A segunda edição da in-cosmetics trouxe ao país mais do que números – 60% mais expositores, com 65% de expositores vindos de outros países, 90% deles top do ranking e 65% a mais de visitação do que a esperada, além de maior participação de empresas latino-americanas – trouxe sobretudo, ferramentas para o mercado brasileiro de cosméticos enfrentar a crise que se abate sobre ele, com inovações, novos ativos, muitos produtos naturais e sustentáveis que substituem parcial ou totalmente algumas substâncias em formulações químicas. Trouxe enfim evolução para as empresas que querem aproveitar as oportunidades que as crises sempre oferecem.
Lá estiveram as agências de pesquisa de mercado Euromonitor e Mintel com dados de mercado, apontando caminhos. Estiveram presentes também diversas empresas de matérias –primas em palestras, discorrendo sobre novas tecnologias em concorridas 40 horas de encontros educacionais. Os que puderam aproveitar estas informações, provavelmente têm agora em mente muitas novas idéias.

Nunca foi tão propício ouvir e conhecer. A Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumes e Cosméticos – presente na abertura do evento, revelou que, no primeiro semestre do ano, o setor teve uma retração de 5%, a primeira em 23 anos, diante de alguns fatores essencialmente político-econômicos , como o decreto em maio que elevou a carga tributária de atacadistas e prejudicou o setor como um todo elevando os preços dos cosméticos ao público final em cerca de 10%. Houve ainda a da elevação do dólar para mais de R$ 4, conseqüentemente prejudicando as exportações do setor, além da inflação a patamares mais altos e da crise política, com trocas de ministros chaves para o setor. Tudo isso trazendo conseqüências não esperadas, como o aumento das alíquotas de ICMS em 10 estados brasileiros – de 5 a até 35%.

Entretanto, como em outras crises o setor sobreviveu e cresceu , o presidente da Abihpec , João Carlos Basílio da Silva, salientou: “vamos passar por turbulências, mas o consumo de R$ 100 bilhões que tivemos em 2014, não vai virar pó. Há saída para empresas que tenham boa estratégia, visão e busquem a inovação.”

De acordo com ele, empresas de grande porte fecharam bem o semestre e até em acelerada expansão. “Assim inovar é a melhor maneira de superar este momento. O mercado é sem dúvida nenhuma receptivo,” declarou.

Uma das coisas que os organizadores acertaram em cheio foi trazer Belinda Carli, diretora do Institute of Personal Care Science, especializado em educação em cosméticos à distância e on-line, para apontar as inovações mais interessantes da feira. E é sobre elas que vamos falar a seguir.

Um dos produtos destacados por Carli foi Beracare BBA, um clareador natural para os cuidados com a pele. O produto apresenta certificação orgânica, total rastreabilidade, tem eficácia comprovada com avaliação da melanina ex vivo com exposição ao UV. O BBA pode oferecer efeito clareador comparável ao do alfa-arbutin (sintético) e, ao mesmo tempo, promove emoliência, hidratação e benefícios anti-idade.

Outro destaque foi um produto da Lucas Meyer, o SWT7, que, de acordo com Magali Borel, Product Manager, responsável pelo seu desenvolvimento, traz inovação a partir de seu conceito: medicina regenerativa para o tecido da pele com cultivo de Keracynocyte profilereatior (células da epiderme). É produzido com folhas de Indian Gentian  e folhas extremamente puras da flor Swertia Chirata do Himalaia (foto em destaque) , conhecida pela medicina ayurvética. Magali explica que dentro da pele adiposa há uma célula mãe derivada da adipose capaz de produzir fatores de crescimento que vão estimular a divisão dos queratinócitos, através da comunicação celular. Em cosméticos o SWT7, estimula as células adiposas a produzir mais fatores de crescimento, que vão aumentar a proliferação dos queracinócitos, que vão regenerar a pele e manter sua espessura. “Vem daí o conceito de regeneração, de alisar focos de rugas verticais.” Outra inovação apontada por Magali é que o SWT7 vem na forma Lipofílica e Hidrofílica, ou seja, permite sua utilização em todo tipo de fórmula – oleosas (cremes anti-idade, batons) na forma hidrofílica.

