Robert Nunes é Gerente de TI do Grupo Boticário  e Estela Cunha Consultora Sr de Inovação em TI do Grupo. Eles são gerente e consultora do Botilabs, nova área do Grupo Boticário, ligada à área de Tecnologia, com foco em inovação e transformação digital através da tecnologia. Juntos eles apresentaram esta semana o novo projeto do Grupo: as prateleiras Inteligentes e aqui eles explicam melhor essa ideia.

 

1 – Como surgiu a ideia das Prateleiras Inteligentes?

A Smart Shelf surgiu a partir da distribuição do planograma – um plano de como os produtos vão ser apresentados nas lojas do Grupo, considerando as mudanças necessárias a cada 18 dias, quando novos ciclos de produtos transformam as lojas, ou elas são apenas remanejadas na apresentação deles. Note que são mais de 4 mil pontos de venda das marcas do grupo.

A ideia é garantir que o planograma definido pela empresa para as lojas chegue igual a esses pontos de venda e garantir que o produto está sendo apresentado como o enviado pelo planograma, em exposição e não no estoque.

Além disso com as Smart Shelfs é possível segmentar o planograma por regiões do país e que ele ser controlado pelo Grupo Boticário e pelas lojas. Como franqueadores conseguiríamos controlar para o franqueado e até conseguiríamos levar insumos para ele melhorar o planograma dele. O melhor é que com ele conseguiríamos tirar o trabalho operacional da vendedora, de ficar cuidando do estoque na prateleira. Com essa tecnologia conseguimos trazer agilidade, velocidade e eficiência operacional, já que hoje cada vez mais as nossas curadoras são especialistas de beleza e cada vez menos devem fazer o trabalho operacional.

 

2 – Qual a tecnologia(s) empregada para essa solução?

Por traz da Smart Shelf temos várias tecnologias envolvidas. Temos a Machine Learn, temos a Machine Vision, a Cognition Vision. Com a Machine Learn eu consigo fazer com que a minha máquina compreenda como é o produto, a sua forma e como ele deve estar na prateleira, a que horas, e se entram novos produtos ou se eles saem. A máquina aprende isso.

A parte de câmeras, é aonde eu tenho a Cognition Vision, uma tecnologia que garante que um produto seja reconhecido através de fotos, e diferenciados na gôndola.

Outra tecnologia é o block chain, que é a transferência de valores monetários com segurança.  Essa tecnologia entretanto, ainda não está implantada mas ela permitirá por exemplo que a empresa bonifique um franqueado em uma transação segura.

 

3 – Quando essas tecnologias deverão ser implantadas? Como será esse processo?

Foi apresentado à imprensa um piloto. São 8 semanas de desenvolvimento da nova tecnologia. Agora temos todo um trabalho de business cases porque temos tecnologias por exemplo, que utilizam câmeras de alto custo. Quando formos levar isso aos franqueados, sabemos que teremos que diminuir custos, a conta tem que fechar e a solução tem que se pagar. Nosso foco não é tecnologia por tecnologia. É preciso que ela leve valor agregado para o franqueado e para o consumidor final.

A empresa está nesse momento tirando fotos e ensinando a máquina (Machine Learn) todos os nossos SKUs. Depois vamos verificar quanto vai custar isso considerando o que ela já tem. Queremos colocar isso em um projeto piloto, ver quanto isso vai ter de valor para a empresa, quanto vamos conseguir monetizar com isso tudo, para depois conseguirmos escalar isso e colocar para a rede como um todo.

 

4 – Quem trabalhou nesse projeto?

Esse projeto foi feito com aproximadamente 30 pessoas: 10 pessoas do Grupo Boticário entre TI, Novos Negócios, Desenvolvedores e o Boti Labs. Tivemos 10 pessoas da SAP Labs, empresa  de software empresarial e 10 pessoas da Universidade.  Então foi um trabalho de co-criação. Agora temos que fazer o business case, fazer essa conta fechar, porque sabemos que há lojas do interior do país, cujo fluxo é muito menor e não vão precisar dessa tecnologia. Então precisamos definir quais praças terão essa tecnologia. Nosso time de inteligência esta trabalhando conosco do Boti Labs  para podermos fechar esse business case e podermos implantá-lo.

