A divulgação impressa das empresas cosméticas e de perfumaria internacional costuma ser elaborada, rica em informações, com fotos belíssimas e catálogos que incorporam, vez por outra, partes de campanhas publicitárias. Esta divulgação é ainda mais especial quando se trata de fragrâncias.

No Brasil o esmero com a divulgação dos produtos também é louvável e o capricho vem aumentando dia a dia. Os releases são apresentados aos jornalistas em pastas coloridas, elaboradas e algumas empresas já incorporam materiais recicláveis e brindes tipicamente brasileiros. A Chamma da Amazônia, por exemplo, divulga lendas da Amazônia em seus perfumes.

Algumas marcas já apresentam catálogos de produtos, em versões Primavera-Verão e Outono-Inverno, especialmente para maquiagem e fragrâncias, em produções ricas e criativas. Pastas, bolsas, nécessaire e uma infinidade de recursos são usados para melhor expressar o produto e os predicados das marcas.

Grande parte deste material é apresentado não só para a imprensa mas em divulgações junto a lojistas. De qualquer forma é um material que é, na maioria das vezes, reutilizado, reaproveitado ou guardado como preciosidade por colecionadores.

Internacionalmente a sua utilização é promocional e desempenha o papel de um porta-voz da marca e de seus produtos.
Os Contos Aromáticos – Aromatic Tales – , de Chanel é um dos melhores exemplos de material de divulgação já apresentados.  Ele já tem alguns anos e foi oferecido aos jornalistas brasileiros por ocasião de uma das visitas de Jacques Poge – o “nariz de Chanel” ao Brasil.

 
Jacques Poge, criador dos perfumes Chanel 

Este material, reunido em quatro volumes, numa embalagem de capa dura, contém em cada volume uma fábula sobre a criação das fragrâncias da marca francesa. Mais do isso o material é uma potente peça de marketing, em que se conhece com acuidade o conteúdo das fragrâncias através de suas notas, de onde elas foram trazidas, e produzidas por quem. Tudo isso de maneira lírica e competente. Trata-se da série Voyagers & Encounters oferecida pelo Diretor de Relações Públicas de Chanel que apresenta “Uma jornada ao redor do mundo para apresentar as essências naturais que estão contidas nos perfumes Chanel”.

cosméticos br conta resumidamente a história de um desses contos que descrevem as notas olfativas de maneira literalmente encantadora, além de mostrar algumas de suas belas ilustrações – Chanel nº 19 – A Princesa e o Mímico. Apreciem a história, de preferência inspirem-se com uma deliciosa fragrância por perto….  

                      

Num reino distante, que não conhecia dor, guerra ou o ódio, a perfeição e a felicidade eram maculadas apenas pela cegueira da bela filha dos reis.

Na idade da princesa se casar, os pais convidaram pretendentes de todos os reinos, que chegavam de todas as partes do mundo, com ricos presentes e vestidos em roupas suntuosas. Mas, uma vez que a princesa não podia vê-los, seu interesse pelos pretendentes era nulo. 

Um dia uma troupe de acrobatas italianos chegou ao reino.
O mais popular membro da troupe era um mímico que tinha grande habilidade em expressar os sentimentos humanos, que não podia falar. No entanto, informações sobre a princesa haviam chegado aos seus ouvidos e ele secretamente se apaixonou. Mas como poderia ele ter esperanças de impressioná-la?

O Mímico resolveu então compor um bouquet de encantamentos com fragrâncias que expressassem seus sentimentos. Lembrou-se da Toscana, sua terra natal, de campos que expressavam a harmonia da natureza e de que no mês de Maio o aroma da Íris que florescia nos campos lhe causava tremores. A virtude da Íris está em sua natureza nobre e ao mesmo tempo popular. Ele decidiu que a Íris seria o centro do bouquet.

A primavera e o nascimento da esperança que ela expressava para ele eram representados por um tipo raro de rosa que ele descobriu na França, na região de Grasse. A rosa diria à princesa da realização de promessas e esperança. Ele a colocaria no centro do bouquet junto com a Íris.
                                                            
                                                                              Rizomas da Iris sendo cortados

Mais flores e lembranças vieram a sua cabeça e ele buscava agora uma flor que expressasse a pureza absoluta dos votos de eterno amor. Lembrou-se que na Tunísia, enquanto se apresentava nos jardins da cidade, percebeu uma platéia arrebatada pela sensualidade e abandono, que se deviam não ao seu talento de mímico, mas ao aroma único da flor de laranjeira. A laranja amarga ou a laranja de Sevilha sustenta flores e frutos ao mesmo tempo. Simultaneamente a promessa e seu cumprimento. Por essa razão a flor de laranjeira foi incluída em bouques de noivas.  E parecia tão primordial que ele escolhesse escolheu fazer da nota o tema inicial do seu bouquet.

Assim, como às vezes acontece no mundo dos contos de fada e mágicos, o bouquet se tornou uma fragrância.
Rosa de maio, Iris Florentina e Flor de laranjeira,
que compõem a fragrancia

Um ano depois quando ele se apresentou como o 19º pretendente a mão da princesa. Delicadamente ele destampou o precioso frasco e levou-o mais próximo ao rosto da princesa. Assim que ele o fez a princesa se levantou estremecida de alegria, o rosto iluminado pelo radiante sorriso e anunciou que queria se casar com o décimo nono pretendente, uma vez que ele foi o único que conhecia a linguagem da alma.

Seus pais entenderam que sua filha tinha encontrado o amor verdadeiro não pela aparência, mas pelo amor pelos aromas que abrem um mundo cujo único horizonte é o da imaginação, um mundo de sonhos acessível apenas a todo viajante no universo ilimitado da mente.     

O casamento foi uma ocasião de grande felicidade e todos foram apresentados à fragrância nº 19. De presente chegaram flores de todos os países.
A Princesa e o Mímico construíram então para si um alfabeto próprio, feito de fragrâncias. Nascia então a nova linguagem que é ainda usada na comunicação de hoje.