Quem participa de uma feira para o segmento, como é a Cosmoprof Cosmética São Paulo ou  a Cosmesur, em Buenos Aires, que acabam de ser encerradas, tem a expectativa da efetivação de negócios ou, muito mais de expor a marca ao mercado, ao público e à mídia.

O cosméticos br conversou com alguns dos participantes da Cosmoprof Cosmética e verificou que há ainda outras opções. Vejam alguns depoimentos:

O Grupo Minas Beauty, grupo de empresas cosméticas de perfis distintos do estado de Minas Geraes, foi constituído há 3 anos para atender ás expectativas de seus sete membros de entrar no mercado externo. Consolidado há um ano o grupo participa pela primeira vez da Cosmoprof Cosmética. “A importância da feira para o grupo é a visibilidade entre compradores internacionais”, diz Otávio Rezende, gerente de exportação do grupo Minas Beauty. “Muitos deles vieram espontaneamente ao nosso estande, embora tenhamos participado do programa Rodada de Negócios promovido pela Abihpec, a associação do setor”, conta.

De acordo com ele, a estruturação para exportação está acontecendo de maneira simultânea para as empresas pertencentes ao grupo: Barro Minas, Bio Extratos, Bravis, Shyrlen, Soft Hair, Nutra Hair e Kátia Cosméticos.

Na verdade as empresas do grupo começaram a  exportar este ano, depois de uma participação numa feira em Angola. A partir dela o grupo está exportando $100 mil até o final do ano. “Na Cosmoprof despertamos o interesse de um comprador de Singapura”, comemora Rezende.

Para José Escani, gerente de exportação da Niasi, empresa produtora de coloração para os cabelos, esmaltes de unha e produtos para o corpo, a feira é válida e necessária para consolidar a imagem da empresa, mas em termos de negócios, não é tão efetiva. “ É sempre uma oportunidade de captar clientes, mas comercialmente a nossa participação não se paga, já que o ciclo de clientes é o mesmo”, afirma.

Para o gerente de exportações, a feira é válida para promover exportações. Ele conta que a Beauty Fair, feira de cosméticos destinada a profissionais e varejo realizada no começo do mês, proporcionou maiores vendas das linhas profissionais. “ Este ano foi bastante forte, embora a feira esteja em seu segundo ano”, aponta Escani.

Wellington Marques, gerente de marketing da Dana Cosméticos atenta para o fato de que para os clientes fica difícil participar das duas feiras, já que uma foi no começo do mês a outra agora no final. “A Beauty Fair de certa forma tirou os compradores que vinham normalmente para a Cosmoprof, porque estes se anteciparam a ela”. Ele explica que entre os atacadistas brasileiros, é tradição fechar grandes pedidos mais para o final do mês. “Em função da data que é a última semana do mês, nenhum dos grandes atacadistas vieram”.

Ainda que a Beauty Fair obtivesse maior visitação este ano, Marques revela que a Dana preferiu participar da Cosmoprof, porque a feira permite fechar mais negócios internacionais. “ A Beauty Fair é mais voltada para o varejo. A Cosmoprof Cosmética ainda tem um impacto maior, gera negócios sim, até porque o segundo semestre é mais forte em volume”, aponta o gerente de marketing.

A empresa iniciou exportações no ano passado e este ano, de acordo com Marques, a empresa está mais organizada para exportar, em termos de produtos dentro do formato, embalagens especiais, etc. “Temos até um departamento específico para a área agora”, conta.

A empresa também participou da rodada de negócios e recebeu várias visitas espontâneas durante a feira e, de acordo com Wellington Marques o investimento de R$ 75 mil num estande de 75X25.5 metros valeu a pena.

Segundo Luis Antonio Galhardi, da Orgânica, empresa de produtos para o corpo, cabelos, e acessórios, a feira da APAS (supermercados), também realizada em Setembro (11 a 14) é mais corporativa. “A Beauty Fair é para varejistas e micro clientes. A Cosmoprof é a feira mais profissional, aonde vêm os proprietários de redes de perfumarias e cosméticos de todos os estados, além de compradores internacionais de peso, como o do Wall Mart da Argentina e da Target, dos Estados Unidos, de acordo com ele, segunda maior rede de supermercados”, diz Galhardi.

