O setor de comércio eletrônico mostra sua resiliência no mercado brasileiro, uma vez que novas pesquisas da Mintel estimam que as vendas do comércio eletrônico deverão crescer 10% este ano, atingindo um valor total de R $ 57 bilhões até o final de 2017. Embora uma melhoria acentuada Ao longo do crescimento estimado de 7% observado em 2016, as vendas do comércio eletrônico diminuíram significativamente nos últimos anos em comparação com o crescimento de 23% em 2015 e o crescimento de 25% no mercado em 2014. Apesar desse abrandamento, o desempenho do mercado é positivo considerando a crise econômica o país enfrentou nos últimos três anos. No futuro, a Mintel prevê que o mercado de comércio eletrônico no Brasil cresça em média 10% ao ano para chegar a R $ 93 bilhões até 2022.

Entre as barreiras do mercado, a Mintel revela que a entrega de compras on-line é considerada muito cara por 49% dos consumidores. Fornecer informações pessoais na internet pode ser outro problema para o consumidor brasileiro, com 31% dizendo que não se sentem seguros fornecendo seus detalhes da conta bancária / cartão de crédito aos revendedores online. As mulheres parecem estar mais preocupadas com isso do que os homens, pois 34% das mulheres dizem que se sentem dessa maneira em comparação com 28% dos homens.

Superar os altos preços associados à entrega é uma grande barreira no mercado brasileiro de comércio eletrônico. Nos Estados Unidos, vemos os varejistas incentivando os consumidores a colecionar os produtos comprados on-line na loja em troca de um desconto. No que diz respeito ao padrão de comportamento de diferença de gênero, as marcas que possuem lojas físicas podem oferecer a opção de as mulheres serem capazes de pagar diretamente na loja em um esforço para aliviar suas preocupações com o compartilhamento de informações financeiras pessoais on-line. Marcas que não possuem lojas físicas podem fazer parcerias com canais físicos (por exemplo, bancos, bibliotecas) para oferecer alternativas de pagamentos mais seguros “, sugere Juliana Martins, especialista em pesquisa de mercado da Mintel.

Desktops e laptops assumem a liderança como o meio preferido de compra on-line. A Mintel revela que a maioria dos consumidores brasileiros comprou on-line usando um laptop ou computador desktop (57%) ou um smartphone (48%) nos 12 meses até abril de 2017. Apenas 18% dos brasileiros fizeram compras on-line usando um tablet no mesmo período de tempo.

Brasileiros de 25 a 34 anos também são os principais compradores on-line que usam smartphones (58%) em comparação com aqueles com idade entre 35-44 (49%).

Esses números sugerem que há oportunidades para marcas em diferentes categorias para atingir públicos mais jovens. Por exemplo, a pesquisa Mintel sobre Millennials brasileiros revela que 53% dos antigos Millennials (28-35 anos) pesquisam ou assistem as notícias através de um smartphone. Além disso, 60% dos consumidores com idades entre 28-35 procuram produtos usando este dispositivo. Além disso, os anúncios em smartphones podem atrair antigos Millennials, de modo que a publicidade em aplicativos de notícias e pesquisas pode atrair esses consumidores “, conclui Juliana.

Alguns brasileiros podem se interessar por promoções em aplicativos para tablets, inclusive de cosméticos

Na pesquisa Mintel, dentre os brasileiros que afirmaram ter feito compras online através de tablets, 45% afirmaram ter comprado livros, CDs, DVDs ou jogos de videogame e 32% produtos de higiene pessoal e cosméticos nos 12 meses anteriores à pesquisa (abril de 2017).

Apesar de ainda não ser o dispositivo mais usado pelos brasileiros para compras online (apenas 18% dos entrevistados disseram ter comprado através de tablets nos últimos 12 meses), seus usuários compram certos tipos de produtos através dele. Empresas que trabalham com downloads de livros, músicas e jogos de videogame e que vendem produtos de beleza e de cuidados pessoais têm oportunidades de criarem aplicativos para tablets a fim de aumentarem suas vendas. Publicidade nos canais físicos indicando o funcionamento do aplicativo, e ações com promoções para aqueles que o baixarem, são oportunidades para as marcas atraírem usuários para esse canal de venda.

