O Brasil e sua rica biodiversidade recebem  as atenções do mundo da perfumaria nos últimos anos. Há muito no país a ser explorado em termos de fragrância. Estamos apenas no início dessa jornada, mas já é possível vislumbrar o caminho.

O CGEN – Conselho de Gestão do Patrimônio Genético , ligado ao Ministério do Meio Ambiente, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, é quem regula o acesso ao patrimônio genético do país. O Conselho tem uma rede de instituições credenciadas, que detém competências específicas à qual o IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – pertence. 

Em 2011, o IBAMA deu início a uma extensa fiscalização e atuação de empresas, universidades e institutos de pesquisas que utilizam recursos genéticos do País. Mais sobre o assunto nesta entrevista.

Abaixo alguns dos ingredientes da biodiversidade brasileira que já estão sendo utilizados em perfumaria no Brasil em cultivos e colheitas sustentáveis.



Pitangueira

 
Foto: Mauroguanandi 

Pitanga é o fruto da pitangueira, ou Eugenia uniflora L., dicotiledônea da  família Myrtaceae (jaboticaba, goiaba). A  árvore de porte médio nativa da Mata Atlântica, dá frutos pequenos com tom vermelho e nuances alaranjados. Seu cultivo é muito simples e atraente para pássaros e animais devido ao seu gosto doce e textura.É usada na perfumaria,em produtos cosméticos e na culinária.

Em perfumaria  ela é percebida com um aroma marcante, com uma  explosão vibrante de notas cítricas verdes, que transmitem alegria.

Símbolo da tropicalidade do Brasil, a pitangueira possui folhas que exalam um perfume suave, muito utilizado para perfumar o ambiente de casas e festas. De suas folhas é extraído seu precioso óleo essencial, que revela notas tropicais, vibrantes e frescas.

Capitiú



Capitiú, espécie nativa do Brasil, um arbusto perfumado da família Siparunaceae, de 4 a 8 metros de altura. É usada na medicina tradicional indígena como um cataplasma para aliviar picadas de formiga. Tem poucas flores. As folhas são simples, opostas, ovadas.   É de suas folhas que se produz o seu óleo essencial. Sob a assinatura da Perfumista Veronica Kato, A Natura combinou o seu óleo à flores e pimenta rosa para uma das Águas de Banho da marca. Tem cheiro Fresco, Apimentado, salgado, amadeirado úmido.

Estoraque


Foto: www.consultaplantas.com

O Estoraque, pertencente à família Styracaceae, com seus tons verdes e roxos, é uma planta de origem africana cultivada do norte ao sudeste do Brasil, por sua fácil adaptação às regiões ensolaradas e quentes do país.

Cultivado de maneira orgânica no município de Santo Antônio do Tauá, no Pará, o Estoraque desempenha um importante papel socioambiental.

Os agricultores familiares da região habitam a floresta nativa do Pará há três gerações, e criaram alternativas de renda que, através das técnicas agroextrativistas, contribuem para a recuperação, conservação e preservação do meio ambiente, além de serem uma alternativa sustentável de geração de renda para a população local.

Em fragrância, a erva revela um aroma marcante, que não passa desapercebido.

O nome estoraque denominava, na antiguidade, plantas africanas das quais se extraíam resinas aromáticas para uso como incenso. Assim, por influência da cultura afro-brasileira, esta erva passou também a ser conhecida como estoraque, principalmente por suas características perfumísticas.

Cumaru


Foto: Fred Benenson

Fava de Cumaru ou cumaru (Espécie: Dipteryx odorata também conhecida por Coumarouna odorata), é oriunda da árvore cumaru, espécie tropical de grandes dimensões, comum principalmente na floresta amazônica. Seu fruto é colhido no chão da floresta, e de cada fruto, uma semente é retirada.

Popularmente conhecida como cumaru, cumaru-ferro, cumbaru, cumburu, paru, cumaru-verdadeiro, cumaru-amarelo, cumaru-do-amazonas e curumazeiro,1 é uma árvore da família das leguminosas, subfamília papilionoídea.

É uma  árvore nativa do Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Ilhas Seychelles e Suriname, que pode atingir 30 metros de altura. Seu fruto é uma vagem com polpa fibrosa e esponjosa, comestível. A semente desse fruto, conhecida como fava-de-cumaru,3 contém cumarina, substância dotada de vários usos medicinais e também usada em perfumaria como um sucedâneo da baunilha para aromatizar tabaco e rapé e para extração de óleo.

De acordo com o Accademia del Profumo, hoje em dia a Venezuela, o Brasil e a Guiana Francesa são os principais produtores mundiais. Citam também que as favas de cumaru podem ser imersas em rum ou cachaça para macerar e depois de secas, se obtém cristais brancos que a recobrem. É destes cristais que o óleo essencial é obtido.

