Imagem: Pink Cheeks

Três amigas brasileiras unidas pelo esporte e pelo empreendedorismo criaram a Pink Cheeks, uma marca indie que se destaca por seus produtos focados nas necessidades diferenciadas da prática de esportes, mas que também atende a outros públicos.

As triatletas Corina Cunha, Gisele Violin e Renata Chaim correm juntas desde 2009 e costumavam dividir as dores das bolhas e assaduras com a frustração de não encontrarem soluções de alívio satisfatórias no mercado. Em 2013, decidiram transformar os incômodos que sentiam durante os treinos em oportunidade. E criaram a Pink Cheeks com a proposta de criação e produção de formulações específicas para atletas.

Em cinco anos depois, a Pink Cheeks se destaca como a primeira empresa brasileira de produtos cosméticos para esportes, uma das tendências apontadas pela Mintel na in-cosmetics Latin America 2017 entre as tendências, insights e inovações. Este ano elas vão prestigiar o evento, que acontece nos dias 19 e 20 de Setembro.

A ideia da Pink Cheecks surgiu a partir do Triathlon, atividade comum às três amigas: Carina Cunha, Gisele Violin (irmã do triatleta Ciro Violin) e Renata Chaim. Elas sofriam com alguns desgastes decorrentes da prática cotidiana do esporte, que compreende natação, ciclismo e corrida. Corina tinha melasma, Gisele sofria com bolhas nos pés e Renata sofria com assaduras em várias partes do corpo.

Corina é farmacêutica e tinha uma farmácia de manipulação. Então as amigas passaram a desenvolver produtos para seus problemas específicos baseadas nos problemas que apresentavam durante as provas. “Corina desenvolveu alguns produtos e passamos a experimentar. Eram filtros solares, anti-assaduras, produto para os nós do cabelo que aparecem nas provas. E foi assim que começamos”, contam as empreendedoras..

“Não havia produtos específicos para esses problemas no mercado brasileiro. Alguns produtos para assaduras víamos bastante no exterior, mas aqui não. O nosso por enquanto é o único no Brasil, “ diz Corina, que é a responsável pelo desenvolvimento de produtos da Pink.

O primeiro produto foi o filtro solar Pink Stick FPS60 PPD20 para o seu próprio problema de manchas solares da farmacêutica nas corridas. O produto tem alta proteção, não escorre, não sai na água e permanece ativo sobre a pele durante toda a prova de Triathlon. O produto tem ainda cinco tonalidades diferentes e um incolor, que pode ser usado por homens. “A concentração de pigmento dele é baixa, 8%, então o produto não deixa o atleta com uma aparência mascarada, mas uma cobertura suave para o pessoal chegar bem ao pódio. O propósito não é maquiagem, mas proteção. Ele é um filtro solar”, explicam as amigas. Para ele a marca desenvolveu posteriormente o Face Bubbles, para retirar o filtro solar , que tem grande fixação na pele.

 

Pink_bastao
Protetor solar tonalizante mate

Desenvolveram depois um produto nicho para evitar e, também, para cicatrizar bolhas, um problema recorrente para Gisele Violin, administradora de empresas, que se encarrega da administração da Pink Cheeck, cujo nome inspirado nas bochechas vermelhas das amigas, antes de desenvolverem seu próprio protetor solar. “O Redless Coat, é um produto específico para bolhas e assaduras de e ele tem um efeito anti-atrito. Ele atende a três tipos diferentes de atrito: o pele com pele, o pele com tecido (em spray) e o para ciclistas (áreas íntimas). Até hoje não há um produto similar no Brasil”, contam Renata e Corine.

As assaduras eram o problema de Renata Chaim, publicitária e responsável pelo marketing da marca. Para ela foi desenvolvido o Redless, à base de óleo de amêndoas, com Vitamina E e que pode ser usado inclusive para regenerar a pele. Ele também contém filtro solar, que, embora não seja o intuito do produto, ajuda quem usa roupa de borracha e fica desprotegido no pescoço. O produto forma uma camada espessa. Protege também o mamilo de homens que assam com as camisetas de corrida.

