Em Estudo Macroeconômico da Embalagem, realizado pelo economista Salomão Quadros Abre/FGV Retrospecto de 2015 e Perspectivas para 2016 , apresentados pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre) em fevereiro último, o setor de embalagens brasileiro em geral apresentou recuo de 4,31% na produção física de embalagem em 2015 em comparação ao ano anterior, com volume bruto de produção fechado em R$ 57,3 bilhões. Por outro lado, o economista aponta no Estudo que a taxa de câmbio em torno dos R$4 promete devolver às exportações parte da competitividade perdida e incentiva a substituição das importações.

O mercado de embalagens de cosméticos é um dos mercados de embalagens mais vibrantes, o que inclui os tipos diversificados de embalagens e seus materiais utilizados em todas as regiões. O mercado global é dividido com base em tipos de embalagens utilizadas, como: garrafas, tubos, potes e recipientes, bastões, bombas e dispensers, tipo canetas, roll-on, tampas e closures, entre outros. Esse mercado se estende por várias partes interessadas, tais como fabricantes de cosméticos, fabricantes de embalagens de cosméticos, comerciantes, distribuidores e fornecedores de matérias-primas.

A boa notícia é que o mercado mundial de embalagens de cosméticos deve crescer a uma taxa média anual de 5,4% até 2018, de acordo com relatório Cosmetic Packaging Market Value Share da Marketsandmarkets, agência de pesquisa do mercado premium.

No Brasil a crise econômica, o aumento da carga tributária e a alta do dólar alteram o mercado de embalagens de cosméticos desde o segundo semestre de 2014 de forma quantitativa, por conta da queda nas vendas do setor e qualitativa, que leva algumas empresas de higiene e cosméticos a substituírem embalagens. Nesse quadro, a pressão na negociação com fornecedores também aumenta e, como último, mas necessário recurso, há o repasse de parte do custo maior aos preços. Os consumidores por sua vez, deixam a fidelização às marcas substituindo-as por marcas mais baratas.

“As marcas e fabricantes inovam para manter os consumidores globais não apenas envolvidos, mas para desenvolver fidelidade à marca, o que está se tornando, cada vez mais intangível nesse momento atual, quando os consumidores têm mais opções do que nunca em produtos embalados”, afirma David Luttenberger, diretor global do departamento de Embalagens, da agência britânica Mintel, de pesquisa de mercado, ao anunciar tendências em embalagem em dezembro de 2015.

A pressão da moeda estrangeira sobre os gastos com insumos também trouxe alternativas interessantes para o mercado de cosméticos, que passou a exportar mais, a abrir lojas em outros países e a buscar soluções em eficiência operacional, que não alteram a qualidade dos produtos , exploram funcionalidades e buscam nichos de mercado que tragam maior valor agregado ao consumidor, como as alternativas mais sustentáveis.

Sustentabilidade

O Grupo Boticário, dono das marcas O Boticário, Eudora, quem disse berenice? e The Beauty Box, a escolha das embalagens de cada uma dessas marcas busca atender ao perfil de seus consumidores, mas têm um denominador comum: “Esses atributos são as principais referências para determinar o design da embalagem e um dos principais atributos, abordados de forma transversal a todas as marcas e linhas, é a sustentabilidade, “diz Rodrigo Madalosso Wielecosseles, Gerente Desenvolvimento de Produtos de O Boticário .

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Grupo Boticário: quem disse berenice? The Beauty Box e O Boticário

“O ciclo do consumo gira de acordo com as tendências e com as necessidades dos consumidores. Por este motivo, as embalagens de produtos ganham novos volumes, tamanhos e shapes cada vez mais adequados à realidade”, diz . Ele explica que a empresa, além de olhar para as embalagens sob o viés do lançamento, também se preocupa com o pós-consumo. “Queremos cada vez mais materiais de menor impacto ambiental que, quando descartados, tenham melhor aceitação pelas cooperativas de catadores e empresas gerenciadoras de resíduos credenciados, além de um cenário de reciclagem favorável,” afirma.

Este é um movimento que se articula em todo o mundo. A semana passada a European Bioplastics apoiou um novo relatório do Parlamento Europeu a revisão da legislação de resíduos , que enfatizou o papel dos bioplásticos para ajudar uma transição para a economia circular. O relatório produzido pelo Membro do Parlamento Italiano (MEP) Simona Bonafè, define as medidas legais necessárias para uma mudança de uma economia linear para uma circular, onde os resíduos são considerados um recurso valioso e move-se para uma bioeconomia de baixo carbono, que usa os recursos de maneira mais eficiente. O relatório sobre a diretiva relativa a embalagens e resíduos de embalagens também pediu à Comissão que avalie a viabilidade de se buscar soluções de embalagem de base biológica e/ ou biodegradáveis e compostáveis.