Seus aromas pungentes a amêndoa amarga, caramelo, baunilha, canela e cravinho, fazem dela uma especiaria única. A fava tonka foi por muito tempo utilizada para aromatizar o tabaco, sendo que agora seu principal uso é na perfumaria. É responsável por um aroma a grosso modo similar ao da baunilha, porém um pouco mais suave e especiado.

Priprioca

  

(Cyperus articulatus), é uma erva da família ciperácea, aromática e medicinal, natural da Amazônia. Parente do junco e do papiro, suas raízes liberam uma fragrância leve, amadeirado e picante com notas florais. É um dos perfumes tradicionais da região amazônica. Seu óleo essencial tem cor avermelhada e é bastante valorizado na indústria farmacêutica e cosmética.

A priprioca é uma espécie de capim, com florzinhas bem miúdas nas pontas. Estes talos de capim alto escondem sob a terra raízes de fragrância incomum – tubérculos miúdos que, quando cortados, exalam um perfume fresco, amadeirado e picante, que surpreende o olfato. Dentre seus principais componentes temos o limoneno, cineol, miternal, espatulenol e óxido-cariofileno – é um óleo muito complexo e por esta razão nenhum elemento assume um papel majoritário frente os demais.

Graças a esta qualidade, a priprioca está entre as principais ervas aromáticas vendidas no mercado Ver-o-Peso, no estado do Pará, região norte do Brasil, para uso em banhos perfumados e fabricação de fragrâncias domésticas.

O óleo essencial da priprioca é extraído de sua raiz e está nesta em pouquíssima quantidade, daí a sua raridade. Seu perfume é marcante e inusitado, sendo uma matéria-prima de muito valor para os perfumistas devido à sua originalidade. Um aroma tão único que reúne, ao mesmo tempo, a riqueza da nossa mata e a força da tradição dos povos da floresta.

A comunidade de Boa Vista, no Pará,  e as erveiras e erveiros do mercado Ver-o-Peso utilizam a priprioca como ingrediente de banhos atrativos por sua fragrância incomum e fresca.

Cupuaçu

  
Foto: Orlando Gonçalves
 
É o fruto de uma árvore originária da Amazônia (Theobroma grandiflorum; ex – Sterculiaceae), parente próxima do cacaueiro. A árvore é conhecida como cupuaçuzeiro, cupuaçueiro ou cupu, é uma fruta extremamente saborosa típica da região norte brasileira, muito encontrada no estado do Pará e Amazonas. É muito usado na culinária doce, azeda e agridoce pelos nativos da Amazônia.

A árvore alcança uma média de 10 a 15 m de altura. Há referências de exemplares com até 20 m. As folhas são longas, medindo até 60 cm de comprimento e apresentam uma aparência ferruginosa na face inferior. As flores são grandes, de cor vermelho-escura e apresentam características interessantes: são as maiores do gênero, não crescem grudadas no tronco, como nas outras variedades de theobromáceas, mas sim nos galhos. Os frutos apresentam forma esférica ou ovóide e medem até 25 cm de comprimento, tendo cascadura e lisa, de coloração castanho-escura. As sementes ficam envoltas por uma polpa branca, ácida e aromática. Os frutos surgem de janeiro a maio e são os maiores da família.

Vem sendo utilizado como antioxidante e como base para desenvolvimento de produtos de beleza. De suas castanhas extrai-se uma pasta semelhante àquela com que se produz o chocolate e a manteiga. Esta manteiga é um excelente hidratante, graças à capacidade de absorção da água – duas vezes maior que a da lanolina, o que proporciona a recuperação de umidade da pele.É utilizada como base para cremes e batons.

O cupuaçu é produzido no noroeste do estado de Rondônia, no distrito de Nova Califórnia, no projeto RECA (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado) e também na comunidade do CAMTA (Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu), ambos através de sistemas agroflorestais. Quando inicia a queda espontânea dos frutos, isso é o sinal de que ele atingiu o ponto ideal para colheita. O cupuaçu é quebrado e sua polpa, separada das sementes. A polpa é então empacotada e congelada para comercialização e alimentação. A casca é usada para adubação.

Em fragrância, o aroma é azedinho e fresco. Da polpa do fruto, é produzido o extrato aromático utilizado para perfumação.

Maracujá 

   
Foto:
www.infobios.com                           Foto: www.campinas.spm.embrapa.org

Do gênero Passiflora (essencialmente da espécie Passiflora edulis) da família Passifloraceae. O nome da árvore é também conhecido como Maracujazeiro. É um fruto tipicamente brasileiro, originário da Mata Atlântica, espontâneo nas zonas tropicais e subtropicais da América.

