Trinta e oito anos depois de inaugurar sua primeira fábrica no Brasil e de abrir no ano passado seu novo centro criativo em São Paulo, a Mane, tradicional casa de fragrâncias francesa, e uma das dez maiores do mundo, vai investir US$ 55 milhões na construção de sua segunda fábrica no Brasil, reafirmando sua presença no país e na América Latina.

Com receita global em 2015 de 947 milhões de euros, um crescimento de 23% a nível mundial, a Mane aposta no Brasil e tem razões para isso: dados do Euromonitor revelam que o mercado brasileiro de fragrâncias deve crescer 19,4% ao ano, em volume, entre 2014 e 2019, atingindo 29,6 mil toneladas ao fim do período. “Durante esse período o Brasil estará atravessando uma séria crise, mas os investimentos neste mercado ainda assim se justificam”, avalia Edson Ferrer – Diretor Geral da Mane no Brasil.

O país é o segundo mercado mais importante da Mane na América Latina atrás apenas do México e o primeiro em vendas no mundo. Com as operações das duas unidades, a Mane do Brasil torna-se um dos maiores Centros de Suporte de Fragrâncias e Aromas da empresa, que quer duplicar sua participação no mercado brasileiro em um prazo de cinco anos, passando dos atuais 2,5% para 5% em continuidade ao seu plano global de expansão. “Temos que ter um equilíbrio nos investimentos entre a urgência de nos fortalecermos e nos consolidarmos e fazer as mudanças requeridas em termos de capacidade,” diz Ferrer.

A nova fábrica será em Jundiaí , cerca de 50 km da capital de São Paulo, região que concentra a maioria dos clientes da empresa. As obras serão iniciadas este ano com a conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2018. A unidade carioca, que emprega atualmente 150 funcionários, seguirá em funcionamento.

Presente em 32 países, com 25 sites de produção e 42 centros de pesquisa e desenvolvimento. A divisão de aromas da Mane responde por 56% de seus negócios, fragrâncias 38% e ingredientes 8%, uma área que se revelou próspera nos últimos anos, especialmente depois da descoberta da Ucuuba, uma manteiga de propriedades hidratantes e leve, utilizada posteriormente por uma das linhas corporais da Natura.

“Estamos sempre à procura de novos ingredientes. Não apenas para o beneficiamento em cosméticos, mas também na parte aromática, com visão global”, diz o diretor geral da Mane Brasil.

Com trabalhos focados em alcançar práticas comprometidas com a sustentabilidade, a empresa se dedica sobretudo à expertise tecnológica , com know how no processo de extração e tratamento científico de matérias primas naturais, atuando através de parcerias com cooperativas locais para extração e com empresas como a Beraca e com destiladores em Belém.

A empresa também trabalha com moléculas sintéticas e com as maneiras de capturá-las, como a tecnologia Jungle Essences que, de acordo com a gerente de marketing da empresa, Milena Siqueira é diferente da tecnologia head space por capturar diretamente os cheiros e não reproduzi-los em laboratório. “ Essa tecnologia captura exatamente o cheiro que vamos fornecer ao cliente. Essa captura é feita através de um aparelho pequeno em que é possível  a captura do cheiro na hora, até na frente do cliente. Já captamos o cheiro da sela de couro para a Hermès e o cheiro de uma vela náutica também.”

Entre seus clientes estão L´ Oréal, Natura , Boticário, L´Occitane no segmento de cosméticos e Nestlé, Lacta, Coca-Cola, BRF e Ambev para os segmentos de alimentos e bebidas. Apesar de não estar em todos os mercados, a empresa dirige seus os recursos para escolhas, o que tem lhe garantido crescimento nesses anos.

Diferente de outras casas de fragrâncias globais, e a Mane é uma empresa familiar, em sua 5ª geração e independente. De acordo com Ferrer,  uma das poucas empresas a ter nos últimos anos crescimento consistente . “A empresa faz escolhas. Assim, não estamos em todos os mercados, mas dirigimos os recursos e trabalhamos com clientes de maneira diferenciada. Dessa maneira, podemos assumir compromisso e nível de serviço. Em momentos de crise as decisões são complicadas e é preciso ter foco”, afirma.

Assim, a aposta no Brasil é uma escolha, mesmo diante da crise que o país atravessa. “Não temos como saber até aonde vai esta crise atual. Esta é uma questão para o mercado e nós vamos caminhando com ele”, diz Ferrer, apontando entretanto para algumas estratégias: “Podemos nos antecipar, apostando, por exemplo, no crescimento mais forte do mercado masculino, onde podemos desenvolver tendências e  prepararmos  os criativos”, diz. A outra aposta é no time correto: “ Com a capacidade e gosto de enfrentar obstáculos, que tem essa resiliência de aproveitar o momento e aprender. E, ainda, a capacidade da empresa de focar no futuro, a aposta no País de 5 a 10 anos é o que nos motiva. A área de perfumaria tem aqui um caminho sólido”, indica o diretor da Mane do Brasil que, de acordo com ele, é uma companhia comprometida com o futuro.