
1 – O que representa a subscrição das ações para a aquisição desses 40% da beauty´in pela Brazil Pharma *? Essa subscrição foi feita através do BTG Pactual?
C A – Sim, a venda foi pelo o banco. Eles são investidores do negócio. Compraram 40% das ações da beauty´in, por R$ 40 milhões, sendo R$ 33 milhões à vista, que é uma parte do ativo de algumas marcas. A subscrição é um sistema de metas. Ao cumprirmos essas metas deveremos receber outros R$ 7 milhões até 2013. Então a somatória é de R$ 40 milhões.
A joint venture vai trazer ao País uma empresa incubadora de marcas de consumo e o banco BTG Pactual, através da Farmais, investirá na distribuição e divulgação de todos os produtos que fazem parte do portfólio da beauty’in®, hoje composto por beautydrink®, beautycandy® e beautybar®. O objetivo é tornar a beauty’in® uma marca mundial e referência em aliméticos® (vitaminas, alimentos e cosméticos).
2 - Como fica esse acordo em que a performance da empresa está envolvida?
C A – Temos que entregar um valor EBTIDA no final do ano que vem para recebemos o restante do valor. Essa meta de desempenho fui eu que estipulei, porque sei dos nossos planos e sei que podemos atingi-la, porque nós estabelecemos o planejamento.
3 - Você já tem uma ideia do que fazer – e por 10 anos - com tantas marcas de farmácias disponibilizadas para marcas próprias?
C A – Ainda não. Pode ser que eu venha desenvolver novas marcas para as bandeiras do grupo Brasil Farma. Vamos contribuir para a criação de produtos de consumo. Temos que gerar produtos, não necessariamente para farmácias, mas para supermercados. Atualmente a distribuição da beauty´in é feita 50% em farmácias e 20% em supermercados. Atualmente são 6000 pontos de venda e a expectativa é que este número pule para 30 mil pontos de venda. A participação na Apas (feira da Associação Paulista de Supermercados, que ocorreu entre 7 e 10 de maio) foi justamente para aumentar essa participação.
4 - Fale um pouco sobre de que forma e por que você saiu da atividade de dentista para empresária do setor cosmético?
C A – Eu já tinha cumprido meus objetivos como dentista e sempre quis trabalhar com o mercado de consumo. Sempre achei também que o mercado de produtos para os cabelos seria um mercado próspero e também o de produtos naturais e orgânicos. Entrei para o mercado de varejo, que assimilava algo de moda. Sempre me identifiquei com as tendências e elas sempre me trouxeram novos projetos.
5 – Quais foram seus principais projetos?
C A – Em 1986 lançamos a marca Phytoervas, de produtos para os cabelos sem sal e com ingredientes naturais. Doze anos depois, a marca foi vendida para Bristol Meyers, que à época era dona da Clairol (vendida em 2001 à Procter & Gamble) num momento em que as grandes marcas do exterior buscavam marcar presença no Brasil. Tínhamos à época 600 funcionários e uma planta de 12 mil metros quadrados. Depois veio a PH Arcangeli, uma importadora e distribuidora de marcas internacionais Premium e em 1992 a Phytá, uma loja/franquia de luxo para distribuir produtos importados. Esse meu envolvimento com moda resultou no Phytoervas Fashion, em que despontaram vários designers brasileiros; em 2006 desenvolvi a Éh Cosméticos, uma marca de produtos para os cabelos vendida em 2008 para a Hypermarcas. Em 2010 lançamos a beauty´in.
6 - A marca Éh foi criada para ser vendida? Quanto tempo demorou esse processo todo?
C A – Não, aconteceu sem querer mesmo. Um ano e meio depois de termos lançado a marca, a Hypermarcas quis comprar a Éh e eu vendi. Isso aconteceu no momento em que grupo fazia a consolidação de suas marcas.

beauty´in - embalagem premiada por inovação
7 – Como surgiu a beauty´in?
C A – A beauty´in é um novo conceito, novo mercado, nova categoria – de aliméticos®, que une vitaminas, alimentos e cosméticos. É um produto que agrega beleza e bem estar, que estabelece um novo hábito de consumo o da beleza de dentro para fora. Contém proteínas, como colágeno hidrolisado e minerais e não contém conservantes, gorduras nem açúcares.
Para a sua criação me inspirei na Ásia, especialmente no Japão, onde esse mercado é muito desenvolvido. Entretanto desenvolvemos no Brasil a tecnologia de envase a frio, que é uma tecnologia que só tem aqui. É um desenvolvimento nosso. Os produtos são todos 100% naturais, mas no processo comum, é necessário o aquecimento desse tipo de produto, e nele os produtos perdem as vitaminas. O conceito no Japão é parecido, mas não igual ao da gente. Nenhum produto da beauty´in perde essas vitaminas e nada é colocado artificialmente. É um cold fill. Ganhou já em 2010 prêmios internacionais: pela embalagem mais inovadora e o prêmio FISA, de produto alimentício mais inovador. E está concorrendo em junho a uma premiação na HBA de Nova York, o IPDA, que é novo - Personal Care Prestige
8 - Que tipo de produtos a Beauty´In oferece e, o que deverá trazer a mais para o mercado?
C A – São quatro linhas: beautydrink® (bebida com vitaminas e minerais); beautybar® (cereais em cubos com colágeno, vitaminas e antioxidantes); beautycandy® (balas à base de colágeno hidrolisado); e a grande novidade do portfólio, a beautydrink® bebida de preparo instantâneo, produzida com extrato de chá originário da planta Camellia sinensis. Vamos desenvolver muitos produtos novos, cosméticos inclusive.
Já estamos no Brasil inteiro em 22 estados. Em julho vamos lançar a marca na Inglaterra, na França e no Oriente Médio. Estamos fazendo um movimento muito rápido para uma marca de dois anos e foi a inovação dessa marca que trouxe isso. A idéia é tornar a beauty´in uma marca global.
9 – De onde vem este ímpeto para negócios? E também para marketing?
C A – Acho que vem de minha família. Todos são empresários. Meu pai tinha uma empresa de oleoduto. Todos têm um pouco essa veia, mas não estão na área de consumo. O marketing vem dessa facilidade esse nariz que eu tenho para identificar tendências - o que vem pela frente, o momento do que é para fazer. E depois, é a coragem de fazer o que tem que ser feito e ter confiança no seu taco.
* Brazil Pharma maior grupo farmacêutico de propriedade do Banco Pactual, com mais de 340 lojas localizadas em 150 municípios nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.