Centro de Distribuição do Boticário
                                                  inaugurado a semana passada

Três das maiores empresas de cosméticos atuantes no país – Avon, Boticário e Natura – estão investindo em Centros de Distribuição. Elas se preparam para demandas fortes no mercado brasileiro nos próximos anos e, principalmente para chegarem a seus consumidores rapidamente, enfrentando a forte concorrência que se anuncia, num mercado ainda bastante promissor, que oferece possibilidades de crescimento, como o mercado brasileiro.

O rápido avanço da tecnologia da informação e a necessidade crescente de diminuir o gap entre a compra e a entrega dos bens e serviços, vem trazendo desafios cada vez maiores na área de distribuição e entrega, exigindo constante reposicionamento empresarial. Os Centros de Distribuição, ou CDs podem viabilizar de forma competitiva o fluxo de mercadorias.

“Um setor que já passa da casa dos 30 bilhões de dólares por ano não pode em momento algum deixar de analisar suas perspectivas, tendo como base a complexidade que é atender a um mercado cada vez mais exigente e com uma concorrência mais acirrada.”, diz João Carlos Basílio, presidente da Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

A Avon Brasil é a segunda maior operação de beleza no canal venda direta do planeta, atrás apenas (e por bem pouco) da matriz americana. Só no segundo trimestre deste ano a empresa registrou um aumento de 23% nas vendas, em reais, no Brasil.

Ao completar 50 anos de operações no Brasil a empresa celebra sua presença no país com o reforço de seu crescimento e investe em um novo Centro de Distribuição de classe mundial. “Esta nova unidade apoiará a demanda deste importante mercado em expansão da Avon, bem como oferecerá mais qualidade nos serviços em um ambiente altamente competitivo”, afirma Luis Felipe Miranda, presidente da Avon Brasil.

Com inauguração prevista para este ano, o novo CD conta com um investimento de mais de US$ 150 milhões. Está localizado na cidade de Cabreúva, próxima a quatro importantes mercados para a Avon (São Paulo, Campinas, Jundiaí e Sorocaba) e ocupa uma área de 70 mil metros quadrados em um terreno de 267 mil metros quadrados, que permite eventuais expansões. Contará com sofisticada tecnologia de processamento de pedidos e sistemas automatizados para simplificar e tornar mais ágil o fluxo de trabalho. O objetivo é aumentar a produtividade e a precisão, o que gera ganhos de eficiência nos custos operacionais.

Em pleno funcionamento, a Avon empregará aproximadamente 1,3 mil pessoas e terá a capacidade de entregar 70% de todo o volume de pedidos da empresa no País.

“Os CDs de posicionamento avançado, principalmente para a entrega de bens de consumo mais imediato, constituem pontos de apoio ao rápido atendimento às necessidades dos clientes de certa área geográfica, distante dos centros de produção. Esse mecanismo permite atender adequadamente a pequenos pontos de vendas que têm uma demanda firme e constante, com rápido giro de seus produtos”, diz Moisés Farah, economista, mestre em Inovação Tecnológica pelo CEFET-PR, doutorando em Engenharia de Produção pela UFSC e professor da FAE Business School.


O Boticário, cuja receita em 2008 foi de US$ 581,68 milhões e deverá atingir para 2009 um aumento entre 18 e 20% no seu faturamento, de acordo com seu presidente Artur Grynbaum, investiu R$ 85 milhões em seu novo CD, cujo conceito de operação é diferenciado e de alta performance, diz a empresa, para otimizar todo o processo e atingir 25 mil itens por hora.  Ele acaba de ser inaugurado, na cidade de Registro, que é estratégica para a logística do Boticário. “A cidade está localizada entre a nossa fábrica, em São José dos Pinhais (PR), e os maiores centros consumidores dos nossos produtos, diz o diretor de Operações do Boticário, Giuseppe Musella.

O projeto inclui soluções inteligentes para garantir o uso adequado dos recursos naturais e o destino correto dos resíduos gerados nas instalações. Outras medidas ecológicas do projeto são: sistema inteligente de iluminação – uma parte da fachada e do telhado é feita em material translúcido, para o maior aproveitamento da luz natural –, coleta seletiva, torneiras e descargas automáticas, estação de tratamento de efluentes e sistema de captação e reaproveitamento da água das chuvas.

