O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de cosméticos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão. O crescimento desse mercado, tem atraído milhares de fabricantes de cosméticos, que nem sempre dão conta da cada vez mais exigente e ávida demanda do consumidor nacional – ou da corrida pela concorrência. Assim, terceirizar muitas vezes é um recurso prático e disponível, não só para as empresas iniciantes como também para as grandes empresas.

Seja para ganhar eficiência ou elevar a produtividade, os contratos de prestação de serviços colaboram para a capacidade competitiva, privilegiam o aprimoramento técnico e o intercâmbio de tecnologias, além de serem essenciais para a formação de redes de produção locais, regionais, nacionais e globais, considerando-se que a estrutura produtiva mundial está cada vez mais interconectada.

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, revelou que em 2016, diante do cenário de crise econômica e perda de competitividade, a redução de custos de produção ganhou importância – e esse é o primeiro ponto a ser considerado na terceirização por parte das empresas. Em segundo lugar de acordo com a pesquisa, está o ganho de tempo, assinalado por 85,9% da indústria em geral. Em seguida, o aumento da qualidade do serviço foi considerado como um resultado importante para 83,4% da indústria e de transformação, a qual pertence a indústria cosmética (82,7%).

“Atualmente é possível terceirizar tudo, pois este mercado vem evoluindo cada vez mais. A Natura costuma terceirizar somente a execução”, diz Angela Pinhati, diretora industrial da Natura.

A indústria cosmética brasileira tem na terceirização um grande aliado e, ainda que com dificuldades, este é um mercado próspero. Por isso tem atraído nos últimos anos alguns produtores internacionais, buscando uma fatia desse bolo. Na esteira dessa nova perspectiva chegam novas tecnologias, processos, bons produtos e muito profissionalismo.

Fiabila2

Produção da Fiabila

A produção do esmalte oferecida no Brasil, por exemplo, é quase toda local. Alguns dos principais players têm suas próprias instalações de produção, outros se voltam principalmente para os fabricantes terceirizados. “As atuais condições de fabricação desses produtos, do ponto de vista qualitativo e regulatório, não atendem aos requisitos que estamos acostumados na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo,” diz Alexandre Miasnik, Diretor Geral da Fiabila, empresa francesa há 40 anos no mercado, produtora de esmaltes e produtos de cuidados com as unhas, que está se instalando no Brasil, com uma moderna fábrica em São Paulo, que ocupa mais de 7500 m2.

“Estamos constantemente desenvolvendo produtos inovadores e criando novas cores e efeitos e prontos para executar os processos de mistura de cor e de envasamento, com 2 linhas totalmente automatizadas, que evoluirão para pelo menos 7 linhas”, conta. Nas próximas semanas a Fialiba brasileira estará fabricando bases tixotrópicas localmente, com técnicas extremamente modernas, seguindo o modelo utilizado na França e nos EUA. “Isto nos permite oferecer ao mercado o serviço e a flexibilidade resultantes de uma presença local, com os mesmos produtos, no nível de qualidade com que se produz na França

Os principais fabricantes que atuam no Brasil são: Age do Brasil; Colepe; Fareva; Lange Cosméticos; Lipson e Universal Química.

A Age do Brasil vai inaugurar sua terceira planta até maio. Com ela a capacidade de produção da empresa , será ampliada para 10 milhões de peças por mês. “Nossa meta é duplicar esse volume em um ano”, diz Guilherme Jacob, diretor presidente da empresa, que produz produtos cosméticos, de higiene pessoal, maquiagem e perfumaria para marcas nacionais e internacionais. “Temos certificações de padrão global em qualidade e no respeito socioambiental, além disso grande flexibilidade produtiva, logística, fiscal e com o comércio exterior,” ressalta.

Ela conta que 100% das produções da empresa são desenvolvidas pelos próprios clientes e elenca seus serviços: engenharias de produção, aquisição de insumos, etapas de fabricação e de controle da qualidade, que seguem rigorosamente a legislação vigente e os requisitos exigidos pelos clientes.

