Para buscar novas soluções para o varejo de beleza em tempos de crise, a Beauty Fair promoveu o Fórum Beauty Fair Pós NRF 2016, em que apresentou uma pesquisa inédita da Nielsen sobre e-commerce e comportamento do consumidor e contou com palestras sobre tendências do varejo mundial e a participação de 500 representantes de perfumarias.

“Os consumidores estão cada vez mais antenados, por isso, mais que produtos e serviços, devemos criar soluções”, destacou Cesar Tsukuda, diretor superintendente da Beauty Fair ao enfatizar que o Fórum apresentou as tendências mundiais com olhar para a área da beleza, em específico para perfumarias.

Entre os temas discutidos, anotamos aqui algumas percepções:

Globalização
Entre suas vantagens está o ganho em escala e, nas desvantagens, o alto nível de complexidade. De acordo com o relatório Global Powers of Retailing 2016, estão presentes no país 33 das 250 maiores empresas de varejo, incluindo as cinco maiores: Amazon.com, Carrefour, Casino, CVS Pharmacy e Walmart.

Millennials
São consumidores que nasceram e cresceram na era digital. Pensam diferente dos demais e estão influenciando o multiculturalismo. Tem no máximo 35 anos e provocam nos varejistas a necessidade de se readequar para atender este novo consumidor, pois são imediatistas e conectados o tempo todo, têm grande presença nas mídias sociais.

Eficiência e Produtividade
O Brasil apresenta pouca disciplina, quebrando processos, diferente da cultura americana. O varejista brasileiro precisa perder o medo de cortar custos, fazer mudanças e deve apostar em estratégias que o prepare para se tornar competitivo quando a economia estiver em um momento mais favorável.

Internet das Coisas – Os smartphones deixaram de ser a única maneira de interagir com o ambiente digital de forma móvel. Hoje já são inúmeros objetos que permitem conexão. As empresas investem em novos meios eletrônicos que cada vez mais “mimam” seus usuários e auxiliam no crescimento das vendas online.

Repensar Loja Física
Mesmo que muitos consumidores utilizem a internet para pesquisar e a loja física para comprar e vice-versa, a função tende a ser alterada, impactando até mesmo o tamanho das lojas, principalmente se a empresa puder garantir ao cliente a quantidade e a variedade de que ele precisa on-line. Dadas as circunstâncias, é preciso que a loja se integre ao universo on-line e até repasse a esse ambiente algumas das funções que hoje são do ponto de venda.

Big Data
Mais importante do que ter milhares de dados, é ter como interpretar essa enxurrada de informações e traduzi-las para o dia a dia do negócio. Com isso, é possível melhorar os processos de trabalho; avaliar o comportamento do consumidor, oferecendo aquilo que precisa e deseja; tomar decisões e até mesmo se antecipar em relação à concorrência. Um dos maiores benefícios de ações como essas é poder construir uma inteligência a partir do monitoramento desses dados.

Pesquisa Nielsen

Estudos da Nielsen do Brasil sobre o varejo no país mostraram que há um ressurgimento do modelo de entregas em domicílio, com uma inovação: consumidores não estão apenas pegando o telefone para fazer pedidos: eles estão consultando a página web do varejista ou usando seu aplicativo móvel. A empresa eMarketer projeta que as vendas no varejo on line mais que duplicarão entre 2015 e 2019 e representarão mais de 12% das vendas globais até 2019.

“O crescimento das vendas de produtos de consumo de massa online tem sido impulsionado pelo amadurecimento do público digital. Esses consumidores têm um grande entusiasmo por tecnologia – comprar online é um comportamento profundamente enraizado. Fatores como praticidade, sortimento dos produtos, tomada de decisão informada, procura de ofertas e funções online úteis motivam a compra na internet”, destacou Bruna Fallani, da Nielsen do Brasil.

De acordo com ela, apesar das compras online terem uma série de benefícios, as lojas físicas também têm vantagens inegáveis, como: satisfazer as necessidades imediatas de compras sem pagar as despesas de envio, experiências sensoriais como cheiro do perfume e textura e cores de produtos, além do poder da interação humana e a emoção da descoberta não planejada que as lojas físicas podem oferecer.

“No cenário atual, é necessário equilibrar duas agendas. A primeira, de curto prazo, exige responsabilidade dos custos, investimentos e caixa, pois nada adianta recorrer a este recurso, se quando sairmos da crise estivermos enfraquecidos. E a segunda. de médio e longo prazo, olhando para as marcas, lojas, o consumidor, internet, entre outros aspectos. As duas agendas devem estar em equilíbrio”, pontuou Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).