A empresa canadense  RepliCel, sediada em Vancouver, é especializada em terapia celular e indústria da medicina regenerativa que atua não apenas  sobre os sintomas, mas buscando curas reais. E a cura que está já em análise é através das células do próprio organismo que podem levar à regeneração tanto da perda de cabelos, como de tendões ou do colágeno na pele, tratando de rugas finas, de maneira segura, com as próprias células do organismo.

O cosméticos br realizou entrevista por email com o presidente e CEO da RepliCel, Lee Buckler, para saber até aonde a medicina regenerativa pode atuar na indústria de cosméticos e da beleza.

 

1 – Em poucas palavras, o que é Cell Therapy e em que áreas de reparo funciona?

A terapia celular está revolucionando o futuro da medicina com a idéia muito simples de que podemos capturar o poder das células para tratar, recuperar e curar condições que são insuficientemente abordadas com as opções de tratamento atuais. Já os produtos de terapia celular são aprovados por tratar certas condições da pele, feridas, necessidades estéticas, distúrbios genéticos e câncer. Além dos produtos já aprovados, existem terapias celulares em desenvolvimento clínico e testes para quase todas as condições ou enfermidades humanas.
2 – Como funciona?

Na raiz de cada condição, há um problema relacionado às células ligadas ao tecido, órgão ou função corporal degenerada, rompida ou doente. Conseqüentemente, é possível imaginar que a melhor maneira de tratar as pessoas seria usar células que tratam a perda de células ou a função celular relacionada à condição. Tratar diferentes tipos de condições requer diferentes tipos de células e usá-los de maneiras diferentes. Para tratar doenças neurológicas, isso pode exigir o uso de células neurais. Para o tratamento de distúrbios auto-imunes, o uso de células do sistema imunológico ou células capazes de reduzir a resposta imune. Para o reparo do tendão, trata-se de isolar, crescer e injetar células que produzem muito colágeno capaz de reconstruir tendões degenerados.
3 – Conte-nos sobre a sua mais recente tecnologia de terapia celular que pode evitar a perda de cabelo?

Para as pessoas com alopecia androgenética (o principal motivo para a perda de cabelo masculino), existe uma população de células no folículo piloso que é destruído por hormônios androgênicos. Na parte de trás da cabeça, essas mesmas células são imunes à condição o que explica por que as pessoas carecas ainda têm cabelo na parte de trás da cabeça. Nós isolamos e cultivamos mais dessas células encontradas na parte de trás da cabeça. Em seguida, injetamos essas células no topo da cabeça (afetadas pela alopecia) para relocalizar os folículos capilares com células capazes de crescer o cabelo, mas não afetadas pela condição.

4- Por que o mercado asiático tem uma das maiores demandas?

Existem certas populações que têm maior incidência de certas condições e certos mercados onde as pessoas gastam mais em certos tipos de condições ou procedimentos. Certas partes da Ásia são normalmente consideradas mercados em que há algumas das maiores despesas per capita com a perda de cabelo, procedimentos cosméticos, etc.
5 – O Brasil tem uma grande população e os homens brasileiros gostam de se cuidar, especialmente no que se refere a cabelos. A maioria tem medo de pensar na calvície. Então, aqui temos outra grande demanda. A questão é: quando essa tecnologia pode chegar ao país?

O tipo de terapias celulares que estamos desenvolvendo, que envolvem a fabricação de milhões de células de uma pequena amostra de tecido, geralmente requerem aprovação regulamentação antes de entrarem no mercado. Para isso, precisamos completar as três fases típicas dos ensaios clínicos. Acreditamos que nosso produto para o tratamento da calvície padrão (alopecia androgenética) pode ser lançado primeiro no Japão porque as regras lá permitem uma aprovação de mercado mais rápida do que em muitos outros países. Estamos trabalhando em uma estratégia para colocar o produto no mercado em outros países, o que também pode ser verdade, mas isso sempre envolverá um parceiro comercial já estabelecido no mercado. Quando conseguimos um parceiro comercial no Brasil, isso nos ajudará a trazer mais rápido o produto para o mercado daí.
6 – Como é o tratamento aplicável à pele usando as próprias células do paciente? Existe alguma possibilidade de aplicação nos produtos de beleza do dia a dia?

Descobrimos uma população de células no folículo piloso que não tem nada a ver com as fibras crescentes do cabelo, mas sim expressa proteína que constrói e mantém o tecido do folículo piloso. Uma das proteínas que essas células expressam mais é o colágeno do Tipo 1. O colágeno é uma proteína natural que é a chave para a pele firme, vital e flexível. O envelhecimento da pele, danos, flacidez e rugas são frequentemente relacionados à perda de colágeno sob a pele. Atualmente, usamos cirurgia ou enchimentos dérmicos para combater os efeitos do envelhecimento da pele, mas não abordamos permanentemente a perda de colágeno. Mesmo injeções de preenchimento com colágeno são apenas temporárias. Nossos dados clínicos recentes sugerem que, quando nossas células são injetadas, há um aumento significativo na produção de colágeno, que se espera desempenhar um papel importante na regeneração efetiva dessa camada rica em colágeno sob a pele, que a mantém com aspecto jovem, preenchida e sem rugas.
7 – Como a terapia celular também repara os danos causados pelo sol na pele?

A exposição da pele ao sol geralmente desencadeia uma perda de colágeno mais rápida e maior. É por isso que a injeção de células que desencadeiam a nova produção de colágeno combate o envelhecimento da pele, independentemente da causa.

8 – Como a terapia celular pode provar sua eficácia? Por quanto tempo pode ser visivelmente notada?

Estamos muito satisfeitos por ter anunciado recentemente dados bem sucedidos de ensaios clínicos humanos em fase 1 que demonstram efeitos positivos de nossas terapias celulares na reversão da perda de cabelo devido à alopecia androgenética, envelhecimento da pele e degeneração do tendão de Aquiles. No nosso teste de cabelo, medimos os resultados por 2 anos e alguns pacientes ainda apresentaram resultados mensuráveis positivos naquele momento. Para a pele e o tendão, apenas medimos os efeitos por 6 meses até agora. Futuros estudos clínicos e análises pós-mercado nos informarão quanto tempo esses efeitos positivos vão durar.

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