Em tempos difíceis e crise econômica, trazer novos produtos para o mercado cosmético, tanto em ativos diferenciados, quanto em embalagens com novos materiais e aplicações, tampas, rótulos, serviços, etc pode conquistar e manter o cliente. Assim como novas idéias em produtos, novos conceitos, novas texturas e fragrâncias agregam valor ao produto e são sempre bem vindos ao mercado para que, ao consumidor de bolso mais fechado nesses tempos, seja muito difícil resistir. Afinal quem resiste a boas idéias que trazem novos benefícios?

Senão, vejam só esta pequena história: um jovem casal que morava em  Nova York  – ela com experiência na indústria de spas, e um curso em medicina oriental e aromaterapia e ele com formação em negócios e espírito empreendedor – descobrem numa manhã rotineira de 1995, em plena cozinha de casa, um novo conceito para o barbear – um produto pré-barbear à base de óleos essenciais que ajudaria homens de pele sensível a melhorar o ato do barbear. A partir daquela manhã eles deram forma e gestão a uma idéia que, em menos de 15 anos desenvolveu linhas e serviços que os tornaram proprietários de uma rede de cerca 37 lojas nos Estados Unidos – a Art of Shaving.

É assim que muitos empreendedores – brasileiros inclusive – começaram: de uma idéia diferente e da crença de que ela os conduziria por muitos caminhos pela vida. Na verdade não é todo dia que essa idéia diferente acontece, nem sai da cabeça da mesma pessoa que inventou um novo conceito, depois que este já ser um sucesso. É preciso muita dedicação, trabalho duro e sério, que inclua inclusive, inovações em gestão, para manter uma marca, um conceito e o negócio funcionando bem.

A paixão move, mas precisa ser alimentada todos os dias, com inspiração, dedicação, buscas e desenvolvimentos. Sem esses elementos, empresas como a Natura e O Boticário, as maiores empresas brasileiras de cosméticos do país, não teriam conseguido chegar onde estão. 

“Acreditamos que a inovação tecnológica e o investimento em pesquisa e desenvolvimento são fatores estratégicos fundamentais para sustentar nosso crescimento no Brasil e no exterior”, diz Daniel Gonzaga – diretor de Pesquisa & Tecnologia da Natura. “Somos a empresa latino-americana que mais investe em inovação no setor cosmético. Investimos em 2008 2,8% de nossa receita líquida em P&D, ou seja,  R$ 103 milhões” , avalia.

Administrar uma verba dessas para a busca de inovação é uma tarefa à parte. Daniel conta que por vezes, esse trabalho é dividido com algumas das principais universidades do Brasil, centros de pesquisa, outras empresas e também instituições internacionais, por meio de programas especialmente desenvolvidos. “Esse tipo de parceria representa o conceito de Open Innovation (Inovação Aberta), uma tendência que nos leva a extrapolar a produção de conhecimento e de novas tecnologias para além dos nossos laboratórios, o que permite acessar o conhecimento onde este está sendo gerado”. Além disso, desde 2006 a empresa mantém um laboratório de pesquisas em Paris, para complementar o trabalho feito no centro de pesquisas e desenvolvimento da companhia no Brasil. Além de testar e certificar ingredientes usados nos cosméticos, os cientistas em Paris também têm a missão de definir futuras parcerias com institutos e universidades européias. 

Maior a empresa, maior a responsabilidade com seus consumidores finais.  Assim, a área de Pesquisa & Desenvolvimento da empresa aqui no Brasil é formada por um time de cerca de 200 colaboradores de diferentes formações, sendo que cerca de 51% destes tem pós-graduação. 

Além do conhecimento científico e tecnológico a empresa estuda as informações do mercado, novas tendências da cosmética mundial, a dinâmica evolução do comportamento das pessoas e, principalmente, a rica biodiversidade brasileira de ativos naturais. Neste ano já estão chegando ao mercado dois novos produtos conceito: Natura Humor 5 e a linha Natura Tododia Todanoite, de produtos noturnos para o banho e para o corpo.

                         

Quando se trata de empresas fornecedoras a americana Kelco, empresa que atua no mercado de hidrocolóides biodegradáveis e de origem natural aponta a importância de se estar atento às tendências: “Nossa empresa busca inovações, considerando tendências de mercado, como adaptar e inovar em aspectos reológicos, sensoriais e de diferenciação”, diz  Marina Bolodrini gerente de serviços técnicos para a América Latina da empresa. Ela ressalta o enfoque em produtos de origem natural e orgânica, tanto quanto a redução no consumo de água, aspectos sensoriais e de biodegradabilidade. “Elementos chave para garantir oportunidades de inclusão em projetos”.

