Beyond Beauty de Paris – negócios apesar da crise 

Com a realização da Hair Beauty no Riocentro, no Rio de Janeiro (3 a 5 de outubro), o encerramento no dia 1°de setembro da Beuty Fair e o fim da Cosmética, o mercado de feiras de cosméticos novamente se movimenta.

A disputa pelas empresas acabou por segmentar feiras e participantes. A feira do Rio de Janeiro – Hair Beauty – Feira Internacional de Beleza, Cabelo e Estética -, organizada pela Fagga Eventos, que reúne mais de 180 expositores tem expectativa de atrair este ano 35 mil profissionais e empresários da indústria da beleza, voltados para o segmento de cabelos, segundo maior mercado consumidor de produtos para os cabelos do mundo, com vendas líquidas (ex factory) de R$ 5399,5 milhões em 2008. Mas a Hair Beauty é também uma feira para profissionais de estética.

Na edição 2008, a Hair Beauty reuniu mais de 180 expositores de produtos, serviços e equipamentos para Estética e Cabelos. Ao todo, passaram pela feira cerca de 30 mil pessoas, que assistiram a shows com hair stylists nacionais e internacionais, participaram de workshops técnicos, simpósios de estética, jornadas de manicures e um total de 66 horas de cursos paralelos. Comparado à sua primeira edição, em 2007, a Hair Beauty 2008 registrou um crescimento de 80% de área e 115% de público.

Para 2009, a feira já está 25% maior em relação ao ano anterior e a expectativa da Fagga Eventos é alcançar um crescimento total de 50% em relação ao ano anterior. As empresas de estética estão aumentando cada vez mais a sua participação no evento e apostando no Rio de Janeiro como um pólo de tendências e um cenário ideal para a geração de novos negócios.

Junto com a realização da Beauty Fair em São Paulo, o mercado de feiras de beleza praticamente se definiu com o fim da Cosmética, já que a feira de negócios, especialmente internacionais, realizada até o ano passado pela Reed Alcantara, em parceria com a Abihpec não será mais realizada: “Entendemos que não é possível repartir o mercado em muitas feiras e, de comum acordo com a Reed Alcantara, decidimos que não há mais interesse em fazermos outra feira”, disse João Carlos Basílio da Silva, presidente da Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

A Beauty Fair – Feira Latino-Americana de Cosméticos e Beleza, realizada pela Beauty Fair Eventos e Promoções deste ano teve 350 expositores, representando mais de 750 marcas e movimentou durante os seus 4 dias de realização R$242 milhões, 72% a mais que no ano passado e recebeu 94 mil visitantes. Trouxe um grande número de atrações internacionais, entre elas a equipe da Vidal Sasson Academy e um evento técnico para coloração, com o Creative Color International. Houve ainda um Fórum de Negócios, que aproximou lojistas e distribuidores do setor, além de pavilhões internacionais da China, Estados Unidos e Itália.                                    
                           

“Estamos avaliando a possibilidade de atrair mais países”, disse Luciane Beltran, diretora da Beauty Fair. Ela explica que o ambiente de shows para profissionais não atrapalha a área de negócios porque estas áreas são bem separadas. Há um pavilhão específico para a área de negócios. “Somos favorecidos pela infra-estrutura do Center Norte, onde a feira é realizada, que tem paredes para cercar esta área”, conta. “A feira teve pessoas jurídicas visitantes de toda a América Latina, EUA, Angola, Itália, China e Espanha, porque o Brasil é a 3° maior economia, é um país exportador e também gera oportunidades de negócios”, acrescenta.

Quando surgiu há quatro a Beauty Fair provocou um racha no mercado de feiras, com muitas empresas se dividindo entre ela e a Cosmética (na época parceira da Sogecos). Algumas empresas optaram pela Beauty Fair por ela ser uma feira mais comercial, de propósitos comerciais e de divulgação mais imediatos. Há quem diga até hoje que o racha se deu porque um dos parceiros da feira é a Ikesaki, importante varejista, cliente de empresas cosméticas.

“No primeiro ano pode até ter sido, mas hoje temos muitas marcas participantes que nem fornecem para a Ikesaki”, avalia Luciane. De acordo com ela as empresas optam por participar da Beauty porque ela abrange toda a cadeia do mercado comercial. “Buscamos trazer a indústria e o varejo – perfumarias, atacadistas distribuidores, farmácias, drogarias e supermercados. E trazemos também o público profissional– esteticistas, manicures, etc para os quais oferecemos congressos e workshops. “Quase não temos público, apenas alguns acompanhantes de profissionais que ao menos conhecem o mercado”. 

Algumas empresas, entretanto buscam contatos internacionais em feiras de prestígio internacional, como a Cosmoprof de Bolonha, e sua edição americana em  Las Vegas, realizadas pela Sogecos, a Middle East, em Dubai e mais recentemente na feira de Paris Beyond Beauty, com empresas como a Amazônia Viva e Surya Brasil que já participaram de outras edições.

                         
                        Beauty Fair – caravanas lotam a feira

A Surya Brasil participou da seção Natural & Bio da Beyond Beauty/Cosmeeting, para apresentar suas linhas de coloração Henna Pó e Henna Creme com certificação Vegan e sua linha masculina Sapien Men (com certificações Ecocert, Cosmebio, Vegan e Peta-Cruelty Free), entre outras, apostando no mercado europeu para produtos com certificação. Hoje a França é o terceiro maior mercado da Surya (após Brasil e Estados Unidos) e os produtos da marca podem ser encontrados nas redes Casino, Nouveaux Robinsons, Beauty Monop (Monoprix) e em lojas como Le Monde Bio, Biocosme Paris, Espace Beauté, entre outras. “O fato de já estarmos com uma distribuição local na França nos ajudou bastante a viabilizar algumas negociações com cadeias de lojas menores e independentes”, diz Vinicius Vasconcelos, da Surya.

Em sua sétima edição da Beyond Beauty, que aconteceu neste ano na Paris Expo (Porte de Versailles), apesar da crise financeira global a Europa, registrou um crescimento de 4% em termos de visitantes e teve um público profissional estimado em 19 mil pessoas, 28% das quais estrangeiras. “É a necessidade de se reafirmar coletivamente encontrando outras pessoas, especialmente quando o ambiente econômico é difícil” disse David Bondi, presidente da ITC France, organizadora do evento ao site Premium Beauty News.

Ele também credita o bom afluxo a feira à necessidade de renovação “descobrir novos produtos em nichos preciosos, produtos orgânicos e em pensar no desenvolvimento de produtos para o futuro.

“O Brasil tem um conceito de feiras com base no modelo de grandes negócios mas também no de fazer relacionamentos”, acredita Luciene da Beauty Fair. “Há alguns anos quando não havia tanto desenvolvimento de tecnologias as feiras eram só de relacionamento. Hoje os lojistas vêm prontos para fazer negócios.

Quem vem de estados distantes como o Rio Grande no Norte hoje tem acesso ao seu estoque online e vêm à feira para fechar negócios.

Seja como for, relacionamentos ou comercialização, segmentação ou concorrência, além do objetivo de gerar negócios as feiras, como nos grandes mercados do mundo inteiro vivem principalmente de relacionamentos, da arte da negociação, da renovação e do olhar, da investigação e da descoberta, sobretudo, do compartilhar, para que todos possam crescer e evoluir.