No período pós-pandemia, tendências consideradas como o “novo normal” trazem inovações e oportunidades em novos formatos, texturas e sensoriais na categoria de maquiagem.Temos visto uma rápida mudança nos hábitos de consumo e o perfil de um novo consumidor, que busca por produtos mais confortáveis.

A dimensão dos impactos na rotina das pessoas devido ao uso de máscaras faciais para proteção individual ainda é uma incerteza. Por isso, há uma preocupação das empresas em trazer uma nova abordagem de texturas que facilitem a adesão no cuidado diário.

“É fundamental que empresas  inovem constantemente e tragam propostas de novos looks pensando no bem-estar e na boa aparência do consumidor dentro ou fora de casa, com ou sem máscara. Conectar o consumidor e a mudança de comportamento será o grande diferencial,” diz Mônica Batistela, Gerente de Desenvolvimento & Marketing Técnico dos mercados de Personal Care e Home Care, da quantiQ (GTM Chemicals).

Bruna Ortega, especialista em beleza da WGSN, portal de tendências do mundo para diversas verticais, inclusive beleza, apontou em sua live no Instagram da in-cosmetics Latin America, que acontecerá em Setembro (16-17), e fará palestra da WFSG sobre tendências: “Sabemos que o uso de máscaras vai impactar diretamente a forma como as pessoas usam  maquiagem. Então, a primeira tendência que  apontamos é o foco nos olhos. Veremos muitas marcas investindo em paletas de sombras, máscaras para cílios, para que essa parte do rosto se destaque.”


Novas tecnologias de não transferência

Bruna destacou ainda uma oportunidade para as empresas: produtos que não transferem com o uso de máscaras. “Sabemos que se hoje usarmos uma base e usarmos uma máscara, provavelmente será transferida para a máscara, ou vamos ficar com a marca da máscara no rosto. Então a ideia é que a gente trabalhe não só com bases e corretivos, mas também com batons que tragam essa tecnologia de não transferência para o tecido da máscara. Vemos também uma tendência à produtos de uso após a maquiagem, como sprays de fixação ou glosses que fixem o batom, porque em algum momento tiramos a máscara quando chegarmos em casa. Então é importante que isso seja levado em consideração”, diz a especialista da WGSN.

Monica Batistela . baseada em relatório da agência de inteligência de mercado  Mintel, acredita na evolução da procura de produtos para os olhos : “A indústria da beleza pode esperar que as micro-categorias de cosméticos coloridos como sombra, delineador, máscara e corretivo subam gradualmente nesse período à medida que os consumidores continuem com o hábito de utilizar máscaras de proteção.“


Natureza e tranquilidade como tendências globais

As cores devem mudar na pós quarentena. A tendência ,  aponta Bruna, é de uma paleta mais tranquila, mais equilibrada. “Falamos do uso de cores que mostram um crescente interesse pelo mineral e pela natureza, uma vez que as pessoas que estão por muito tempo em casa passam a ter um interesse maior pela natureza. Mas mais do que isso, buscam cores que relaxam, que trazem esse sentimento de não ansiedade, como se fosse um contraponto a tudo isso que estamos vivendo. Então esses movimentos vão influenciar diretamente as cores e as texturas.”

Ela cita o Pink Clay, um rose mais sujo, um tom de argila rosa e que vai influenciar não só a questão das cores, mas também as texturas. “Além dessa cor, vemos também um verde menta, que também traz essa sensação de tranquilidade.”

Pinkclay                                                                                                                                            Pink Clay  

Entretanto, Bruna destaca uma contrapartida no report apresentado: o vermelho vivo expressando a busca pelo prazer e o hedonismo. “Essa paleta tende a ter essas duas mentalidades: o branco leitoso puro e em contrapartida esse vermelho super vivo, que vai aparecer nos batons, com essa característica, já mencionada, de não transferirem. Então o vermelho vivo  traz essa ideia de prazer, de hedonismo, de mostrar o que ficou represado em casa. Mais para a frente o momento que estamos vivendo de uma beleza mais natural, terá essa contrapartida também.”

A praticidade e as tecnologias terão um papel importante., com acabamentos e texturas mais leves atendendo à necessidades emergentes. “Novas reivindicações por produtos com longa duração, à prova d´água e de transferência (texturas foscas e mates) estarão em destaque neste novo cenário.”, diz Batistela.

 

Inspiração em vídeo clips, Lady Gaga e a série Glow Up

Suzana Galante maquiadora profissional do salão Eron Araujo acredita que estamos entrando em uma nova era, que deve refletir numa reformulação de estilo e isso incluirá a maquiagem. Sob seu ponto de vista, bastante próxima de clientes, estilo e a ousadia deverão transparecer.

“Com o uso das máscaras, o foco será nos olhos. Acredito que vamos deixar de lado um pouco os lábios. Ficamos tanto tempo sem o contato social, que quando os amantes da maquiagem retomarem, abusar será a tônica. Percebo que há novas técnicas e tendências sendo lançadas. Por exemplo: a técnica do delineador, nos novos clips da Lady Gaga e também as técnicas da série Glow Up, que assistimos enquanto ficamos em casa. Então o ponto é: vamos querer colocar a maquiagem mais expressiva em prática, mostrando o lado livre das pessoas. Neons, cores diversas, técnicas mais excêntricas. Acredito que a maquiagem nos olhos será uma forma de expressar, sem o medo de usar e abusar, diz Galante.”

Gaga 2

                                                                                                                                           Lady Gaga

Outro ponto de vista é o home office: “A tendência de Make-up Point, termo coreano que abrange maquiagem dos olhos, lábios e produtos para bochechas, será o novo normal. O foco das marcas deverá considerar novos visuais de maquiagem, como, por exemplo, “aparência de videoconferência” ou “aparência profissional para ficar em casa,” aponta a Gerente de Desenvolvimento da quantiQ.

O apelo natural, saudável e equilibrado depois da reclusão e da  ausência de maquiagem deverá ser o ‘novo normal’ num primeiro momento, Mas é bastante provável ele dar lugar ao o experimentalismo, na busca de uma nova expressão, que considere os inúmeros filmes, séries e vídeos assistidos nesse período de quarentena. Eles serviram não apenas para nos entreter mas também para inspirar novos estilos  em um  mundo novo visto principalmente através das  telas.