A figueira que é uma ponte, no Salto do Morato

A X Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que está sendo realizada em Buenos Aires até o dia 17 de dezembro, traz a tona a questão ambiental no país.

Como país signatário da Convenção o Brasil foi obrigado a informar em relatório quanto às suas emissões de gases na atmosfera. A conclusão a que se chegou neste relatório emitido pelo Departamento de Ambiente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, é que o desmatamento é a principal causa do aumento das emissões dos gases dióxido de carbono e gás metano. Por isso, o governo brasileiro iniciou um plano intensivo para deter a destruição da floresta tropical, principalmente na Amazônia.

No entanto, o País não conta com estudos e estratégias de resposta para enchentes, ciclones, aumento do nível do mar, desertificação de florestas tropicais e áreas de plantio. De acordo com o Greenpeace é fundamental que o País esteja preparado para responder a esta demanda cada vez mais presente em nossa realidade em função do aquecimento global.

Algumas empresas brasileiras estão envolvidas em projetos de conservação da natureza, embora grande parte delas, como empresas de celulose e afins, como um retorno para o que utilizam da natureza.

No setor cosmético, O Boticário, maior rede de franquias do Brasil e uma das maiores empresas de cosméticos do país, preocupada com a conservação da natureza, de onde tira inspiração para o desenvolvimento de muitos de seus produtos, criou e mantém desde 1990 a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, uma entidade sem fins lucrativos, com autonomia administrativa e financeira, destinada a patrocinar e realizar projetos conservacionistas. 

                                

Nesses 14 anos, a Fundação dirigiu suas ações e recursos para três programas: Incentivo à Conservação da Natureza (financia projetos de terceiros por meio de editais), Áreas Naturais Protegidas (programa de criação de reservas, como a Reserva Natural Salto Morato) e Educação e Mobilização (ações de mobilização e sensibilização para a conservação da natureza. Um exemplo disso é a Estação Natureza, uma exposição interativa sediada no Shopping Estação de Curitiba, sobre os biomas brasileiros).

Até hoje, cerca de 900 projetos já foram aprovados pela Fundação, somando um total de U$ 11.5 milhões em investimentos. Ela conta com 32 funcionários e 9 estagiários e ainda 100 pesquisadores renomados, envolvidos com a Fundação em caráter voluntário.

De acordo com o Sr Miguel Serediuk Milano, Diretor da Fundação, restam em todo Brasil menos de 10% da Floresta Atlântica no país. “A região sudoeste é a que mais desmatou ao longo dos anos, com a agricultura e a industrialização. Estamos trabalhando para recuperar a reserva de Floresta Atlântica no Paraná que quando foi comprada tinha áreas de pasto e outras bastante degradadas. Hoje ela já apresenta níveis de recuperação intermediária”.

A Fundação O Boticário apóia propostas de projetos relacionados à: conservação da natureza; áreas verdes e projetos em ecodesenvolvimento. Pouca gente se dá conta mas já são 900 projetos patrocinados, entre eles o estudo sobre o comportamento e o meio ambiente do macaco sauim-de-coleira, o primata mais ameaçado de toda a Amazônia, pesquisas de espécies ainda não identificadas, como a rã Megaelosia boticariana e o peixe Listrura boticario, nomeados  pelos cientistas que os descobriram em homenagem à empresa. 
                                            

Queimadas, caça ilegal, assoreamentos de rios, derrubada de árvores põem em risco a biodiversidade do Brasil, país que mais tem a perder com os danos ambientais. O apoio financeiro garante a participação de pesquisadores e mobiliza o envolvimento da sociedade em projetos de conservação.  E é a esperança de continuidade para espécies tão diferentes como os primatas do norte gaúcho, as baleias francas austrais de Santa Catarina, as serpentes do Vale do Ribeira, as abelhas-das-orquídeas do Paraná, os recifes de coral no sul da Bahia, as florestas de restinga do litoral fluminense e a arara-azul-de-lear de Canudos, todos apoiados pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.

A Reserva do Salto do Morato, uma área com 2.340 hectares, situada em Guaraqueçaba, litoral norte do estado do Paraná protege um significativo remanescente de Floresta Atlântica e dispõe de infra-estrutura para pesquisa científica, educação ambiental e recreação ao ar livre. É reconhecida pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade.

Entre as ações de educação ambiental desenvolvida pela empresa estão a edição de publicações, promoção de eventos, oficinas e cursos de capacitação em conservação da biodiversidade. A Estação Natureza, por exemplo, que já recebeu mais de 50 mil visitantes, mantém uma exposição sobre as belezas naturais do Brasil, com painéis, maquetes, fotos e brinquedos interativos. 

   

Recebe escolas e grupos com monitores treinados. Além disso, a Reserva Natural Salto do Morato já recebeu 164 escolas e universidades e 50 mil visitantes. Desenvolve ali o Programa de Estagiários, para capacitar estudantes para o meio ambiente, em administração, manejo e conservação de áreas protegidas. 

Num país rico em biodiversidade como o Brasil, onde as ações ambientalistas ainda não mobilizaram a sociedade como um todo, as poucas ações nesse sentido, num momento em que já passamos a discutir o ar que respiramos, são essenciais, ainda mais se pensarmos no que deixaremos para os nossos filhos.

Miguel Krigsner, presidente e fundador de O Boticário já começou a sua campanha:  “A Fundação O Boticário transformou em realidade os ideais de respeito à natureza, bem como a visão de que preservar o meio ambiente para as futuras gerações é fundamental.”