O investimento numa equipe de desenvolvimento de produtos passa na maioria das vezes não apenas por cursos e busca de tendências, mas também por incentivos e idéias criativas: “Para 2009 nossa principal ferramenta será o investimento na criatividade de nossa equipe” diz Ricardo Pires, diretor da Dierberger Fragrâncias, empresa independente do Grupo Dierberger, tradicional empresa brasileira de insumos para indústria de cosméticos e perfumaria, saneantes e indústria alimentícia, que exporta para mais de 20 países.

A empresa criou a campanha Dierberger Novas Idéias, que tem em seu escopo três atividades principais: desenvolver soluções inovadoras e criativas que adicionem valor aos clientes, buscar o aperfeiçoamento de processos internos e gerar ações que tenham impacto no meio ambiente, como economia de energia, reaproveitamento de resíduos, etc. “Acreditamos que as organizações que possuem o olhar atento e sensível para identificar em qual direção o mercado está seguindo, tem maiores condições de antecipar tendências e propor novos caminhos”, diz Ricardo Pires.

                                  

Muitas vezes a simples inovação na embalagem já ajuda a alavancar as vendas de um produto. A Embelleze, uma das maiores fabricantes de produtos para os cabelos, vai investir em inovação como estratégia para crescer este ano e agora no final de março começa a renovação de suas linhas de produto com a coloração profissional Maxton, que além de tecnologia iônica oligoelementos e um sistema lumino-restaurador, ganha embalagem com quatro faces, com uma caixa que traz o enredo da transformação da mulher em quatro momentos.

Inovar é algo que pode acontecer em todos vários níveis de uma empresa, mas para tornar novo algo que já existe é preciso talento. Há alguns anos a Impala Cosméticos, uma das mais importantes fabricantes de esmalte do país, valorizou a categoria das profissionais de manicure com a criação e manutenção do clube da manicure, com festas, promoções e premiações. “Este ano vamos reforçar nossa ligação com a profissional manicure promovendo um concurso de beleza em que as manicures vão apontar suas clientes para ele, o que traz a manicure para um universo de glamour, o que deve incentivar ainda mais o diálogo com este público”, diz Marina Cabral, diretora de marketing da empresa. No entanto, para sustentar essa estreita relação, a empresa investe no maior portfólio de cores de esmaltes do mercado. “Cor é moda e nosso olhar está voltado à moda das ruas, para aquelas que fazem uso dos nossos esmaltes e é claro, às tendências internacionais,” ensina.


                           

Outro olhar para a inovação é o da percepção das escolhas. A quantiQ, nova identidade para a marca Ipiranga Química, distribui com exclusividade para o país a marca italiana B&T, cujo lançamento para este ano é Sensolene, um ativo descrito como “dermoliente”, uma molécula mimetizadora do filme hidrolipídico epidermal com propriedades emoliente, emulsificante e lubrificante, alternativa clinicamente comprovada para o Esqualano e o Esqualeno.  Ou para produtos do dia a dia que tragam inovações sensoriais, como é o caso da Sete Sensorial Trends, empresa que inovou ao trazer para o mercado em 2005 pads de camomila, com tecido não tecido da Du Pont, um produto tecnológico, com alta concentração de Camomila, associada ao extrato 100% orgânico da planta Hyssopus, dos Alpes suíços, um ativo de ação antibacteriana, anti-séptica e antiinflamatória, que este ano prepara-se para entrar no mercado de hair care. “Atualmente, nossos consumidores estão carentes de produtos eficazes, práticos e com fragrâncias e texturas leves e diferenciadas. Estes são alguns dos diferenciais que estarão disponíveis para o público em nosso novo lançamento previsto para abril”, diz Maurício Lafer, diretor da empresa. A Sete também inovou na venda de seus produtos, hoje feitos exclusivamente via Internet, através de sites de e-commerce ou de sites de farmácias virtuais identificadas no site da marca.
 
“Acreditamos, sobretudo, que novas tendências e inovações podem ser incorporadas em produtos de uso diário, onde a necessidade de promover a beleza e o bem-estar na rotina das pessoas atravessa qualquer crise”, acentua Maurício Lafer.