Em ano de crise econômica e de retração do mercado, a palavra que mais se ouviu na 21ª edição da FCE Cosmetique que se realizou esta semana, com os corredores mais uma vez lotados, foi Inovação. Como se ela anunciasse a redenção do mercado, sofrido com alguns importantes reveses nos últimos tempos. Inovação esteve presente tanto nos lançamentos apresentados pelas empresas fornecedoras da indústria cosmética– foram aproximadamente 112 marcas expositoras – quanto nas palestras do 29º Congresso Brasileiro de Cosmetologia, que buscaram novas técnicas de marketing, de vendas, estudos e novas tecnologias em produtos.

“Acreditamos que as feiras de negócio têm valor estratégico em momentos econômicos como este, trata-se de uma oportunidade de desenvolvimento de negócios e troca de melhores práticas entre profissionais do mercado e também entre as empresas.”, disse Ligia Amorim, diretora geral da NürnbergMesse Brasil na apresentação do evento, que apresentou novos formatos de compartilhamento de conhecimento, como FCE Innovation Area.

O Congresso Brasileiro de Cosmetologia, que busca ampliar o conhecimento do segmento aos participantes, manteve grande número de interessados. Este ano estiveram presentes cerca de 30 profissionais palestrantes difundindo seus conhecimentos sobre temas diversos. Todos eles de uma forma ou de outra abordaram a inovação, especialmente inovação técnica e em formulações. Mas, destacamos aqui aqueles relacionados à criatividade, marketing, neuromarketing e também a alguns dados sobre o mercado de dermocosméticos, sempre úteis.

Tema Novo

Os repelentes, que definitivamente entraram para a lista de produtos de uso diário pela população, tem venda livre, são regulados como cosmético, há 179 registros vigentes de 59 empresas que os produzem. João Paulo Correia Gomes, do Senac  – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial  -, destacou em sua palestra, a dificuldade de se comprar ingredientes ativos para esse tipo de produto no Brasil e também a importância da aplicação do produto para sua total eficácia. Silvana Nakayama da Merck falou sobre o ingrediente ativo IR3535 da empresa, ‘um dos melhores do mercado’, classificado como totalmente em complyence, seguro, de longa duração – até 10 horas – e com proteção contra o Aedes Aegypti e espécies tropicais globais, além de estar dentro dos padrões de sustentabilidade. Ricardo Azzini, da Hallstar revelou a importância do Azeite de Oliva, como um ingrediente que ajuda os produtos a se tornarem mais seguros. E Ethel Cardoso Freitas, da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – , que destacou a importância de testes específicos para a regularização de repelentes, a concentração dos ativos, que determinam o tempo de reaplicação, assim como os testes de eficácia, tornando tais produtos verdadeiramente seguros.

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Um novo olhar sobre o Consumo

Uma das palestras mais interessantes e divertidas, foi a do antropólogo Michel Alcoforado, sócio-diretor da Consumoteca – boutique de pesquisa qualitativa. Michel é especializado em Antropologia do Consumo pela University of British Columbia, no Canadá, e em Planejamento Estratégico de Comunicação e  trouxe para o Congresso uma nova dimensão sobre o consumo de produtos : “O porquê da compra quando as pessoas têm uma nova relação com a cidade, andam muito mais de bicicleta, em que elas próprias definem se ‘aquilo vai ser taxi’ e redefinem o que é o seu produto, se ele se conecta com a tensão, de quem está indo para as ruas”. Michel apontou com todos os dedos para as novas tecnologias de comunicação que incutem uma nova relação com o consumidor mostrando um verdadeiro caleidoscópio de informações e relações com o mundo, com a sociedade, determinantes para suas novas escolhas. “O que interessa é o contexto”, disparou. “O que importa é o que as pessoas falam”. De acordo com o especialista, a tensão cultural redefine o seu negócio: “Quem não trouxer uma inovação todo dia vai morrer na praia”, diz, para adiante admitir que as grandes marcas não tem condições de desenvolver produtos de moda, mas produtos de conceitos definidos, com inovações perenes. Alcoforado brincou com o público provocando-o com o seu conceito de produtos com valor de conversa: “ O sal, por exemplo, tem zero valor de conversa, mas o sal do Himalaia, vale mais porque agrega valor de conversa: é natural, saudável, vem mesmo do Himalaia…, e resumiu: “ O consumidor tem que ter uma percepção sobre a comunicação do produto”.

