A FCE Cosmetique – Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria Cosmética – deste ano, realizada pela NürembergMesse Brasil entre os dias 26 e 28 deste mês foi um sucesso retumbante. Todos que lá estiveram sabem disso. A direção já contabilizou: a feira recebeu cerca de 25 mil visitantes, 10% a mais que no ano passado. Nem é tanto assim, mas por que será que a maior feira tecnológica da América do Sul este ano foi particularmente boa?

Se não foi por causa do número elevado de visitantes, nem o espaço (que abrigou também a FCE Pharma – Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria Farmacêutica – que, mais do que nunca foi uma combinação de segmentos e públicos complementares e equivalentes) amplo e inteiramente repleto de estandes, também não foi pelo público profissional que é praticamente o mesmo de todos os anos, acrescido de mais um tanto.

A FCE Cosmetique deste ano na verdade somou interesses, de expositores e público cada vez mais interessados neste mercado que faturou R$21,7 bilhões no ano passado. Tanto um como outro sabia ali que a feira vale a pena para fazer bons contatos, solidificar relações e, é claro, realizar bons negócios, o que a maioria das feiras segmentadas oferece. O que poucas na verdade oferecem é um ambiente em que os profissionais se conhecem tanto, que têm o prazer do encontro e que faz negócios se divertindo, conversando muito, se abraçando e comendo bolo de festa.

Trata-se de uma feira em que andar por cada um de seus bem organizados corredores, repletos de estandes interessantes e encontrar as pessoas com que se fala normalmente por telefone e emails é gostoso. É claro que cada estande se esmera por receber bem seus convidados apresentando seus melhores produtos e lançamentos. Mas o clima de festa é que é contagiante. Havia profissionais conversando por todos os lados: nas salinhas de reunião, nas mesas de trabalho (que pela animação mais pareciam mesinhas de bar de praia), onde ainda que a conversa fosse de negócios e muitas vezes demorada, a predisposição para a conversa descontraída e prazerosa deixava seus participantes com dificuldades para se despedir. Só que ninguém tinha pressa. Todos queriam aproveitar os encontros ao máximo, passar bem os assuntos, sentir o interlocutor, contar casos, enfim, explorar o clima amistoso antes de partir para a realização de bons negócios.  E é essa a graça que fez o sucesso da FCE Cosmetique.

Pelos corredores, cheios na medida, as pessoas passeavam pra lá e pra cá entre os estandes, revendo amigos, concorrentes e clientes. Os estrangeiros entravam no clima olhando para tudo entre admirados e encantados.

Havia sul-americanos, alemães, italianos e franceses. Estes últimos pela segunda vez com o Espaço/Pavilhão França. O deste ano estava mais bem situado e colocou os franceses, que este ano comemoram o Ano da França no Brasil, no meio do burburinho. Bem organizados, trouxeram designers, laboratórios e empresas de matérias-primas – todos agendados com clientes brasileiros e com a imprensa.

França no Brasil

O Espaço/Pavilhão da França, promovido pela UbiFrance, agência francesa para a promoção de exportações, é a oportunidade para pequenas e médios empresários franceses virem prospectar o mercado brasileiro e também buscar o escoamento da produção francesa para o setor, já que na Europa e em outros mercados mundiais a crise teve maior impacto e o setor no Brasil vem crescendo continuamente. “A idéia é trazer empresas que ainda não estão implantadas aqui”, diz Regiane Godoy Ramos, da área de bens de Consumo da UbiFrance. “São pequenas e médias empresas francesas fornecedoras de produtos e serviços que precisam desse apoio para prospectar o país pela primeira vez”, complementa. Mas não são só os fornecedores que a França estará trazendo ao país para prospecções: a UbiFrance, que atende a todos os setores de produção francesa e que tem escritórios em três capitais do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília) estará trazendo em 2010 empresas cosméticas francesas para a feira Cosmética, de produtos acabados.
 
Este ano estiveram representadas na FCE Cosmetique as empresas Lemahieudesign, HDM Design, PI Design, Holdis, os laboratórios de análise Bio Alternatives, BioSynthis, Biovays, Solev, Sedna, Ipack, Indena, Olvea, PCAS,  Majantys.

“Estamos criando uma joint venture em São Paulo com a Alergisa, que tornará mais simples para nossos clientes o processo de análises in vitro”, diz Alain Deguercy, CEO da Bio Alternatives, um laboratório de soluções para testes de eficácia de cosméticos, que realiza cerca de 400 tipos diferentes de testes para mais ou menos 400 clientes no mundo e que apresenta como diferenciais respeito aos protocolos métodos científicos, prazos rigorosamente cumpridos e parcerias estabelecidas com Universidades. “Não damos apenas os resultados, explicamos o que significam, para que o mercado possa utilizá-los facilmente e isso faz diferença”, diz Deguercy. 

