A herdeira da L´Oréal, Liliane Bettencourt morreu a semana passada, fato que deve forçar a L’Oréal SA e seus principais acionistas a acordarem quanto à melhor estrutura de propriedade do grupo francês de cosméticos.

A Nestlé detém atualmente 23% de participação na gigante de cosméticos. É a segunda maior participação na L’Oréal e anunciou ontem que não vai vender sua participação no grupo francês. Liliane era a maior acionista da empresa fundada pelo pai. Detinha 30,5% das ações.

Em 1979 Liliane e a Nestlé, entraram em acordo para que nenhuma das empresas fizesse uma oferta hostil para assumir o controle da empresa, até pelo menos seis meses depois da morte herdeira. Em teoria, isso abre o caminho para a Nestlé SA comprar toda a L’Oréal.

Estratégicamente, uma transação reforçaria os ativos de skincare da Nestlé, mas não faria nada pelo seu principal negócio de alimentos e nutrição. Comprar os 77% restantes custaria 100 bilhões de euros ($ 120 bilhões).

A Nestlé vendeu cerca de US$8,2 bilhões das ações que possuía, sinalizando que não tinha planos de aumentar sua fatia na empresa. Executivos da Nestlé, de acordo com analistas do mercado, defendem a tomada de controle da L’Oréal para distanciar a empresa dos Bettencourt. Liliane deixou uma fortuna de US$ 44,7 bilhões, que será dividida entre sua filha Françoise e seus dois filhos. Existem essencialmente três potenciais compradores da L´Oréal: a própria L’Oréal, os Bettencourts e o mercado. De acordo com analistas da Bloomberg, essa participação atualmente vale cerca de 24 bilhões de euros.

Os analistas consideram cenários mais prováveis: a L’Oréal comprando as ações da Nestlé, possivelmente financiando isso através da venda de sua participação de 9,4% na farmacêutica francesa Sanofi sem atingir restrições regulatórias. Outra possibilidade é a oferta da Nestlé pelo o resto da L’Oréal e, ainda, a família Meyers Bettencourt decidir vender sua participação para a L’Oréal.