Peran et al., 2006) e à Produção de biomoléculas de polissacarídeos extracelulares (Kodali e Sen, 2008).”

Bactérias boas

A bactéria que preserva a pele é a Bifida. É ela quem estabiliza o sistema de defesa natural da pele, ajudando a recuperar e manter o equilíbrio natural de bactérias e pH na superfície da pele. Os probióticos ajudam na digestão garantindo que o intestino seja preenchido com o tipo certo de bactérias que combatem as bactérias más, que é exatamente da mesma maneira que funciona para a pele. Ao manter um equilíbrio saudável e natural de bactérias úteis, a pele está mais capacitada para combater infecções bacterianas, como acne.

A Johnson & Jhonson estabeleceu recentemente parceira com a S-Biomedics, empresa belga de biotecnologia especializada em cuidados com a pele , probióticos e cosméticos , como parte de seu novo programa JLINX, lançado no ano passado e que visa parcerias com startups que trabalhem em campos que se alinhem com os negócios da J&J. A S-Biomedics é uma delas, por conta do desenvolvimento “de um método para modular diretamente o microbioma da pele, com aplicações em dermatologia e indústria cosmética”, de acordo com o comunicado de imprensa. O microbioma da pele é um habitat de bilhões de bactérias boas e más, que contribui para condições que vão desde acne, eczema e rosácea ao envelhecimento.
A J&J e a S-Biomedics estarão trabalhando juntas em soluções baseadas em microbiomas para os cuidados com a pele. A S- Biomedic conduzirá ensaios clínicos para um produto para a recuperação da pele com acne. E deverá expandir sua plataforma da tecnologia para gerar produtos para outras circunstâncias da pele.

A fabricante de ingredientes ativos Sabinsa desenvolveu um ingrediente baseado em probióticos: A Lactospora, baseado no ácido L (+) láctico, que é completamente metabolizado pelo glicogênio.

Produtos

Algumas marcas já desenvolveram linhas especiais de regeneração da pele através da inclusão de probióticos em suas fórmulas, como a Aurelia, marca britânica de cuidados com a pele que combina formulações botânicas bio-orgânicas com tecnologia probiótica em formulações botânicas, visando estimular o metabolismo celular e controlar a inflamação, uma das principais causas do envelhecimento da pele. A marca desenvolveu uma linha com vários produtos revitalizantes que usam a tecnologia, como: limpador, sérum de brilho, hidratante diurno e noturno, óleo para a noite, creme para as mãos, desodorante em creme, entre outros produtos.
Aurelia
As glicoproteínas de bifidobacterium, o probiótico utilizado pela marca, ajudam a reparar, proteger, monitorizar e apoiar as células da pele agindo ao nível das citocinas (reações inflamatórias da pele responsáveis). Todos os outros ingredientes utilizados pela marca são naturais e de origem responsável e eticamente ou mesmo orgânicos.

Aurelia Probiotic SkinCare – Miracle Cleanser contém uma alta concentração de probióticos e peptídeos para suportar o sistema de defesa natural da pele. Contém extratos 100% puros de plantas e flores, incluindo Baoba Kigelia Africana e Hibiscus para revitalizar a pele e combater o estresse oxidativo.
Clinic

A Clinic lançou Clinic Redness Solutions Daily Relief Cream with Probiotic Technology, um creme de alívio diário com tecnologia probiótica, cuja fórmula extra-suave, sem óleo, conforta instantaneamente a pele vermelha e irritada. A tecnologia probiótica trabalha para reduzir o aparecimento de vermelhidão visível e ajuda a preveni-la. Ajuda também a reduzir os sinais de manchas na pele, proporcionando suave hidratação e reduzindo a aparência de capilares partidos. Com textura refrescante e resultados visíveis para peles irritadas e vermelhas.
Tula

Desenvolvida por um gastroenterologista, a marca Tula lançou o seu Tula Illuminating Face Serum, que contém fermento bífido e extratos de iogurte, bactérias que, de acordo com a marca, provaram ser as melhores amigas de uma pele saudável. A tecnologia Multistrain Probiotic, foi desenvolvida a partir de culturas de iogurte, e superalimentos nutritivos e é empregada em sua ampla gama de produtos de cuidados pessoais da marca.
Elizabeth Arden

A Elizabeth Arden desenvolveu o sérum Superstart Skin Renewal Booster, que inclui um complexo de probióticos para fortalecer a capacidade natural da pele de se recuperar e se renovar, devolvendo uma aparência mais radiante e jovem. Enriquecido com funcho do mar e extratos de linhaça para manter a barreira hidro lipídica da pele, atua como um sérum versátil e refrescante para ser aplicado antes do hidratante para aumentar a eficácia dos produtos de skincare.
Adcos

E a brasileira Adcos lançou o seu Hidradefense Solution Acqua Pro-Bio, em formato aerossol, que é formulada com prebiótico, que estimula exclusivamente o crescimento da flora benéfica naturalmente encontrada na pele (bactérias boas) e reduz as bactérias capazes de gerar doenças. Protege e estimula as defesas da pele e do cabelo. Devolve a força da pele e ajuda na recuperação da proteção imunológica cutânea. O produto contém ainda Ectoína, molécula sintetizada por microorganismos que suportam condições extremas e que promove a hidratação, entre outras propriedades. Contém ainda Alantoína e Ácido Hialurônico. É ideal para o tratamento ótimo para peles sensíveis, pessoas com dermatite atópica, pós barba, acne inflamatória, pós-operatório, pós peeling, pós depilação e terapia capilar. A empresa esclarece no entanto que o nome Aqua Pro.Bio refere-se a função que realiza, de trabalhar em favor dos probióticos (microrganismos vivos capazes de melhorar o equilíbrio microbiano produzindo efeitos benéficos à saúde da pele indivíduo ) e não por possuir estes na sua composição.

“A opção de  trabalharmos com prebióticos é por entender que pele está constantemente exposta a vários fatores ambientais que podem afetar a sua função barreira nos níveis físico, mecânico, imunológico e microbiano. Estes fatores têm o potencial para iniciar ou exacerbar uma variedade de estados inflamatórios da pele, especialmente aqueles associados com a disfunção barreira, que prejudicam a saúde da pele e aceleram o processo de envelhecimento. Preservar o microbioma cutâneo é uma das estratégias para preservar a saúde e beleza da pele,” diz a farmacêutica da Adcos, Marina Lima.

“Enquanto os testes médicos comprovam a eficácia dos produtos à base de probióticos, ainda existem alguns obstáculos para os fabricantes de cosméticos. O desafio básico é identificar o microorganismo certo a ser utilizado na formulação. Os produtos químicos utilizados em formulações cosméticas nem sempre proporcionam o meio adequado para manter as bactérias vivas, o que pode afetar a viabilidade e a eficácia da formulação. Para evitar reações indesejáveis ou crescimento excessivo, a maioria dos ingredientes cosméticos baseados em probióticos aderem a formulações, em que as bactérias estão presentes num estado latente”, revela o estudo Ativos de Especialidade em Cuidados Pessoais: Análise e Oportunidades Multi-Regionais de Mercado, da Kline, agência de consultoria e inteligência de mercado.

De acordo com a agência, ingredientes biofuncionais como os probióticos já desempenham um papel importante no mercado de cuidados pessoais, com um mercado estimado no Brasil, China, Europa e Estados Unidos de cerca de US $ 1,1 bilhão. A expectativa segundo a Kline é de que este mercado cresça a uma taxa anual composta de mais de 6% durante o período de previsão de 2016 a 2021.

*Com parte das informações da Kline.