                            

“O mercado brasileiro difere do mercado francês por conta da distribuição massiva além do fato de que no Brasil o mercado de luxo está começando”, avalia Thierry Lemahieu, do estúdio Lemahieudesign, que já desenvolveu linhas para as marcas Oriflame e Marie Claire. O designer vê de maneira positiva esse choque de culturas e mercados: “Acho que nós designers poderemos ter um intercâmbio de culturas e idéias bastante interessante.” Para ele todo o trabalho de um designer tem a ver com a possibilidade de definir a qualidade do produto, sem perder de vista a história da marca. “É uma questão de criar peças novas, mas com a identidade da marca, uma evolução que encerra a tradição”, ressalta.

Mas não foi só a França que enviou representantes. Da Alemanha veio a Kuhs Kosmetik, especializada em cuidados para peles sensíveis, da Itália a Olsa, trouxe equipamentos, da Suíssa, a Lipoid/Cosmetochem trouxe lecitinas, fosfolipideos e óleos de alta pureza, entre outras que mesmo sem estandes na FCE vieram conferir o mercado e estabelecer contatos como a Montana, do Peru, de insumos e fragrâncias para cuidados pessoais ou Bi-Packing da China, de embalagens.

Congresso

Promovido pela ABC – Associação Brasileira de Cosmetologia, o 23° Congresso Brasileiro de Cosmetologia, que todos os anos traz discussões interessantes, este ano teve como tema central “Cosmetologia: Inovação e Sustentabilidade”, com a presença de renomados profissionais, nacionais e internacionais. Destaque para o cientista conselheiro da L´Oreal Roland Roguet que falou sobre o desenvolvimento dos laboratórios Epi Skin e Skin Ethic (ambos do grupo L´Oreal) de peles artificiais para testes de cosméticos. De acordo com o cientista, estas discussões deverão ajudar a implantar uma lei contra testes em animais em outras partes do mundo, a exemplo da Europa que aprovou e implantou a lei este ano. “Se o mercado passou a exigir produtos naturais ou orgânicos é um contrasenso que este tipo de prática continue”, disse Roguet. Outro destaque foi a Profa. Dra. Isabel Hoffman Miles, presidente e membro de conselho da Iberian e Angolan Federations on Anti-Aging Medicine and BioMedical Technologies, que expôs um estudo sobre o uso de células-tronco no cuidado da pele.

Entre os lançamentos, destaque para a Cosmotec, fornecedora de matérias-primas cosméticas, que apresentou o Golden Glamour 24K batom que possui, entre outros ingredientes, folha de ouro; e para a Arch Personal Care que lançou o anti-aging Metabiotics Resveratrol premiado com o BSB Innovation Prize 2009 em Munique, Alemanha. A Bayer lançou o BayQsan, uma linha de produtos de dispersões poliuretânicas; a Beraca, que trouxe Beracare Ars, alternativa natural para o silicone e o Biofunctional Buriti Extract, extrato orgânico do óleo da fruta do Buriti. A empresa consagrou durante a feira sua parceria com a Greentech, empresa de tecnologias limpas para os setores cosmético e farma. A empresa é uma gestora de investimentos com foco em negócios sustentáveis, especialmente em energia renovável, água e tecnologias limpas. A Makeni trouxe uma nova tecnologia em encapsulamento de filtros UV em proteção solar e soluções em hidratação para mulheres com mais de 50 anos, entre outros produtos. A Digimed, desenvolvedora e fabricante de produtos para instrumentação analítica e pesagem para processo ou laboratório trouxe medidores portáteis de pH/ORP, Turbidez, Consutividade, OD, Cloro, Cor, Ferro e o Medidor portátil para DQO e uma balança industrial portátil, entre outros equipamentos. A Vinox lançou uma envasadora volumétrica para esmaltes a SGD Brasil apresentou uma linha de frascos de vidros reciclados.

                            

A empresa proporcionou a seus clientes pelo segundo ano consecutivo a palestra com Nuno Cobra, treinador dos pilotos de Fórmula 1 Airton Sena e Mika Haikkonen e do dono do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, entre outras pessoas de sucesso. Uma idéia inteligente da SGD, especialmente num momento de estresse que uma feira sempre acarreta. Divertido, Cobra lembrou aos presentes de seus atos mecânicos e maléficos para o organismo e o espírito e indicou a essencial obtenção da força para o fortalecimento do coração. Suas recomendações foram simples: caminhadas diárias e exercícios variados e desafiantes, mais tempo de sono, mais mastigação para os alimentos, banhos frios, bons pensamentos e o prazer a cada um desses atos. Sobretudo ser insistente com os desafios. “É necessário que a pessoa vivencie com seu corpo, uma realidade concreta de conquistas, para que ela obtenha ma desenvoltura mental, segurança, otimismo, vibração diante da vida”, pregou Cobra.

A NürembergMesse Brasil deve estar se regozijando: no enorme estacionamento do Transamérica, no último dia da feira não havia vagas para um carro sequer. Nem o estacionamento da rua de trás. Do lado de dentro a atmosfera agradável e refrigerada no ponto certo, sinalizava que o trabalho foi bem feito e provavelmente gerou bons negócios para os expositores, ou, no mínimo para a NürembergMesse já que no ano que vem todos os participantes vão querer voltar.