 

Estela Cunha

5 – Como e por que surgiu essa ideia?

Tudo começou com um convite que a SAP Labs fez ao Grupo Boticário, de trazer um desafio para um fórum deles chamado Inoweeks, que é parecido com uma competição. As empresas trazem desafios e é montado um time de negócios para resolvê-lo.

A SAP Labs, que tem sede em São Leopoldo RS já é parceira do Grupo Boticário. Já rodamos com a tecnologia deles em outras áreas da empresa. Entramos nesse desafio de negócio, porque eles nos disseram que havia uma possibilidade de participar dele trazendo pessoas para trabalhar e nos dizer o que a empresa quer solucionar com tecnologias disruptivas. Ou, mais precisamente, qual é a dor?

Dissemos então que gostaríamos de ter nossos estoques na ponta – estoque real, não só o estoque virtual, sem mudar o processo da loja. Super difícil, porque nós e o varejo todo vem trabalhando para dar essa visibilidade. Então juntamos o time de desenvolvedores do laboratório da SAP, nossos executivos, tanto de varejo, como de indústria e de campo, demanda, logística… Já conseguimos mover bastante dentro da empresa, até de áreas que não se falavam muito. E ainda juntamos os universitários, que são convidados pela SAP para desenvolver e oxigenar ideias. Uma das máximas da inovação é que quando estamos dentro do negócio, começamos a ser mais limitados na criação ou nas possibilidades. Os universitários são mais jovens e não tem o viés corporativo, suas ideias saem não só no core da ideia mas também na execução, nos pequenos detalhes, na criação do dashboard por exemplo,engajados no time assim como nossos desenvolvedores.

 

6 –  Já foi desenvolvido algo semelhante a essa tecnologia?

Não tem isso em lugar nenhum do mundo e todos os varejistas querem.

 

7 – Essa tecnologia será exclusiva do Grupo?

Isso ainda está em definição, porque hoje trabalhamos com co-criação. Isso é bom para nós, é bom para eles. Esse modelo de co-criação está sendo desenvolvido da mesma forma que o modelo de negócio, a cada passo.


8 – O que está definido?

Estamos negociando. É tudo uma questão de negociação. Ninguém sai perdendo quando é uma inovação aderente. Só precisamos encontrar um meio termo do que é necessário e útil para nós e o que é necessário e útil para o fornecedor, provedor da tecnologia.


9 – As 4000 lojas são um varejo e tanto…

E o legal é que é assim: Somos um negócio de beleza. Seremos um negócio de beleza. E a tecnologia está vindo para favorecer e melhorar a experiência com beleza.


10 – Como mostrar essa ideia aos franqueados

A nova tecnologia Smart Shelves foi apresentada a jornalistas em um evento de Transformação Digital da SAP, em São Paulo. Reconhecimento de imagem, Machine Learn em que se ensina a máquina a reconhecer os produtos, com determinada proporção, como a de um cartucho da linha Florata por exemplo. Cada cartucho novo que eu colocar lá ela já vai fazer esse reconhecimento. Então esse é um dos habilitadores. Tecnologia de Imagem, Tecnologia de Nuvem, ou seja, a base de dados que está sendo navegada. Hoje ela está sendo armazenada em uma nuvem da SAP.  Já era uma base de dados gigantesca. Agora foram adicionados dados como onde estão os produtos, quantas vezes eles foram levantados, em que prateleira que eles estavam, quanto tempo eles ficaram fora da prateleira antes de ela ser reabastecida. Isso gera uma base de dados enorme.

Hoje temos aqui essa solução. Não tem em loja ainda essa tecnologia. A ideia é que seja possível enviar informação relevante para o caixa, para a demanda, para a indústria, em São José dos Pinhais e informação relevante para o franqueado – quanto de estoque ele tem imobilizado. Quanto dinheiro ele tem imobilizado em estoque…

É captação de informação que pode ir para vários stake holders do processo. Para fazer parte do nosso ecossistema de lojas é preciso seguir algumas regras. Entre elas é ter o portfólio disponível para o consumidor. Então também damos ferramentas para que esse franqueado tenha uma gestão financeira saudável.