Da Kobo, empresa americana de matérias-primas para a indústria cosmética, com filiais na França e no Japão e escritório no Brasil trouxe para a in-cosmetics o Sun Boost ATB™ uma mistura patenteada de agentes antioxidantes, anti-irritantes e anti-inflamatórios cuja peculiaridade é promover um aumento no grau do FPS e do UVA , em mais de 30% quando usado em filtros solares, em combinação com filtros UV orgânicos e / ou inorgânicos. O produto permite transparência na textura e redução na concentração de filtros. O SunBoost ATB ™ também tem uma versão natural, SunBoost ATB ™ Natural, certificada pelo Ecocert. Quando usado em filtros inorgânicos o produto promove um aumento  de 58% no FPS e de 43% no UVA. Com o aumento da eficácia, torna-se possível uma redução na concentração dos filtros UV na formulação. Além disso, seus componentes, Óleo de Argan, Tocoferol e Bisabol, promovem efeito rejuvenescedor, anti-inflamatório e anti-oxidante, uma opção bastante interessante para produtos BB e CC, que podem oferecer ainda alta proteção solar sem que o produto fique pesado na pele.

E a Tri-K, empresa americana comprada pela indiana Galaxy e representada no Brasil pela Cosmotec, trouxe para o mercado brasileiro o Fision Hydrate, um ativo de hidratação intensa, imediata e duradoura em que mesmo após três dias sem o uso do produto com o componente, a pele permanece hidratada. Com alto poder de penetração, tem em sua composição Sódio PCA, Aminoácido do Trigo, Panthenol, Glicerina, Hialuronato de Sódio e Hidroxiproline. A combinação de seus ativos tem a melhor razão de ingredientes ativos para o benefício da hidratação constante e prolongada com base em estudos in vivo. Além disso, houve uma redução em TEWL em comparação com o placebo, mostrando o aumento da função de barreira. A Tri-K também outro produto apontado por Belinda Carli , que é o Baobab Tein NPNF™ , uma proteína do Baobá multifuncional para os cuidados com o cabelo e da pele, cuja finalidade é cuidar dos sinais de envelhecimento. Este produto repara os danos, aumenta a força, protege contra os danos de UV, umedece o cabelo seco e alimenta os fios da raiz até a ponta. Como anti-idade tem efeito reparador.

E da Solabia uma novidade contra o acúmulo de partículas de carbono sobre a pele, ou alterações na regulação da hidratação e integridade da pele de maneira geral, com Solarshield®, um ingrediente ativo em 3D com propriedades físicas e biológicas, incluindo atividades interativas e antipoluição. Atua contra a perda de radiância, contra os primeiros sinais de inflamação, como formigamento e vermelhidão, provocados pelos radicais livres e o consequente envelhecimento da pele ou pele sensível e reativa.

Seu ingrediente ativo é o Glycofilm®, um polissacarideo aniônico obtido por fermentação, preparado por biotecnologia usando substratos vegetais. Solarshield® apresenta ainda em sua composição, água desmineralizada, glicerina, propanediol de origem vegetal, alginado de cálcio, pigmentos perolizados (mica e dióxido de titânio), goma xantana, e ácido cítrico.

A Dow trouxe para o evento EcoSmooth™ Delight, que agrega maciez e hidratação para a pele do corpo e do rosto, com toque seco e aveludado, por mais tempo. É um hidratante potente, não pegajoso, testado in vitro e in vivo. E a empresa Quinoa Brasil, de Guarulhos, SP que adaptou ao solo brasileiro e comercializa o Extrato de Quinoa, que apresenta excelente potencial para espumação e permite cosméticos mais verdes, diminuindo ou eliminando o lauril eter sulfato de sódio e também é emoliente/hidratante.

Nessa in-cosmetics foi lançado no evento o Prêmio Itehpec de Inovação que visa reconhecer as empresas fabricantes de ingredientes que tem contribuído com o aumento da competitividade da indústria brasileira de HPPC, por meio da implementação de projetos inovadores. E a BASF recebeu o prêmio da categoria ‘Ouro’ pela biotecnologia empregada na obtenção do primeiro surfactante derivado de óleo de microalgas do mundo, desenvolvido em parceria com a Solazyme.

O segundo lugar, categoria ‘Prata’ ficou com a Chemyunion, pelo produto Emulfeel SSC Plus, um sistema emulsionante tecnológico. O ingrediente facilita o desenvolvimento de emulsões e possibilita também a redução de componentes da formulação com aumento da performance sensorial e estabilidade. “ Estamos muito felizes porque somos uma empresa brasileira concorrendo com empresas de todo o mundo.
 Para conquistarmos um prêmio como esse, investimos 8,5% da nossa receita em inovação, um percentual raramente utilizado pelas empresas que investem em inovação para matérias-primas. 
Nosso grande diferencial é a sensorialidade e o minimalismo.” – afirma Cristiane Pacheco – diretora científica da Chemyunion.

Muitos outros produtos e empresas apresentaram suas mais recentes tecnologias na in-cosmetics. Inovações e soluções em formulações realmente interessantes de se conhecer. Vejam a página da feira e seus expositores para conhecer as outras empresas presentes ao evento, juntamente com seus mais recentes lançamentos.

www.in-cosmeticsbrasil.com