Halal é a tendência em certificação que vem do Oriente


A Indonésia, maior país muçulmano do globo, aprovou “silenciosamente” em Setembro de 2014 os novos regulamentos referentes aos produtos de higiene pessoal e cosméticos que, em breve, estarão em primeiro plano no cenário do mercado de beleza mundial. Este fato, de acordo com a analista da Factor-Kline, Elaine Gerchon, trará implicações para todas as multinacionais do setor de produtos de higiene pessoal e cosméticos, estejam elas na Indonésia ou não. Mas, especialmente para as empresas que já exportam para o Oriente, esta certificação será importante.




1 – O que significa “Halal”?

Podemos esclarecer que o termo “Halal” está para o Islã assim como “Kosher” está para o Judaísmo. “Halal” é uma palavra em árabe que significa “permitido”, “legal”, segundo a Shariah, a lei islâmica que rege as questões relativas aos alimentos e bebidas e demais assuntos relacionados aos costumes da vida diária dentro dos preceitos religiosos islâmicos.



2 – O que “Halal” tem a ver com produtos de beleza?

Quando se trata de cosméticos com certificação, o termo “Halal” está relacionado a produtos que não podem conter álcool e também quaisquer ingredientes derivados de animais que não sejam permitidos. A proibição se estende inclusive aos testes destes produtos em animais. Produtos proibidos incluem: ingredientes derivados de cães, porcos, insetos e repteis, assim como ingredientes derivados de animais que são abatidos fora das leis da Shariah.



3 – Que papel os produtos “Halal” tem no mercado de beleza hoje?

O segmento de produtos com certificação “Halal” em cosméticos e cuidados pessoais já é considerável em lugares como a Indonésia e o Oriente Médio, bem como um crescente nicho de mercado na Europa e em outras partes do mundo. Os produtos cosméticos e produtos de cuidados pessoais com certificação “Halal” são amplamente reconhecidos pela rigidez e observância da “Sharia” e são cada vez mais utilizados pelos muçulmanos e não-muçulmanos.



4 – O que você pode nos dizer sobre as novas regras na Indonésia?

A certificação de produtos “Halal” foi aprovada na Indonésia em Setembro de 2014 após uma década de deliberações por parte do governo que exige que todos os produtos de higiene pessoal, incluindo os cosméticos vendidos no país, tenham a certificação “Halal” até 2019. A lei abrange os ingredientes utilizados nos produtos, bem como especificações para as máquinas e equipamentos utilizados nos processos de fabricação (produção, embalagem e distribuição).



5 – Por que a Indonésia?

A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo, com mais de um quarto de milhão de pessoas e destas cerca de 90% são muçulmanos.  A Indonésia tem a maior parte da população muçulmana mundial quando comparada a qualquer outro país (maior do que a parcela de muçulmanos do Paquistão ou da Índia), no qual os conceitos e princípios islâmicos são amplamente seguidos pela maioria da população.

Globalmente, os muçulmanos constituem o segundo maior grupo religioso do mundo. A previsão é de que a população mundial muçulmana cresça duas vezes mais rápido do que a população não-muçulmana nos próximos 20 anos. Assim, estima-se que no ano 2030 os muçulmanos representem mais de um quarto da população mundial.



6 – Por que as empresas da indústria de beleza deveriam se preocupar com estas mudanças?


Espera-se que isso tenha implicações importantes para todas as multinacionais fornecedoras de produtos de cuidados pessoais, tanto na Indonésia como no exterior, pois o uso de matérias-primas para cosméticos sem a certificação “Halal” é por muitas vezes inevitável, uma vez que diversas multinacionais não fabricam produtos especificamente para a Indonésia.

A Indonésia está entre os 30 principais mercados para os produtos de beleza no mundo, e é um dos maiores e mais dinâmicos mercados na Ásia. Os comerciantes internacionais não podem se dar  ao luxo de sair do mercado ou ignorar esta lei. Para continuar a fazer negócios na Indonésia,  mudanças de processos assim como na certificação dos  protocolos serão uma condição para participar do jogo.

Da mesma forma, os produtos importados também devem ter a certificação, seja através de uma autoridade certificadora da Indonésia ou do país de origem do produto. O processo de verificação deve ser realizado por auditores muçulmanos e todas as taxas e custos adicionais para o controle e tratamento devem ser viabilizados pela empresa que produz o produto.



7- Como os mercados de beleza reagiram até agora?

As corporações multinacionais como a Colgate-Palmolive e a Avon estão entre as primeiras empresas a se adaptarem à certificação “Halal” e várias outras empresas estão se preparando para customizar suas ofertas para consumidores da Indonésia.  A L’Oréal abriu a sua maior fábrica no mundo na Indonésia.  Espera-se que os investimentos realizados pelas empresas multinacionais para se adaptarem às novas normas capacitem-nas para explorarem o conceito “Halal” não só na Indonésia mas em todo o mundo islâmico.