Para 2018 a Chefe de Pesquisa de Estilo de Vida do provedor global independente de pesquisa estratégica de mercado Eurmononitor, Alison Angus, desenha um painel de comportamento baseado principalmente em países desenvolvidos, que já praticam a rejeição ao consumo exacerbado e demonstram desconfiança em relação à marcas e empresas, considerando uma economia global mais forte e grande acessibilidade à tecnologia e à internet, gatilhos na formatação dessas mudanças.

“Os consumidores mais jovens estão escolhendo uma vida limpa, visando reduzir o dano a si mesmos, aos outros e ao mundo à sua volta”, diz Alison. “Os consumidores de todas as idades querem e precisam de menos. A propriedade está em questão, e a vida flexível e minimalista está ganhando popularidade, com os consumidores compartilhando tudo, desde roupas, itens domésticos e animais de estimação até carros e espaços de vida. Rejeitar o compromisso também se desempenha no local de trabalho, já que os consumidores dizem não às empresas e escolhem estilos de vida empresariais na estrada. A desconfiança no negócio continua a aumentar. Falar sobre sustentabilidade e responsabilidade social já não é suficiente e, em 2018, os consumidores buscarão uma transparência mais radical das marcas”, conclui.

De acordo com ela a internet, especialmente, aumentou a conscientização sobre questões globais, inspirando consumidores a ter maior responsabilidade social, escolhendo vida limpa visando reduzir o dano a si mesmos, aos outros e ao mundo à sua volta.

“O desejo de singularidade e verdadeira autenticidade é que leva a personalização para um novo nível, com os consumidores se tornando os criadores em 2018, alimentando o design de produtos e se envolvendo no processo de produção.” A demanda pela verdade, diz a pesquisadora, também está contribuindo para o aumento dos ativistas modernos. “Em 2017, o aumento global das campanhas “#MeToo” sobre assédio sexual desencadeou uma cultura mais profunda, que aumentará em 2018, à medida que o apoio se espalhar por muitas causas globais; o onecore da Internet desempenhará um papel fundamental.”

Em geral, resume Alison, “em 2018 os consumidores devem continuar a questionar seus valores, prioridades e decisões de compra; aprofundando o seu engajamento nas marcas e questões que lhes são atribuídas.”

Assim, estão definidas as 10 maiores tendências Globais para 2018 apontadas pela agência de pesquisa de mercado Euromonitor:

Clean Lifers (Vida Limpa): Consumidores estão adotando um estilo de vida “clean” e mais minimalista, no qual moderação e integridade são palavras chaves. A chama geração “straight edge” é relevante entre aqueles entre 20 e 29 anos, que tiveram acesso à educação superior e que cresceram em meio a fortes recessões econômicas, terrorismo e turbulências políticas. Essa geração adotou uma visão de mundo mais ampla que as gerações anteriores.

The Borrower (Os Inquilinos): Uma nova geração preocupada com a comunidade que prefere o aluguel e as assinaturas está reformulando a economia, fazendo do consumo ostentoso uma coisa do passado. A rejeição dos materiais em prol das experiências e um estilo de vida mais livre, que vem caracterizando os hábitos de compras dos Millennials nos últimos anos, é uma tendência que continua a se desenvolver e se espalhar pelo mundo.

Call Out Culture (A Cultura da Reinvindicação): Seja colocando suas reclamações no Twitter, espalhando mensagens virais pelas redes sociais ou participando de petições online, consumidores estão dando voz às suas opiniões. O “ativismo hashtag”, embora não seja tão novo, vem ganhando força à medida que as pessoas tenham acesso à internet e redes sociais.

It’s in the DNA – I’m so Special (Está No Meu DNA): A crescente curiosidade das pessoas sobre sua composição genética – que os fazem tão especiais – e a busca por personalização dos produtos/serviços de saúde e beleza estão alimentando a demanda por kits de DNA domésticos. Os consumidores alvos vão desde aquele que “se preocupam com seu bem-estar” até aqueles que buscam entender suas origens e os fanáticos por nutrição e vida fitnesss.

Adaptive Entrepreneurs (Empreendedores Adaptativos): estão buscando mais flexibilidade e estão preparados para assumir riscos. Os Millennials particularmente possuem uma natureza empreendedora, deixando de lado a rotina “ das 9 às 17h” e buscando uma carreira que ofereça mais liberdade.

View in My Roomers (Veja No Meu Quarto): Em 2018, a percepção e realidade se conectam, mesclando imagens digitais com o espaço físico. Consumidores poderão visualizar os produtos antes de compra-los, seja nas lojas físicas ou pelo e-commerce. A sofisticação dos celulares em 2017 abriu portas para mais funcionalidades, envolvendo a tecnologia de Realidade Aumentada.

Sleuthy Shoppers (Consumidores Detetives): Com uma maior agitação política em 2017, a crise de confiança dos consumidores está aumentando e gerando maior envolvimento emocional e ações dos consumidores. Eles continuam céticos aos produtos produzidos em massa e às motivações das empresas que produzem esses produtos. Cansados de ouvir retóricas vazias e palavras tranquilizadoras, eles buscam conhecer os detalhes sobre a produção e distribuição dos itens.

Co-Living (Co-Habitação): A tendência de co-living floresceu entre os Millennials e entre os consumidores acima dos 65 anos. É uma maneira de se viver onde as pessoas dividem uma habitação e compartilham os mesmos interesses e valores. Essa tendência nasceu dos centros urbanos que abraçaram a economia compartilhada como um estilo de vida.

I-Designers (Designers Digitais): O desejo de alcançar a verdadeira autenticidade está impulsionando a personalização a um outro nível em 2018, transformando os consumidores em criadores, permitindo que eles participem do processo de design e produção dos produtos.

The Survivors (Os Sobreviventes): Dez anos após a crise de crédito, que anunciou o início da Grande Recessão, a mentalidade frugal dos consumidores permanece inalterada. Apesar das economias terem melhorado, com aumento da renda e queda do desemprego, a disparidade entre o risco e o pobre muito visível. Aqueles que se encontram presos entre os baixos salários/escassos benefícios governamentais e os altos custos de vida continuam lutando para lidar com a austeridade.