1 – Quantos são os filtros solares e como  são classificados ?

Classificamos os ativos, os filtros solares, em dois grandes grupos: o grupo dos filtros químicos e o grupo dos filtros físicos.

 

2 – Em que se baseia essa classificação?

Essa classificação se baseia em um mecanismo de ação, ou a maneira como esse filtro protege a pele do indivíduo, se ele tem a propriedade de absorver a radiação e transformar essa radiação solar, que é danosa à nossa pele, em uma radiação mais benéfica, menos agressiva. Se ele absorve e realiza essa ação, ele é considerado um filtro químico, por essas características. Já o filtro físico tem a propriedade de refletir. Então ele funciona como se fosse um anteparo físico à presença da radiação. Com base nestes dois mecanismos de ação você tem os grupos químicos de filtros físicos e filtros químicos e é basicamente esse o grande motivo e a explicação para a existência desses dois grupos.

 

3 – Alguns desses filtros químicos também podem combinar filtros refletores?

Existe atualmente, a indústria farmacêutica vem se desenvolvendo exatamente para melhorar a qualidade de fotoproteção desses ativos. Então um dos caminhos foi trazer moléculas que têm comportamento químico, ou seja, de absorção para um comportamento híbrido, chegando até às raias de uma reflexão. Então você tem por exemplo um Tinosorb M (BASF), que é um produto que vai ter uma propriedade – por ter micro partículas em sua estrutura – de desenvolver um mecanismo de tripla ação: absorve, reflete e de uma certa forma neutraliza aquela radiação, um anteparo, que chega na superfície cutânea.

 

4 – A sra está dizendo que elas se dividem?

Na verdade, ele é micro particulado. Isso é uma característica quase física, embora ele seja químico e aí ele acaba atuando como um híbrido, ou seja, da mesma maneira que ele reflete como um físico, ele também absorve como um químico. Então ele está no meio do caminho. É uma molécula diferenciada. Mais segura e de tecnologia de ponta.

5 – E quanto ao filtro Meroxyl? Ele tem essa propriedade?

Tem. Existe uma família de novos filtros, que estão dentro desse grupo, que a gente chama de ativos de última geração, que têm essa propriedade de ter esse mecanismo triplo de ação, aumentando inclusive o comprimento, que a gente chama ‘comprimento mínimo crítico’, que é a amplitude que ele tem para proteger esses indivíduos em relação à radiação ultra violeta – B e A . Essa geração de filtros novos, foi desenvolvida exatamente para atender a esse grupo de pessoas ou às novas circunstâncias ambientais. Ou seja, estamos mais expostos. A gente precisa de uma proteção mais eficiente e essa nova geração de filtros veio para isso.

 

6 – Essa nova geração de filtros inclui muito mais filtros para luz visível?

É, na verdade existe uma busca também, além da radiação ultra violeta que é consagrada, que é o temos estandardizados pelas agências de vigilância sanitária como a Anvisa por exemplo, a gente tem os chamados ‘Benefícios Adicionais’, que é você trazer algumas estruturas, ou alguns ativos para que estes filtros, para que eles tenham a possibilidade de proteger contra luz-visível e a radiação infra vermelha também, porque já existem trabalhos mostrando os malefícios desses dois tipos de radiação sobre a nossa pele e uma das características que se procura principalmente em relação à luz visível, que é uma luz que produz, ela tem uma afinidade muito grande pela melanina, então ela é muito responsável pelas manchas , é você ter o pigmento de barreira, porque esse pigmento engana a luz visível e faz com que ela não chegue até a melanina e com isso você não tem a produção da melanina, ou seja, do pigmento na pele e você acaba se protegendo, não desenvolvendo novas manchas.

 

7 – Isso quer dizer que alguns médicos possam recomendar filtros solares que tenham mais pigmentos?

Sim. A ideia é essa. Quando você está pretendendo proteger os pacientes da uma hiper pigmentação residual, por exposição à luz visível, é você colocar pigmentos dentro dessa formulação. É uma das maneiras que você tem de lidar com essa agressão. Quando você está se expondo ao sol e não tem um filtro solar que faça esse tipo de proteção, principalmente quando você está fazendo algum tipo de tratamento, você pode acabar ficando cada vez mais vulnerável à radiação, tanto solar visível quanto à radiação visível artificial, que a gente sabe que a luz visível não vem só do sol, ela vem do LED, que é a luz que a gente trabalha dentro do escritório, do computador… então a maneira de você lidar com isso para evitar manchas, é você colocar um pigmento, partículas que tenham pigmento, que façam esse tipo de proteção específica.

 

8 – E quanto aos autobronzeadores, que surgem aos poucos, mas não fazem muito sucesso – pelo menos aqui no Brasil, onde as pessoas gostam mesmo é de sol -, aplicá-los e depois de ganhar o tom bronzeado, aplicar um fotoprotetor de alto FPS, também seria uma maneira de proteger a pele?

Para pessoas que gostam de um bronzeamento, você precisa dar a elas uma fonte segura de bronzeamento, no caso esse auto bronzeamento, sem nenhum tipo de efeito deletério da radiação. Então é um caminho de você atender a uma necessidade, um tipo de mercado específico.

 

9 – Contanto que a pessoa use depois um fotoprotetor…

Sim… fotoprotetor sempre!