Anti-shock
anti-nós – para os cabelos no Triathlon

O produto campeão de vendas é o Anti-Shock, que é o anti-ninho, para ser usado no rabo de cavalo. Não embaraça, tem protetor solar e hidrata os cabelos. “Hoje se vê muitas mulheres correndo. É específico para cabelos que dão nós, por conta do sal do mar, do suor e do vento. Hoje a marca desenvolveu uma linha complementar para os cabelos, como xampu e condicionador e o modelador para cabelos molhados, entre outros.

Outro produto interessante da marca é o Keep Fit, que minimiza o aspecto de calos nos pés, para quem corre, um problema bastante comum. Contém ácido salicílico, Ele ajuda a afinar a pele, tem 10% de manteiga de karité, que vai hidratar e diminuir a camada de queratina da pele que vai ficando espessa, deixando os pés macios e hidratados. E o Like a Princess, um creme para o relaxamento pós provas. Tem mentol na fórmula, mas também D-Pantenol, Manteiga de Karité, que hidratam.

A novidade da marca é um produto para ser aplicado nos cabelos antes da natação, que neutraliza o cloro, formando uma cutícula biomimética no fio, protegendo os cabelos dos danos. Além de resolver uma questão que pega quem pratica o esporte, também abre para o business um novo nicho, que são as empresas ligadas a natação.

Há ainda uma linha facial, há uma linha de protetores solares para os lábios, que protegem efetivamente e todos os produtos podem ser usados por mulheres e homens.

Assim, das dores e dissabores do esporte, surgiram fórmulas e testes, muitos testes. Alguns produtos chegaram a demorar seis anos para serem desenvolvidos. Até que os produtos chegaram às mãos de uma blogueira e foi aí que a Pink Cheecks se tornou conhecida.

“Pela legislação, a farmácia de manipulação só pode vender em loja ou no próprio site e como os consumidores de nossos produtos foram aumentando, houve a necessidade de aumentar a produção. Assim, decidimos montar uma indústria,” conta Carina.

Entre as principais dificuldades encontradas pelas amigas foram: o investimento, a dificuldade de negociação e os mínimos de compra que as indústrias terceiristas pedem. “Se a gente não tivesse investido da própria indústria, aliás, este seria um grande problema.” contam. “Este foi o principal motivo de querermos ter toda a estrutura nas mãos. Podermos lançar um produto e fazer 200 unidades, ver a aceitação, aumentar conforme a necessidade.

Fora isso, a comunicação também é muito difícil para quem inicia, apontam as empreendedoras. De acordo com elas, esse problema foi superado pelo pioneirismo de alguns produtos no Brasil e ainda ao atendimento de um nicho específico.

Desde o princípio da marca, em 2013, a Pink Cheeks começou a vender diretamente ao consumidor, através de seu e-commerce, e através de consultoras. “Hoje já vendemos para o varejo especializado. Nós vendemos por exemplo na Decathlon, algumas lojas da The Beauty Box, em alguns outros e-commerces, como Netshoes, Beleza na Web, Época Cosméticos. Mas entre nossas consultoras de venda direta, há muitas meninas que correm também, ou são envolvidas com algumas atividades de bem-estar e isso conta. Elas são muito importantes para as nossas vendas. Além disso trabalhamos com o instagram, que tem todos os dias informações sobre atividades de atletismo e de nossos produtos e o Facebook. Hoje temos consultoras em todas as regiões do país, seja com consultoras ou lojas grandes”, contam.

O reconhecimento da marca veio através de uma citação da Mintel na in-cosmetics Latim America 2017, como tendência nicho de mercado. “ Para nós foi um orgulho muito grande porque tira aquela ideia de que só as grandes empresas podem fazer sucesso. Acreditamos no trabalho duro e corremos atrás. Hoje percebemos que nunca fomos atrás de grandes do varejo, eles que vieram atrás da nós. Algumas indústrias, incluindo de cosméticos, que atendem prescrições médicas, querem a fórmula do nosso filtro, por exemplo. É muito gratificante porque, geralmente, estas empresas têm uma equipe de desenvolvimento enorme e a gente faz isso no interior de São Paulo, em poucas pessoas. Isso não tem preço!”, contam orgulhosas.