A conscientização quanto a saúde da pele tem levado o mercado de proteção solar a um sólido crescimento. As vendas de 2003 registraram R$200 mi, em 2004 subiram 91,5%, ou R$383 mi, de acordo com dados da Abihpec – Associação Brasileira da Industria de Perfumaria, Cosméticos e Higiene Pessoal. Para 2005 a previsão da Abihpec é de que o faturamento tenha atingido os R$536 mi.

Já os dados da Kline & Company, empresa especializada em análise de dados de mercado, as vendas de 2004 atingiram o patamar de R$439 milhões – 45,8% superior às de 2003, quando as vendas foram de R$ 301 milhões.

Considerando-se que o protetor solar ainda é tido pela maioria da população como um produto caro (os mais baratos R$ 18,00) ele ainda é pouco acessível aos consumidores brasileiros. Apenas 22% da população usam algum tipo de proteção sob o sol, segundo estudo da Marplan, outra empresa de análise de dados, publicado no jornal Valor Econômico. Ainda que as empresas tenham obtido a isenção do IPI (12%) no final de 2004, uma antiga luta da categoria capitaneada pela Abihpec, essa isenção não foi repassada inteiramente ao consumidor.

Em lugar do repasse as empresas têm apresentado novas tecnologias em seus produtos, atentas aos números progressivos do mercado – de 1,678 toneladas em 1998 para 3.308 toneladas em 2002, (Abihpec). Um exemplo dessa tecnologia é o uso do Dióxido de Titânio como ingrediente físico, utilizado por exemplo na linha Photoplus Livre de Óleo FPS 25, da Dermatus (79,80). O ativo (Uniqema) tem sido utilizado tanto em protetores solares para a praia e piscina quanto em produtos de uso diário. Além de amplo espectro de proteção (UVA e UVB), oTiO2 habilita valores altos de FPS, tanto pelo uso de TiO2 como único ativo numa formulação ou em combinação com outros filtros UV.

Entre os ativos de alta tecnologia mais utilizados em protetores solares estão: o dihidroxiacetona, ou DHA utilizados nos Autobronzeadores da Avon (R$ 18,99) e da Racco (34,80), que inclui ainda Erythrulose.O Avobenzona, filtro químico que confere ampla proteção anti-UVA utilizado na linha Photoplus Livre de Óleo FPS 25, da Dermatus, que inclui ainda Octil Salicilato, um filtro químico, anti-UVB e o Dióxido de Titânio Micronizado (filtro físico que confere proteção anti-UVA, anti-UVB e anti-UVC).

Assim como a Natura, que desenvolveu um Sistema Bioativador, para o seu Ativador de Bronzeado (Natura Fotoequilíbrio), um complexo de aminoácidos para estimular a produção de melanina e proporcionar um bronzeado mais rápido e intenso; a L´Orèal desenvolveu o Mexoryl®XL, um ativo exclusivo para a linha Capital Soleil, de Vichy. Trata-se de um ativo exclusivo e patenteado que oferece completa proteção dos raios UVA e UVB, fotoestável. O produto inclui ainda uma tecnologia de alta cobertura para as camadas mais profundas. A textura é um item importante: o produto tem textura ultrafluída, de secagem rápida e aparência matificante.  A linha tem produtos que vão de R$46 a R$70,20 (spray refrescante para crianças).

                          

A Nívea reformulou sua linha Nívea Sun e incorporou o Fator Azul à linha, uma tecnologia que permite que o produto entre em ação imediatamente, oferecendo proteção contra as radiações UVB e UVA e hidratação; em loções e cremes de texturas leves e suaves que acompanham as micro-ondulações da pele.

A Johnson e Johnson que detém 43% de mercado com a marca Sundown, de acordo com o ranking da Marplan, (em segundo lugar está a Nívea), não deixa por menos. A primeira empresa a lançar, há um ano, uma linha para pele negra, deverá investir no próximo verão 40% a mais de seu orçamento em mídia para manter a liderança de Sundown, sinal de que o mercado de protetores solares vem se tornando bastante concorrido.

Assim como a Johnson, O Boticário buscou nichos com os novos produtos de sua linha solar Golden Plus: desenvolveu o primeiro produto 2 em um solar do mercado nacional, com o Fluído Protetor para Cabelos e Corpo FPS 15. E, de olho no público masculino, que ainda reluta em utilizar protetores solares, apresentando maior índice de câncer de pele (16,5% segundo a Marplan). Desenvolveu ainda o Fluido Autobronzeador em Spray com Dyhidroxiacetona (DHA) e Erutulose, com formulação que permite um bronzeado leve, mais para saudável.

“A pele bronzeada é uma tendência mundial na moda”, sentencia Helena Garcia, Gerente de Marketing Skin Care e Linha Solar . “Ela comunica saúde. Mas a falta de tempo, fatores climáticos (não existe sol todo dia e todo o ano em grande parte dos lugares) e uma maior consciência com os perigos do sol são outros fatores que levam as pessoas a usar autoprotetores”, conclui.               
                                      

Mas o uso dos autobronzeadores mostra-se de 5 anos para cá uma tendência crescente de mercado no país. Os consumidores, em especial as mulheres acima dos 35 anos, começam a se conscientizar dos efeitos nocivos do sol. Especialmente em relação às manchas sobre a pele. Na esteira dessa conscientização começam a chegar ao mercado os primeiros produtos exclusivamente anti-manchas ou despigmentantes, uma corrente vinda do Oriente.

De acordo com a Abihpec, 50% das vendas de protetores solares em 2004 foi obtida através do sistema de venda direta, em que o consultor de beleza tem maior possibilidade de esclarecer ao consumidor sobre a necessidade de proteção a pele nas exposições ao sol.

Essa conscientização, de acordo com a Kline, deverá conduzir o aumento do consumo por volta de 15,2% ao ano até 2009, alcançando o valor de R$ 892 milhões.