A indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos obteve alta de 1,5% entre janeiro e julho de 2019, em comparação com o resultado registrado no mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) durante a feira in-cosmetics Latin America, que ocorre em São Paulo, entre os dias 18 e 19 de setembro.

Embora o resultado referente ao faturamento em vendas tenha crescido, o volume de produção retraiu 10,9%, com um total de 1,2 mil toneladas de itens produzidos nas categorias de higiene pessoal, cosméticos, perfumaria e tissue.

De acordo com o presidente-executivo da associação, João Carlos Basilio, os resultados dos sete primeiros meses do ano seguem o mesmo patamar de 2018 e ainda refletem os inúmeros desafios que o setor vem enfrentando desde 2014, em decorrência da crise econômica do país.

“Os números não são efeitos apenas das dificuldades econômicas, mas também de um período de aumento brutal de da carga tributária que impactou de maneira expressiva os resultados da indústria,” aponta Basílio da Silva. Em 2015 o governo federal aumentou em 15% no IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – nas distribuidoras. “É um imposto sobre as distribuidoras, que não industrializam absolutamente nada e que impactou principalmente a indústria de cosméticos. “Um equívoco e uma precipitação do governo federal, que não resultou em aumento da arrecadação, pelo contrário, trouxe recessão”, acrescentou lembrando que o setor está acionando o governo judicialmente desde então.

“A indústria de HPPC vem reagindo com esforço contínuo de toda a cadeia de valor para superar barreiras. Ainda assim, não somos resilientes a preços e à diminuição do consumo. Hoje temos 14 milhões de pessoas desempregadas. Sem emprego, as pessoas deixam de comprar produtos que são essenciais para a prevenção de doenças e a manutenção da saúde e do bem-estar”, explicou Basilio.

Números

De Janeiro a Julho de 2019 o setor de cosméticos obteve um faturamento de R$ 30.400 bilhões, um crescimento nominal (sem considerar a inflação) de 5,3%, em relação a 2018, com Higiene Pessoal com crescimento de 8,8%, cosméticos 0,5%, Perfumaria 0,6% e Tissues 7,2% em valores atingidos até Julho. Em volume, lembrou o presidente da Abihpec, “os números não são nada empolgantes”. Os primeiros 7 meses do ano, comparados aos de 2018, tiveram uma queda em volume de 10,9%, sendo que higiene pessoal a queda é de 19,3%, cosméticos é de 0,6% em Perfumaria a queda é de 8,5% e em Tissues houve um crescimento de 2,8%. Deflacionado nesses 7 meses de 2019, houve um crescimento real de 1,5% .

Para o restante do ano as expectativas seguem positivas, com um provável estímulo das vendas gerado pelo Natal e o acesso dos consumidores a benefícios como dissídio, 13º salário e saques do FGTS. Segundo o presidente-executivo da ABIHPEC, o segundo semestre representa aproximadamente 60% das vendas do setor.

Um indicador de que o setor de cosméticos inova, ainda que diante dos desafios da economia brasileira, está no montante de produtos lançados em 2018. Segundo a Mintel, foram lançados 7.481 itens ao longo do ano, o que coloca a indústria de HPPC brasileira como a 3º mais inovadora do mundo, atrás apenas de China e EUA.
Inteligência de mercado

Os números divulgados durante a in-cosmetics, compõem a plataforma de inteligência de mercado “Painel de Dados de Mercado ABIHPEC”, que hoje já atinge uma representatividade de 80% do setor com as empresas participantes.

“Essa plataforma acompanha os movimentos da indústria e antecipa o que acontecerá no varejo. São informações estratégicas para que as empresas possam direcionar seus negócios e ações de marketing com mais assertividade”, afirma Basilio.