Compras online, por produtos selecionados e dispositivos eletrônicos – Brasil, abril de 2017

“Qual, ou quais, dos seguintes itens, se for o caso, você comprou online nos últimos 12 meses? Selecionar todas as opções relevantes”.
Base: 1.082 usuários da internet com 16+ que compraram pela internet nos últimos 12 meses

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Fonte: Lightspeed/Mintel
Ações ao Planejar uma Compra Online

Showrooms podem ser saída para marcas tornarem seus produtos mais acessíveis aos consumidores
A experiência de compra online parece não ser tão simples assim. Por exemplo, alguns consumidores dizem visitar uma loja física antes de comprar um produto online. A pesquisa Mintel mostrou que 37% dos brasileiros fazem isso ao planejar comprar produtos eletrônicos/eletrodomésticos, 35% ao comprar roupas e 31% ao comprar produtos de higiene/perfumes/cosméticos.

Uma das barreiras citadas pelos consumidores para que eles comprem menos ou deixem de comprar pela internet é justamente o fato de que eles não podem experimentar o produto pessoalmente antes de comprá-lo (ex. cheirar produtos de beleza, provar alimentos). De acordo com a pesquisa, 22% dos brasileiros concordaram com isso. Assim, a experiência de compra pela internet pode ser prejudicada devido a isso.

Uma das saídas poderia ser a criação de showrooms para que os produtos das marcas fiquem o mais próximo possível dos consumidores. Foi o que fez a Oppa, marca de decoração para casa. Antes seus produtos eram vendidos apenas pela internet, mas agora os consumidores podem ir a uma de suas lojas e ver os produtos de perto. Já a marca americana de comércio eletrônico Bonobos, que vende roupas masculinas, funciona como um showroom no qual os clientes provam as roupas escolhidas online e solicitam ajustes caso necessário. A Warby Parker, marca americana de óculos de grau, é única na sua estratégia de venda. Ela envia para onde o cliente quiser alguns modelos de óculos, os clientes podem experimentá-los, pedir a opinião de família e amigos e decidir qual deles vai comprar.

Ter uma loja física pode, portanto, agregar valor ao produto e aumentar a fidelização e memória do consumidor em relação à marca.

 Ações ao planejar uma compra online – Brasil, abril de 2017

“Qual, ou quais, das ações citadas abaixo você estaria propenso a fazer ao planejar uma compra online para os seguintes produtos? Selecionar todas as opções relevantes”.

Base: 1.500 adultos com 16+

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Fonte: Lightspeed/Mintel

Redes sociais aumentam tráfego para sites de venda
As mulheres são mais propensas do que os homens a usar sites de mídia social para procurar recomendações (ex. Facebook, blogs) quando querem comprar roupas e produtos de higiene pessoal/perfumes/cosméticos online. A pesquisa revelou que 24% das mulheres usam esses canais online para comprar roupa (versus 19% dos homens) e 17% os usam para comprar produtos de beleza (em comparação a 12% dos homens).

Sites de mídias sociais e blogueiros(as) têm sido usados cada vez mais pelas marcas para atrair os consumidores a comprar seus produtos. O uso de redes sociais como Facebook, Instagram e YouTube aumenta o tráfego para sites de vendas de todos os portes e tamanhos, e hoje em dia é imprescindível que as empresas tenham páginas nessas mídias sociais para estreitar a relação com os clientes.

Ações ao planejar uma compra online – Brasil, abril de 2017

“Qual, ou quais, das ações citadas abaixo você estaria propenso a fazer ao planejar uma compra online para os seguintes produtos? Selecionar todas as opções relevantes”.

Base: 1.500 adultos com 16+
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Fonte: Lightspeed/Mintel