No recém-lançado relatório da Mintel, Brazilian Lifestyles 2015 (Estilos de Vida do Consumidor Brasileiro), que cobre todos os setores de consumo do país a agência de pesquisa de mercado avalia que, apesar do Brasil passar por uma crise econômica, algumas áreas apresentarão melhores desempenhos que outras. Segundo aponta, Beleza e Cuidados Pessoais, e Itens para Cuidados da Casa são alguns dos setores que devem ter um crescimento consistente nos próximos anos.

A agência avalia que o mercado de Beleza e Cuidados Pessoais deve continuar a crescer, mas com taxas moderadas, quando comparadas com números dos últimos anos, com crescimento médio anual entre 2015-19 de 10,2%, atingindo os R$ 107,30 bi em 2019, contra um crescimento anual de 13% entre 2010-14. Esse crescimento menor – mas ainda assim consistente e como nos últimos 15 anos, de dois dígitos – é causado principalmente pela alta da inflação, dos impostos, desaceleração do crédito e renda – fatores diga-se,  relacionados à administração federal e não à competência dessa indústria no país. Assim, a categoria de cosméticos mostra maior crescimento quando comparada com outras área de consumo, 63%, entre 2014 e 2019.

No Brasil, os últimos anos foram de muitas mudanças no mercado de beleza e cuidados pessoais, refletindo no seu desenvolvimento. Segundo o Relatório da Mintel, entre 2011 e 2012, o mercado cresceu 16%, e entre 2012 e 2013 cresceu 13%. Já em 2014, o mercado obteve um crescimento de 10,8% em comparação a 2013, atingindo R$66 bilhões. Algumas categorias sofreram com a desaceleração da economia e a alta da inflação, que geraram uma queda significativa no poder de compra dos brasileiros. E exemplifica: o mercado de varejo de produtos para cuidados com o corpo cresceu 16% entre 2012 e 2013 e estima-se que tenha crescido 14% entre 2013 e 2014, atingindo no ano passado R$ 4,096 bilhões.

Para 2015, a agência prevê um crescimento de 12% em relação a 2014, de acordo com o relatório Produtos para Cuidados com o Corpo – Brasil, janeiro de 2015. Porém, outras categorias consideradas indispensáveis pelos brasileiros, como desodorantes e xampu & condicionador, continuaram crescendo de forma acelerada nos últimos anos. Assim aponta o relatório Desodorantes – Brasil, julho de 2014, por exemplo, o crescimento estimado era de 18,1% em 2014, atingindo pouco mais de R$6 bilhões.

“No meio do atual cenário econômico brasileiro de crise há como destacar algumas oportunidades de mercado, principalmente nas áreas de Beleza e Cuidado Pessoal, e Produtos para a Limpeza da Casa. Essas categorias ainda terão boas projeções de crescimento até 2019 mesmo que numa escala menor do que no passado e que o consumidor esteja optando por produtos mais simples e básicos”, afirma Renata Moura, analista sênior de Pesquisa de Consumo, da Mintel.

As novas medidas de ajuste fiscal foram anunciadas em janeiro deste ano e o setor de cosméticos foi atingido. Uma dessas medidas incide sobre as alíquotas de PIS e Cofins de 9,25% para 11,75%, acarretando na alta dos preços dos produtos importados.  Com o poder de compra dos consumidores diminuído, houve impacto em algumas categorias de beleza e cuidados pessoais e a diminuição no número de lançamentos. Tudo isso contribuiu para o mercado crescer em ritmo mais moderado nos últimos anos. Entretanto, empresas estrangeiras chegaram ao mercado, movimentando-o e tornando-o ainda mais competitivo.

“O crescimento para os próximos anos será moderado, e os consumidores terão de optar pela compra de produtos indispensáveis. Compras online, que já são baixas na categoria de beleza e cuidados pessoais, provavelmente continuarão abaixo de outros canais de compra, como o varejo físico e a venda porta a porta, ” acredita Juliana Martins, Analista de Pesquisa, da Mintel.

De acordo com o Mintel GNPD, o lançamento de novos produtos de beleza e cuidados pessoais sofreu altos e baixos nos últimos anos, o que pode ter refletido nas vendas do setor. Em 2012, os lançamentos cresceram 95% em relação a 2011. Já em 2013 houve um declínio de 28% a menos em relação ao ano anterior. Em 2014, o número de lançamentos obteve uma leve recuperação, apresentando um crescimento de 14% em relação a 2013.

Varejo

Por outro lado, o mercado foi aquecido pela chegada de empresas estrangeiras ao país, tornando-o ainda mais competitivo. A Sephora chegou em 2010 e já conta com 14 lojas no país. Para 2015, a pretensão é abrir mais onze lojas. A empresa peruana de venda direta Belcorp chegou em outubro de 2011, com planos de investimento de US$ 200 milhões em 2015. Mais recentemente, o país recebeu (em outubro de 2014) a chegada definitiva da inglesaThe Body Shop. Seus produtos já são vendidos nas lojas da marca gaúcha Empório Body Store e os planos são de abrir 500 franquias nos próximos cinco anos. Em novembro de 2014, foi a vez da marca de cosméticos australiana Aesop (marca da Natura) chegar em São Paulo.

Segundo o relatório Beauty Retail, Brazil – November 2014  (Varejo de Beleza – Brasil, novembro 2014), apenas 3% dos usuários de produtos de beleza disseram ter comprado cosméticos ou produtos de cuidado pessoal pela internet nos últimos 12 meses. Dentre eles 25% disseram ser muito importante que as lojas ofereçam formas de experimentar um produto antes de comprá-lo, com 44% dos compradores que gostam de cheirar um produto antes de comprá-lo. Ou seja, a fragrância é um fator de influência na decisão de compra. Esses produtos são de forte apelo sensorial, ou seja, quando os consumidores os compram, gostam de sentir o cheiro e a textura. Em relação à maquiagem, cerca de seis em cada 10 (59%) usuárias tendem a experimentar os produtos antes de comprá-los.

Segundo a tendência Sense of the Intense identificada pelaMintel, experiências físicas e sensoriais intensas trazem um sentido mais profundo à vida, às marcas e aos produtos. A necessidade do ser humano de passar por experiências intensas perdura por toda uma vida, sendo uma maneira de aliviar o estresse do dia a dia.

Fonte: Mintel – Previsão do melhor e pior cenário do mercado de beleza e cuidados pessoais no Brasil, em valor, considerando os preços atuais, 2009-19

A agência aponta em seus relatórios, que jovens adultas entre 16 e 24 anos são as mais propensas a comprar online: 13% afirmaram ter comprado produtos de beleza pela internet no último ano. E 59% dessas jovens mulheres gastaram mais com a categoria em 2013, em comparação com 42% da média nacional. Já os homens compram vários artigos com mais frequência pela internet do que as mulheres. A única categoria que representa uma exceção é a de cosméticos e cuidados pessoais. Por exemplo, 8% das mulheres entre 45 e 54 anos compraram este tipo de produto online nos últimos 12 meses, em comparação com 3% dos homens na mesma faixa etária.