SOUSOU flexíveis coloridos e econômicos nas prateleiras de farmácias

No Brasil a linha SOU, da Natura, é um exemplo de busca por qualidade com menos impacto ambiental por trazer um pouch de plástico reciclável com tampa, para produtos de higiene pessoal. “Lançada em 2013, SOU ressignificou todo o ciclo de desenvolvimento de produtos, pautando suas escolhas no que é essencial. As embalagens da linha têm um design exclusivo e eficiente, que utiliza 70% menos plástico e propiciam 60% menos emissões de CO2 que a média das embalagens convencionais do mercado, além de gerar menos resíduo,” diz Alessandro Mendes, Diretor de Desenvolvimento de Produtos.
A marca também apostou nas embalagens para perfumaria feitas com vidro reciclado pós-consumo. “Fomos pioneiros no Brasil ao usar material reciclado nesta que é uma das formas mais nobres do vidro: o frasco de uma fragrância. Os benefícios ambientais são expressivos, com reduções nas emissões de CO2. Ainda em Perfumaria oferecemos refil em PET 100% reciclado pós consumo, para linha Ekos,” diz Mendes.

Tendências

Entre as tendências apontadas pelo diretor global do departamento de Embalagens, da Mintel para este ano, estão: a impressão digital, que cria experiências ‘hiper’ pessoais; mensagens claras no rótulo para aumentar a transparência da marca e a confiança na compra; embalagens ecologicamente responsáveis, que capacitam a consciência social; híbridos que oferecem benefícios funcionais e ambientais, grande presença de prateleira, mas tamanho certo de embalagem que atenda às necessidades de deslocamento dos consumidores e aplicativos que apóiem embalagens conectadas por celulares. “Em todas as partes do mundo os consumidores estão exigindo mais informações sobre o que estão comprando. Ao mesmo tempo, buscam menos confusão nas embalagens, que confundem suas decisões de compra,” apontou David Luttenberger.

A empresa global Avon, que tem no Brasil seu maior mercado de beleza e higiene pessoal, utiliza embalagens importadas de parceiros globais, mas tem alguns parceiros no Brasil para a produção de refis de pó compacto e sabonete líquido. “O design é global. O que fazemos é tentar encontrar um parceiro local que atenda às especificações técnicas, de acordo com a estratégia de cada categoria e de cada produto,” diz Ricardo Patrocínio, vice-presidente Comercial de Marketing da Avon Brasil, que faz a logística reversa de seus produtos por enquanto apenas no estado de São Paulo. De acordo com a Avon, a empresa vende um batom a cada 3 minutos no país.

Maquiagem

Segundo o levantamento da Kantar Worldpanel, o batom é considerado a porta de entrada para o mundo dos cosméticos. Aliás, um dos poucos segmentos do setor de cosméticos no Brasil que a alta da inflação, o desemprego e as mudanças econômicas não foram capazes de abalar foi o de maquiagem. Um estudo da agência de pesquisa revelou que o mercado cresceu 3,2% em valor em 2015 se comparado com o ano anterior.
PrimeraMaquiagem continua a vender bem: agora com acessórios incorporados

“A embalagem tem participação muito importante nos produtos de maquiagem. Além de chamar atenção pelo seu design, ela precisa maximizar o desempenho do produto através de aplicadores e demais recursos desenvolvidos especialmente para cada aplicação,” diz Ricardo Petriccioni, diretor da Primera, que importa principalmente embalagens de maquiagem e seus acessórios: pincéis, curvadores de cílios, aplicadores de sombra. Acessórios normalmente são mais complicados de serem carregados em nécessaires. Assim, tornam-se cada vez mais parte integrante de cases e kits de maquiagem. “Temos notado que as marcas especializadas em maquiagem buscam incorporar esses elementos na embalagem para agregar valor ao produto e torná-lo prático para as consumidoras. A ergonomia e facilidade de utilização são fatores importantes e ajudam a fidelizar o consumidor”, diz Ricardo.

Flexíveis

De acordo com David Luttenberger, da Mintel, as embalagens flexíveis não são mais consideradas de menor qualidade. Quase um terço, 32%, dos consumidores associam embalagens flexíveis a serem ‘modernas’ e as marcas estão investindo em oportunidades de marketing nessa área. “As marcas de fato inovadoras olharão para a próxima geração de híbridos rígidos/flexíveis que oferecem benefícios funcionais e ambientais, juntamente com grande presença de prateleira.” David ressalta que os consumidores irão, cada vez mais, se voltar para essas alternativas ecológicas como fator decisivo de compra. “Portanto, as marcas não se podem dar ao luxo de ignorar esse fato ao desenvolver suas estratégias de posicionamento e marketing,” apontou no Estudo.