Criatividade em P&D do Grupo Boticário

Outra palestra interessante foi a de Gustavo Dieamant, da área de Pesquisa Científica e Tecnologia do Grupo Boticário, ‘Inovação e Criatividade no Desenvolvimento de Produtos Cosméticos’. Nela se pôde perceber o quanto a empresa leva a sério a criatividade. “Inovar não é um caminho fácil, mas é sempre possível trabalhar passo a passo, o que é fundamental para que as ideias sejam aprimoradas,” disse Dieamant. Ele falou sobre o processo de desenvolver idéias em conjunto, sobre a importância de se trabalhar e respeitar  ideias em um coletivo. E deu algumas dicas para os formuladores presentes : – Inovar e criar baseiam-se na confiança. Ouvir idéias diferentes das suas. Abrace o risco. – A empresa tem que ter uma identidade para funcionar. – O cliente nem sempre está certo, mas ele está no coração de qualquer inovação. Ouvir o cliente é fator crítico no processo de inovação. – A velocidade é a missão mais crítica da inovação. Falhe cedo, falhe rapidamente e falhe barato! Gustavo falou também de hábitos que matam a criatividade: – ser muito lógico. – Escolher a primeira opção como solução. – Apoiar-se em um talento asfixiante. – Ter excesso de dados e informações. – Acreditar que você não é criativo. “Todos somos criativos por natureza, mas há exercícios para desenvolver a criatividade de cada um e há também construção, planejamento e muita, mas muita referência”, indica. “ O conhecimento faz com que os pontos, ou várias informações, se liguem e quando isso acontece , surge uma ideia consistente”. Gustavo deu ainda sua receita de criatividade: Ouse, solte a imaginação e viva na incerteza.

Dermocosméticos e dados do Canal Farma

A IMS Health, empresa global de informações , tecnologia e serviços para a área de saúde levou três profissionais para o Congresso, um deles, Renato Kurata trouxe informações relevantes sobre o mercado de dermocosméticos. Sobre o canal farma, seu principal canal de vendas,  Renato disse que ele apresenta diversos atributos para a comercialização de dermocosméticos, como por exemplo o fato de ser este um canal confiável, que dispõe inclusive da presença de um farmacêutico e que ele oferece condições para a prestação de serviço personalizado. No Brasil há 78 mil pontos de venda (PDVs), 13% são de lojas de redes de farmácia. Mil PDVs são responsáveis por 80% do faturamento do canal,  que no ano passado foi de R$ 86 bilhões, com crescimento  de 13% em relação ao ano anterior.  O  especialista destacou ainda que este é um canal conveniente e de compra rápida e que 1/3 desse mercado é de HPPC (higiene pessoal, perfumaria e cosméticos).  “A importância do setor de farmácias cresce 11 % ao ano”, revelou Renato Kurata. Em relação ao perfil do consumidor, ele disse que as farmácias são mais frequentadas pelas classes A e B, na faixa de 25 e 40 anos, que  puxaram de maneira muito forte o sell out de dermocosméticos, cujo potencial no Brasil é de R$ 75 bilhões até 2019.  No ano passado as vendas da categoria representaram 57% na região Sudeste, a de maior consumo. O analista apontou a região Nordeste como uma oportunidade, já que ela representa apenas 16 % das vendas, mas cresceram 14% no ano passado.”O preço alto dos dermocosméticos é analisado e considerado pelo consumidor desse tipo de produto. Entretanto, ele é um consumidor aspiracional. É um canal onde as pessoas compram por impulso e não abrem mão do que gostam,” diz.

 