NobileBatons da Nobile

Nobile Cosméticos desenvolve, fabrica e envasa Maquiagem, Perfumes, Produtos de cuidados pessoais e cosméticos. Tem capacidade de fabricação de até 4.000.000 de itens variados por mês.” nós temos a fábrica e os clientes a comercialização”,  diz Amauri Albiero, gerente comercial da empresa.

A Faber-Castell tem sites de produção na Alemanha e no Brasil e exporta para mais de 13 países. A empresa presta serviços de terceirização para as maiores empresas globais e nacionais atendendo as demandas para linhas de maquilagem olhos, lábios, rosto e tratamento de unhas. Desenvolve sistema modular de formulações, embalagens e acessórios, com personalização de acordo com a demanda das marcas de seus clientes e para diversos tipos de aplicações. Seu portfólio inclui tecnologias para lápis madeira slim e jumbo, máscara para cílios, líquidos, chubbys, lapiseiras retráteis e apontadores. “O desafio está em acompanhar as novas tecnologias e tendências com a agilidade demandada por um mercado em ascensão, mesmo em tempos de crise econômica” , lembra Ivonne Ascher, diretora de vendas Brasil e Latam.

“É muito comum que as empresas usem serviços terceirizados para aquilo que não compõe suas atividades “core”, explica Angela Pinhati, da Natura. “Na produção, geralmente utilizamos parceiros externos quando estes possuem mais expertise do que a Natura em determinada tecnologia de manufatura ou quando falta capacidade produtiva interna na empresa e não há tempo hábil para a capacitação.”

Nos últimos anos, a Natura investiu em Cajamar (SP) e na fábrica de sabonetes no Pará, o que possibilitou internalizar muitos itens que antes eram terceirizados. “Atualmente, temos um baixo volume de produção terceirizada, geralmente itens com baixa demanda,” diz Pinhati, lembrando que a escolha pela Natura de uma empresa terceirizada passa por um rigoroso processo de auditoria de aspectos legais, de segurança do trabalho, meio ambiente, qualidade e planejamento.

Vantagens e Dificuldades da Terceirização

“Depende muito do momento”, diz Pinhati. “Como possíveis vantagens há a possibilidade de acelerar um lançamento, quando o terceiro já tem a tecnologia “instalada”, e, em outros casos, custos mais competitivos. A principal dificuldade é garantir a velocidade para atender as variações de vendas,” ela avalia.

O relatório da pesquisa da CNI assinala que para 67,6% da indústria, a insegurança jurídica / possíveis passivos trabalhistas é a maior dificuldade enfrentada por aqueles que contratam serviços terceirizados. Nos setores da indústria da transformação, esse percentual chega a 60,9% no setor de Limpeza e Perfumaria. Por sua vez, o uso de novas tecnologias de produção ou gestão foi considerado como resultado importante para 71% da indústria em geral que se utiliza dos serviços de terceirização. O principal motivo para se terceirizar é a redução de custos: 88,9% das empresas afirmam que contratam serviços terceirizados com esse fim.

“Na Europa e em um número crescente de países e regiões, a regulamentação está se tornando extremamente rigorosa. Mesmo no Brasil, a Anvisa está agora estabelecendo um modelo inspirado em grande parte no que temos na UE. Ainda assim, as expectativas dos consumidores em termos de inovação, desempenho e criatividade são muito altas,” diz Alexandre Miasnik da Fiabila. “O desafio hoje é satisfazer essa demanda respeitando as regras aplicáveis e mantendo preços acessíveis. É isso que a Fiabila está empenhada em fazer”.

De acordo com Ivonne Ascher, da Faber-Castell, as vantagens da terceirização ficam evidentes na distribuição das tarefas. O departamento de Pesquisa e Desenvolvimento está à frente do desenvolvimento de fórmulas e produtos, e a indústria suporta as novas tecnologias de fabricação e fornecimento de produtos no sistema full servisse. “Isso deixa nossos clientes livres para focarem na sua estratégia de marketing e comercialização”, diz a diretora de vendas.