SOU, a embalagem pouch com tampa da Natura, que é praticamente um refil, além dos benefícios ambientais citados anteriormente pelo Diretor de Desenvolvimento de Produtos da Natura, inaugurou uma nova forma de produção. A embalagem de SOU chega à fábrica na forma de rolo de filme plástico, economizando espaço no transporte, entra em uma única máquina que sela o filme, corta no formato da embalagem, recebe o produto e coloca a tampa. Hoje seu design é amplamente aceito no Brasil graças à campanha da marca na TVs, que propõe um novo jeito de consumir, que abre mão de excessos e favorece um menor impacto ambiental. Suas embalagens coloridas e leves são vendidas em farmácias Raia Drogasil em todo o estado de São Paulo e em Julho estarão em todo país.

De acordo com a Mintel, em 2016, as marcas devem fornecer embalagens que os consumidores veem como ‘do tamanho certo’ para si e para ocasiões de fácil transporte, a fim de superar a crescente falta de fidelidade à marca.

Novidades e Inovações

A MWV, MeadWestvaco Corporation, empresa global de embalagens e soluções para embalagens, traz na terceira edição do Packaging Matters™, estudo anual sobre o impacto das embalagens na satisfação com o produto e no comportamento de compra do consumidor. O Estudo mostra que 31% dos consumidores globais consideram a embalagem muito ou extremamente importante para sua satisfação geral com produtos. No Brasil, este dado aumenta para 52%, acompanhado da qualidade e segurança – 30% dos brasileiros acreditam que as empresas podem fazer mais para melhorar a segurança dos produtos por meio das embalagens, dado um pouco acima da média mundial, que é de 25%.

Atenta aos problemas causados pelo Zika vírus e suas complicações na saúde da população, a empresa apresenta suas soluções em sprays e dispensers ideais para o uso em repelentes. São sprays com nebulizações diferentes para atender variadas formulações de repelentes, entre os mais viscosos e os mais fluídos. O portfólio de soluções contempla também pumps para serem aplicados em embalagens tamanho família.

Da Aptar, Proteo traz  uma embalagem sachet flexível para mercado de cosméticos com design, shape, tampa e modo de usar distintos. E GS Adore que traz  design e o clip do atuador que esconde e protege  o orifício do atuador, deixando o produto seguro para ser carregado na mala ou na bolsa.

Da Albéa traz Premia, embalagem sem ar para loções complexas, fórmulas sofisticadas. Esta embalagem airless prémio combina plataforma de NEA sem contacto com o ar e raios UV graças ao seu sistema sem ar e de proteção extra e à sua inserção auto-selante. Tem garrafa dupla, possibilita alto nível de costumização e traz três atuadores.

A Baralan Brasil lançou no ano passado uma embalagem inovadora: um spray para pó em que, acionada a válvula, ela automaticamente puxa o pó, passando pelo pescador até a saída do atuador.

A LeafLAB (SWM), da França, criou tecidos ecológicos, feitos a partir de fibras vegetais biodegradáveis que podem ser utilizadas em uma variedade de produtos, incluindo cosméticos. Os materiais são adequados para utilização em produtos destinados a armazenar e liberar fórmula, tais como máscaras faciais e folhas de limpeza da pele, entre outros.

A Natura em seu recente lançamento  Tododia Hidraspray um hidratante em spray,  utiliza a tecnologia Bag on Valve (BoV), viabilizando a aplicação de produtos com texturas mais densas na forma de spray. O produto é envasado dentro da bolsa enquanto o propelente fica no espaço entre a bolsa e a lata. Quando o botão do spray é pressionado, a bolsa fica comprimida e o produto é dispensado para fora. A liberação do produto pela válvula, por meio da ação de ar comprimido na embalagem, proporciona um jato contínuo. Mesmo processo do fotoprotetor Sundown, da Johnson & Johnson. O uso de ar comprimido como propelente é mais favorável ao meio ambiente do que os gases normalmente utilizados em aerossóis. A aplicação pode ocorrer em qualquer ângulo, mesmo quando a embalagem estiver de cabeça para baixo.

A Bemis lançou o tubo laminado SilverGlam que, além do  alto brilho, oferece barreira à luz, oxigênio e vapor d’água. Um dos principais benefícios da embalagem é a manutenção de memória do material, propiciando uma utilização perfeita da embalagem ou o consumo total do produto, evitando desperdícios.