FCE

Neuromarketing

Segmento relativamente novo e que vem ganhando muito destaque no mundo corporativo nos últimos anos, ‘Neuromarketing – Neurociência Aplicada ao Conhecimento dos Consumidores e sua Integração com os Produtos Cosméticos’, foi a palestra de Rodrigo Toni, da Perception, empresa que avalia os atributos do produto sob aspectos emocionais e sensoriais, mapeando as preferências dos consumidores e transformando dados estatísticos em oportunidades de mercado. Ou seja, a partir de exames específicos, os pesquisadores conseguem detectar e estudar as diferentes respostas do cérebro humano aos estímulos provocados por uma propaganda ou campanha publicitária, por que os consumidores tem determinadas decisões de compra e quais partes do cérebro estão motivando-os a tomá-las. Tais conhecimentos são utilizados por  profissionais  de marketing para atentarem ao  que o consumidor reage melhor, seja à cor da embalagem, ao cheiro do produto ou qualquer outro fator que será determinante no desenvolvimento de uma estratégia de divulgação mais efetiva. Rodrigo apresentou algumas das ferramentas utilizadas para perceber o que toca o consumidor. Entre os métodos de avaliação há a Associação Implícita, que mede a velocidade da reação, determina a força de associação entre uma série de palavras e estudos de interesse. O Eye Tracking, em que, através da projeção de um raio laser inócuo é possível detectar a direção do olhar em uma prateleira, que cor e que forma atraem mais sua atenção. “Ele capta o comportamento subconsciente dos olhos dos compradores de uma forma natural, que é imparcial e revela de forma objetiva o que realmente atrai a atenção do consumidor”, explicou Rodrigo Toni. Outros métodos empregados: Testes de Planograma, áreas que foram vistas, que chamaram atenção; Reconhecimento Facial, que conta os algoritmos matemáticos do rosto, através das emoções expressadas em filmes documentados sem que o consumidor saiba a razão do teste. É uma das ferramentas mais utilizadas para detectar as reações do consumidor diante de cosméticos e fragrâncias.

Lançamentos

Na área de exposição da FCE Cosmetique foram lançados diversos novos produtos e conceitos. Destacamos abaixo alguns deles:
Cosmoteque-se, é o novo conceito da Cosmotec que busca surpreender através de novas texturas, e sensoriais, como o FC25215, 4 Liss Serum Gloss Capilar, um finalizador com estrutura gelificada, que confere sensorial leve e macio e mantém os fios brilhantes, com pérolas que promovem efeitos de pontos de luz nos cabelos. Ou o FC3616 Serum Facial Tonalizante que repõe os lipídeos perdidos com o envelhecimento cutâneo, recupera a hidratação, firmeza e elasticidade da pele, através de um fluído que se espalha facilmente e uniformiza o tom da pele.E ainda o FC18115 Melting Make-Up Remover, um demaquilante sólido, instantâneo, que se funde com o calor da pele derretendo na aplicação. Remove a maquiagem, incluindo produtos à prova d´água, hidrata e recupera a barreira cutânea.

A Catalent aposta na relação cada vez mais rápida e prática com o produto e levou suas cápsulas unidose biodegradáveis mais econômicas quando se trata de variedades regionais, ou mesmo de uma forma nova de consumo, levando cheiros, texturas e soluções em fórmulas.

A Dow Corning apresentou o conceito de secagem rápida para soluções em silicones que vem com outros benefícios – condicionamento, reparação, hidratação e proteção da cor. São os silicones CE-8411, Smooth Plus Emultion. 5-7113, Silicone Quat Microemulsão, Xiameter®MEM-0949 Emulsão e HMW 220 Emulsão Não Iônica.

 

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A Gattefossé trouxe Gatuline® Renew Age para a textura da pele. Atua em todas as fases da renovação celular, desde a camada basal da epiderme até a superfície dos corneócitos, retexturiza, suaviza, revelando uma pele mais jovem ao mesmo tempo que aumenta a hidratação e a função barreira. Amplamente testado in vivo, ex vivo, in vitro e em peles sensíveis.

A Beraca levou o seu mais recente lançamento: o Óleo de Pequi para os cuidados com cabelos cacheados. O pequi é rico em ácidos oleicos e palmíticos e em provitamina A, propriedades capazes de garantir o controle dos cachos e a redução do frizz.” Ao testarmos o óleo de pequi, notamos que ele possui características capazes de formar um filme que protege as fibras de queratina dos fios, o que mantém os cabelos controlados e definidos por mais tempo”, explica Juliana Frutuoso, Gerente de Negócios da Beraca.

A quantiQ levou o conceito Seasonability Beauty, que tem as estações climáticas como guia para a elaboração de cosméticos, com a análise das reações fisiológicas que ocorrem em determinados períodos climáticos. Desenvolveu 13 protótipos para demonstrar o conceito. Dessa forma foi possível desenvolver soluções baseadas em matérias-primas especialmente selecionadas para tratamentos e cuidados, como os sabonetes específicos para o outono, máscaras capilares para o inverno e cremes para a primavera.

E o NIT Mantiqueira apresentou na Innovation Area da feira, suas técnicas econômicas e de apelo ecológico para testes de produtos, alternativas para análise de comportamento físico e químico, como o uso da luz síncrotron, o uso de tecnologia RFID (Identificação por Radiofrequência) em embalagens, além de cosméticos feitos com frutos e óleos de plantas da Amazônia.