Cultivada também pela sua flor ornamental a Passiflora edulis é cultivada com fins comerciais, no Caribe, no sul da Florida e no Brasil, que é o maior produtor – e também consumidor – mundial de maracujá. O seu fruto é utilizado especialmente para produzir suco ou polpa de maracujá, às vezes misturada a suco de outros frutos, como a laranja. É popularmente conhecido como a fruta da tranquilidade.

Em fragrância, seu aroma é doce, suculento e vibrante,  um contraste entre o azedinho doce da polpa e as sementes do maracujá . É uma fragrância alegre, divertida, explosiva e gourmet. Remete a infância e estimula o apetite.

Principais perfumes com Maracujá: Heat rush – Beyonce; Green tea Summer – Elizabeth Arden;  212 VIP – Carolina Herrera e Deo Colônia Frescor de Maracujá Ekos

Castanha

  

A Castanheira está entre as árvores mais altas e antigas da floresta, capaz de viver mil anos e chegar aos 50 metros de altura. É a rainha das florestas. Está intimamente ligada à cultura das populações tradicionais da Amazônia.
Seus frutos, chamados de ouriços, são cápsulas de madeira dura que pesam cerca de um quilo. Cada um guarda um pequeno tesouro: cerca de duas dezenas de castanhas saborosas e nutritivas, uma das principais fontes de proteína da floresta. A castanheira tem um papel importante nas florestas, pois possui relações fortes com outras plantas e animais.

Das castanhas obtém-se um óleo fino, amarelo-claro, sem cheiro, transparente e adocicado, que tem qualidades lubrificantes, hidratantes e emolientes. A maioria das tentativas de cultivá-la fora da floresta falhou, pois a árvore precisa estar em seu habitat natural para produzir os frutos.
Seu leite é obtido das castanhas recém-coletadas e é extraído depois de muito trabalho. De propriedades emolientes e hidratantes ele é usado em cosméticos. Proporciona brilho e maciez aos cabelos secos, intensa hidratação e maciez da pele.

Os produtos formulados com extrato e/ou óleo de castanha apresentam texturas cremosas e fragrância confortável, que proporcionam um cuidado mais aconchegante e envolvente.

Açaí



O açaí (Euterpe oleracea), também chamado uaçaí, açaí-branco, açaizeiro, coqueiro-açaí, iuçara, juçara, palmiteiro, palmito,piná e tucaniei, é uma palmeira que produz um fruto bacáceo  de cor roxa muito utilizado em  refrescos.

Espécie monocotiledônea nativa da várzea da região amazônica, especificamente na  Venezuela, Colômbia, Equador,Guianas, e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia, Acre e Tocantins ), assim como em Trinidad e Tobago e nas bacías do Pacífico na Colômbia e no Equador. O açaizeiro cresce em touceiras de 4 a 8 estipes (troncos de palmeira) cada um de 12 m de altura e 14 cm de diâmetro ponto-médio e podendo chegar até uns 20 metros.

Mais do que alimento, o açaí é uma manifestação cultural que perdura há séculos na região amazônica. Forte tradição na região, não há casa que não o conheça.

A colheita, na COFRUTA, consiste em subir nas palmeiras, cortar os cachos e debulhá-los (tirar os frutos dos cachos).

O extrato aromático vem da polpa do açaí. O óleo de açaí, extraído da semente, possui propriedades emolientes e hidratantes para a pele.


Breu Branco



O breu-branco é uma resina de odor natural agradável e fresco, que nasce do cerne do tronco de uma árvore presente na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, na Floresta Amazônica. Seu tronco é fino, em comparação ao das grandes árvores da floresta; porém, pode crescer tanto quanto elas.

A árvore expele esta resina naturalmente pelo tronco, como forma de autoproteção, quando é danificada ou picada por um inseto da mata. No princípio o breu tem cor branca e brilhante, lembrando um mineral. Com o tempo, solidifica-se, formando uma massa dura, esbranquiçada e cinzenta, ou cinza-esverdeada, bastante quebradiça e facilmente inflamável.

Existem vários tipos de breu-branco, e só quem conhece bem o identifica. Seu cheiro se espalha pela mata e nos guia até sua árvore. Ao encontrá-la, já podemos ver o reflexo claro da resina no tronco, semelhante a uma pedra bruta incrustada na madeira.

A resina pode ser retirada do tronco com as mãos ou com a ajuda de um facão, sem danificar ou prejudicar a planta, pois não é preciso tirar a casca da árvore, ou cortar galhos, nem fazer vincos. Esta resina é retirada da árvore e dela produz-se um extrato aromático.