1 – Por que a Natura vai exportar para a América Latina através da Argentina, quando algumas empresas multinacionais escolhem o Brasil como país base para exportações para a região?

O novo centro de distribuição amplia a capacidade de operação e armazenamento, com ganho de produtividade. A inauguração não implica uma mudança na estratégia, pois já exportávamos parte da produção local da Argentina para os outros países da América Latina nos quais operamos. A base principal de exportação para os países da América Latina continua sendo o Brasil.

 

2 – O governo oferece algum subsídio para que a empresa permaneça ali depois das turbulências político-econômicas que o país enfrentou?

Não é uma questão de subsídios. O investimento na Argentina é uma decisão estratégica da empresa, com o objetivo de promover o crescimento sustentável dos negócios no país. A Argentina é a nossa maior operação fora do Brasil e somos a marca preferida do setor no país.

 

3 – Qual a capacidade do novo CD da empresa naquele país e para que países a Natura vai exportar dali?

O novo centro de distribuição tem uma capacidade de processamento de até 18 mil pedidos por dia e uma área total de 22 mil metros quadrados, o dobro do tamanho da estrutura anterior.

 

4 – Quais são os maiores importadores de produtos da Natura no mundo atualmente? A estratégia de exportações, principalmente para a América Latina, permanece?

Os maiores importadores de produtos da Natura são as nossas operações na América Latina (Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, México e Peru). Permanecemos com nossa estratégia de exportação para todos os países, com fabricação local de algumas categorias na Argentina, na Colômbia e no México.

 

5 – O modelo de loja Natura da França o sr diria que foi um sucesso? Quais as razões para a reestruturação?

Acabamos de desenhar um novo modelo de negócios para o mercado francês, com foco em três canais: loja própria, e-commerce e varejistas multimarcas. Com essa reestruturação, a operação de venda direta, que tem participação de apenas 2% no setor de cosméticos do país, será encerrada.
As mudanças na França foram iniciadas em fevereiro deste ano, quando inauguramos uma nova loja em Paris, no bairro Le Marais, com um projeto arquitetônico inédito, em substituição à unidade que tínhamos no bairro Saint-Germain des Près. No novo endereço, a loja fica aberta durante todos os dias da semana, incluindo sábado e domingo, em uma região bastante movimentada da cidade. O foco em canais mais aderentes ao mercado francês deve propiciar o crescimento sustentável da marca no país nos próximos anos.

 

6 – Qual o volume atual de exportações da marca Natura (sem Aesop) e quanto ele representa em termos financeiros para a empresa?

As exportações representaram mais de 25% da receita líquida da marca Natura nos nove primeiros meses deste ano. A maior parte dos produtos é exportada do Brasil e também há produção local por meio de parceiros na Argentina, na Colômbia e no México. Na Argentina, metade do que é vendido pela Natura já é fabricado localmente.
7 – Quanto representou a expansão da Aesop em alguns países – e no Brasil – para a Natura no último ano – e no último semestre?

Entre 2014 e 2015, a participação da Aesop na receita líquida consolidada da Natura passou de 4% para 5,5%. Nos primeiros nove meses de 2016, a receita líquida da Aesop no período representou 6,9% do total.

 

8 – Haverá mais lojas da marca no país em 2017? Ela seguirá com o plano de expansão em outros países? Quanto tempo leva em média para o custo-benefício desse movimento ser positivo e até significativo para a marca e para a empresa?

Continuaremos a ampliar o número de lojas da Aesop e ingressaremos em novos países. Chegamos ao fim de setembro com 169 lojas em 20 países. Isso significa que inauguramos 49 unidades e chegamos a dois novos mercados em um ano.

No Brasil, devemos ter mais algumas lojas. Ainda não temos um novo ponto fechado, por isso não fazemos projeções. Por enquanto, estamos colhendo bons resultados nas duas lojas, na rua Oscar Freire e na Vila Madalena, em São Paulo.

A Aesop se mostrou rapidamente um negócio bem sucedido, com rápido crescimento de receita e lucratividade. Além dos ganhos financeiros, as trocas de aprendizados são muito ricas. Aprendemos com a experiência deles de varejo e de atuação em mercados maduros, por exemplo.

 

9 – Tanto a Natura quanto a Aesop devem enfrentar grande concorrência no exterior – tanto de marcas com perfil igualmente natural, quanto de marcas não naturais mas globais. O sr diria que o modelo natural-sustentável das marcas seja suficientemente desenvolvido e aceito entre os consumidores destes tempos como diferencial competitivo? Ou esta é uma questão ainda para o futuro?

A sustentabilidade está na essência da Natura e perpassa o desenvolvimento, a fabricação, a distribuição e a comunicação dos nossos produtos. O uso sustentável da biodiversidade é um dos principais vetores de inovação da empresa, e mais de 80% de nossos ingredientes já são de origem vegetal. Toda a nossa perfumaria utiliza álcool orgânico, e nossas embalagens são ecoeficientes, com o uso de materiais reciclados pós-consumo e refis.

Essa visão é comum a todas as marcas, mas algumas linhas carregam atributos de sustentabilidade com mais evidência. É o caso de Ekos, que faz uso intensivo de tecnologia para descobrir e potencializar a vocação dos ativos da Amazônia; e de Sou, que utiliza embalagens com 70% menos plástico e permite o uso do produto até a última gota.

Estamos sempre muito atentos aos hábitos e preferências dos consumidores. Sabemos que as pessoas estão cada vez mais interessadas em produtos inovadores, com soluções tecnológicas que trazem soluções para o seu dia a dia, e também estão muito mais preocupadas com a origem dos ingredientes, a formulação e o processo de fabricação dos cosméticos.

Uma prova disso é o sucesso da linha Ekos, nossa principal plataforma do uso sustentável da biodiversidade brasileira e que estabelece vínculos com as comunidades da floresta por meio de oportunidades de negócios socialmente justos, ambientalmente corretos e economicamente viáveis. Quando o consumidor usa Ekos, ele sabe que ajuda a movimentar essa rede.

 

10 – E qual o modelo mais bem sucedido da Natura no exterior? Loja ou venda direta? E há ainda o e-commerce.

Acreditamos que, para cada mercado, existe um modelo ideal. Nas operações internacionais da América Latina (Argentina, Colômbia, Chile, México e Peru) crescemos 30% ao ano com o modelo de venda direta e somos a marca preferida de cosméticos em três desses mercados.
Já em mercados mais maduros, como a França, outros canais se mostram mais adequados, como lojas de departamento, e-commerce e lojas próprias.