Atualmente O Boticário conta com 2.810 pontos de venda no país e 70 lojas e mil pontos de venda em 13 países. Em 2010, a meta é de incremento de 17% nas receitas e a abertura de 110 lojas, em cidades onde já atua e em novos municípios. Não por acaso a empresa também está investindo na ampliação de sua fábrica, em São José dos Pinhais (PR), que deve ser concluída em 2012.

“O novo CD do Boticário potencializa entregas, tornando-as ainda mais flexíveis, aumentando a capacidade de abastecimento para todos os pontos de venda da rede, presentes em mais de 1.550 municípios do Brasil”, explica o presidente do Boticário, Artur Grynbaum. O empresário acrescentou que há muita oportunidade no Brasil e, por isso, as empresas estrangeiras estão fortalecendo sua presença no País.

“No aprimoramento de nossos procedimentos, ganham todos, o consumidor estará mais bem assistido, as empresas aumentando a concorrência, e o País por estarmos aumentando as oportunidades de emprego. É um círculo virtuoso, onde mais empresas necessariamente terão que percorrer esse caminho”, diz o presidente da Abihpec, João Carlos Basílio.


E a Natura, maior empresa brasileira de cosméticos da América Latina e 14a. no ranking mundial, empreende rumo semelhante.Tem investido  em novos centros de distribuição nos últimos dois anos. Ao todo são seis: Cajamar (SP), onde fica o seu centro logístico e também a fábrica, em Itapecerica da Serra (SP), Matias Barbosa (MG), Jaboatão dos Guararapes (PE), Simões Filho (BA) e Canoas (RS).” Vamos continuar investindo em novos centros nos próximos anos”, afirmou o presidente da empresa, Alessandro Carlucci em entrevista a semana passada ao jornal Valor Econômico.

Mas a empresa se prepara para a reestruturação de seus sistemas produtivo e logístico para lidar com o cenário de aumento de vendas e concorrência acirrada, no Brasil e na América Latina.

A fábrica da empresa em Cajamar (SP) tem capacidade para atender a demanda até o início de 2012 e hoje 40% do volume vendido já é produzido por terceiros. O novo modelo logístico está sendo desenhado e entre as opções estudadas está a produção descentralizada (em fábricas próprias ou de terceiros, dentro ou fora do país) e um centro de distribuição voltado aos mercados latinos, que contribuem com cerca de 7% da receita da empresa. ” Estamos em uma fase em que as operações internacionais já não são tão pequenas, para enviar os produtos de avião, por exemplo, e nem são tão grandes, a ponto de fazer sentido montar outra fábrica”, disse Alessandro Carlucci na mesma entrevista.

Depois de forte crescimento em 2009 – até setembro, a receita líquida aumentou 19,7%, para R$ 2,9 bilhões, e o lucro subiu mais de 31,1%, para R$ 497,3 milhões a empresa – que há cinco anos sofreu com a forte concorrência de empresas como Avon, L´Oréal, Johnson & Johnson, Unilever, Nívea, quando o Brasil passou a ser de interesse para as grandes empresas estrangeiras – colhe os resultados de um plano de aumento dos recursos em marketing. Hoje a concorrência ainda é forte, mas não na mesma intensidade. “Tivemos a sensação de que tínhamos ficado para trás. E não porque investimos menos, pelo contrário, aumentamos, mas porque o investimento delas aqui triplicou”, disse Carlucci.

De acordo com ele não adianta ampliar a capacidade da fábrica porque a empresa está hoje em vários países, onde vende um número significativo de itens. “O atual modelo não funciona mais, nem do ponto de vista de eficiência econômica, nem do ponto de vista ambiental”, afirma. E cita o exemplo do México, uma operação pequena, para a qual a empresa mandava os produtos de avião. Agora manda de navio e paga mais impostos ao transportar água, já que 90% ou mais de um xampu é água. “Não faz sentido. Dentro de um ano e meio ou dois anos, quando tivermos que fazer uma expansão física relevante, queremos que seja no lugar certo, que ainda não temos. O estudo de revisão da malha logística, que deve estar concluído dentro de três ou quatro meses, vai identificar isso”, declarou Carlucci.