Para Neusa Armstrong, diretora comercial da Ecologie, a Cosmoprof é uma feira interessante para receber clientes de fora de São Paulo. “A marca se expõe, e principalmente faz lançamentos para o mercado”, conta a diretora da empresa, que lançou este ano na feira sua primeira linha homem e Nick Vick, uma linha para o segmento de adolescentes.

                        

A Mua Loa, empresa há poucos anos no mercado, mas com uma linha extensa de produtos para os cuidados com os cabelos, a feira tem vários objetivos simultâneos: “ O primeiro deles é a possibilidade de ampliar relacionamentos que mais tarde podem se reverter em negócios. Assim como são formados laços que se estreitam e há ainda os compradores internacionais”, diz Alex Brunckhorst, a área de produção e logística da empresa, que investiu de 30 a 50 mil reais no estande de 50 metros quadrados. “É difícil contabilizar exatamente o retorno. O representante da Tag, cadeia de supermercados dos Estados Unidos esteve aqui e levou um catálogo e o endereço eletrônico da empresa”, diz Marcos Sthal, gerente de exportação da empresa.

Gecê Macedo, da Umidifica Cosméticos, concorda com Sthal. “É difícil quantificar o retorno, mas uma coisa é certa: não podemos ficar de fora desta feira”, declara. Ele conta que em três dias de feira a empresa consolidou três parcerias. Uma delas de distribuição no Rio Grande do Sul, outra em Pernambuco e outra para o estado do Paraná. “São distribuidores atacadistas, o que já compensa”, afirma Macedo. Ele conta ainda que a Beauty Fair não gerou negócios diretamente, mas deu uma exposição muito boa para os produtos da empresa. “Houve boa visitação de consumidores e profissionais, além dos lojistas”.

Internacionalmente a empresa já participou da feira do Porto, em Portugal, para se expor ao mercado europeu. “Efetivamos um negócio com um distribuidor, prospectamos lojistas com ele e já enviamos nossa primeira exportação”, comemora.

De uma maneira ou de outra as feiras são diferentes. Cada uma acaba desenvolvendo um perfil, mas basicamente são maneiras de expor uma empresa, lançar produtos e fazer contatos. Algumas delas desenvolvem além de relacionamentos com clientes, com seu próprio time de vendas.

“Nem tudo o que acontece aqui se torna real. Investimos em material, mostruário e às vezes nada acontece”, avalia Ailton Andrade, diretor comercial da Julay, marca infantil e de adolescentes há 20 anos no mercado, que passou a produzir também produtos para o corpo, linha banho e maquiagem.

A marca participa pela terceira vez da Cosmoprof Cosmética: “Esta é uma feira que nos ajuda a encontrar clientes em canais em que ainda não temos uma grande atuação, como os canais farma e perfumarias”.

“Esta feira é muito mais de relacionamentos do que de venda efetiva”, caracteriza Pedro Burity, da Aroma do Campo, empresa do Rio de Janeiro que atua nos segmentos de transformação e tratamento de cabelos, corpo e maquiagem. Para ele o pedido não é o mais importante, mas conhecer as pessoas diretamente, trocar idéias e manter relacionamento de médio a longo prazo. Em relação às exportações ele afirma que a feira ajuda muito a ampliar relacionamentos. “Trouxemos inclusive clientes do exterior para conhecer a feira e o mercado brasileiro,” conta.

A Mahogany, empresa paulista que atua nos segmentos banho, corpo e cabelos, além da Cosmoprof Cosmética, participou da feira de franchising, organizada pela Associação Brasileira de Franchising, no ITM Expo.

“Uma feira é uma ação de marketing que deve ser bem selecionada”, adverte Isabella Salton, gerente de marketing da empresa.

A empresa participou da feira da ABF lançando-se como marca que tem a franquia como opção de canal de distribuição e da Cosmoprof para apresentar os lançamentos mais importantes para clientes e para a equipe comercial. “É o momento que aproveitamos para fazer uma confraternização, em alinhamento de objetivos e também para avaliar a receptividade dos lançamentos no mercado interno e a aceitação da marca no mercado externo”, pontua Isabella Salton.