Um mercado que tem muito a oferecer

O mercado de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria na América Latina se apresenta em crescimento e vislumbra um futuro promissor. Dados da Câmara da Indústria Cosmética Latino-Americana – CASIC revelam que a região superou de 10 a 15% o mercado mundial, com valor próximo aos US$54 bilhões. O crescimento das economias brasileira, chilena, colombiana e peruana, o aumento da renda per capita da população, a maior abertura do comércio inter-regional (Mercosul), além de uma maior penetração da mulher no mercado de trabalho e o desenvolvimento de novos canais de distribuição, engatilharam este mercado.

“O Brasil tem 53% do mercado latinoamericano, o México 14%, Venezuela 10%, Colômbia 6%, Argentina, 5%, Chile e Peru 3% cada um, Equador e República Dominicana, aproximadamente 1% cada e o resto se divide entre os demais países”, disse em entrevista ao cosméticos br Jaime Maurício Concha, presidente da CASIC.

Os principais players mundiais atuam ou buscam uma participação nesse mercado, antevendo a sua força tanto de trabalho, com milhares de mulheres buscando novas oportunidades, quanto de consumo, com o incremento das economias locais.

O Brasil anunciará na próxima semana seus resultados de 2010. Sendo assim, veremos aqui alguns aspectos do mercado cosmético de países como México, Colômbia, Argentina, Uruguai e Peru.

Argentina

Exportação é a palavra de ordem desses mercados e as Câmaras de Comércio exibem orgulhosas suas balanças comerciais de 2009 a 2010, como a do Argentina, cujos produtos de maior índice exportador são os desodorantes, com US$ 35,6  milhões, tinturas capilares com US $ 6,9 milhões, xampus com US$4,2 milhões e sombras e delineadores com US$ 2,6 milhões. De acordo com a Câmara Argentina da Indústria Cosmética  e de Perfumaria – CAPA- foram  6,7 milhões de unidades , sendo 72% em descartáveis, 11% de produtos capilares 10% de produtos de higiene 4% de higiene oral e apenas 1% de perfumaria em 2009, ou $7.901 milhões de pesos em faturamento (saídos da fábrica).

O país tem entre 400 e 450 empresas que fabricam e / ou comercializam  produtos (entre 25% e 30% são terceiristas) que empregam cerca de 5.000 pessoas.

De 1992 a 2010, tanto as exportações quanto as importações do setor vêm crescendo no país, acentuadamente a partir de 2006, quando o País exportava e importava US$250 milhões. As exportações tomaram fôlego em 2008, quando atingiram os US$500 milhões e em e 2010 os U$600 milhões em exportações.

Colômbia

A Colômbia faturou em 2008 US$474,6 em Higiene Pessoal; US$387,3 em maquiagem, produtos para a coloração e tratamento.
Nos últimos 10 anos a Colômbia passou do sexto mercado na América Latina para o quarto mercado, depois do Brasil, México e Venezuela.

O mercado de cosméticos do país passou em 2000 de US$1,7 bilhões para US$ 3,1 bilhões As exportações passaram de US$ 48 milhões para US$412 milhões, apesar dos problemas com a Venezuela onde as exportações colombianas caíram em quase 70%. Estão sendo feitos investimentos significativos de empresas como a P&G, Unilever, Avon, Yanbal (aproximadamente US$ 20 milhões e US $ 50 milhões cada) em centros de distribuição e também em linhas de produção de empresas como Belcorp, Yanbal, Johnson & Johnson, Colgate Avon, BDF e Natura.

México
 
O México, cujo mercado cosmético está avaliado em US$8 bilhões, é a terceira indústria do continente, atrás de Estados Unidos e Brasil pelo tamanho do mercado e número de pessoas envolvidas. Diferente de outros setores da indústria o de cosméticos, de acordo com a  Câmara Nacional da Indústria de Produtos Cosméticos  – CANIPEC – teve um comportamento estável em 2009 e reportou um crescimento total próximos a 11%, representando 0,42% do PIB Nacional e 1,6% do PIB Industrial. A expectativa de crescimento em 2010 em relação a 2009 é de 8,2%.

Na balança comercial do setor em 2009 as exportações foram de US$1,488 milhões e as importações de US $ 761 milhões, com um superavit no final do ano de US $ 728 milhões. Esta tendência se deu devido a uma grande parte dos produtos desta indústria ser considerada como cesta básica.

As exportações do Mercosul (Uruguai, Paraguai e Venezuela) em 2010 foram de R$300 milhões, sendo que o Brasil foi responsável por U$179,2 milhões.   Perú, Colômbia, Bolívia e Equador exportam no mesmo período US$16,8 milhões.

Chile

O Chile cuja  indústria cosmética chilena representa 75% da atividade industrial do País, exportou em 2010 US$138,6 milhões. Sua indústria faturou um total de US$ 1900 milhões em 2009 e a indústria cresceu 7,8% em 2010, sendo que a categoria que mais se expandiu foi a de cuidados com a pele, que teve um aumento de 2,8% em relação a 2009, de acordo com o vice-presidente executivo da Câmara da Industria Cosmética, Álvaro Márquez.

Em termos de categorias de produtos em 2010, o comportamento de cuidados da pele e produtos para os cabelos apresentaram maior crescimento diante dos resultados do ano anterior, 21,8% e 12,5% respectivamente, em seguida estão os protetores solares com 9,8%, ou US$24 milhões anuais, os produtos de higiene e cuidados pessoais, com 6,5% e maquiagem com 5,5% todos cresceram a taxas nominais, segundo a entidade.

“As expectativas para o setor este ano são muito positivas, produto da confiança depositada no país. Os consumidores estão gastando mais graças ao aumento do emprego, segurança e à facilidade de  acesso ao crédito.”

Perú

No Perú, a multinacional Ebel Paris (Grupo Belcorp )tem faturamento na casa de US$ 1 bilhão. A empresa já atua nos Estados Unidos e em praticamente toda a América Latina. É líder na Colômbia, Venezuela e Peru. O nome vem da colaboração estratégica do Centro de Biodermatologia dos Laboratoires  Serobiológique Toda a sua  linha de tratamento facial e perfumaria é produzida e embalada na França, por conta da qualidade da matéria-prima e dos fornecedores, segundo a Ebel. Mas a empresa, que era chamada de Yanbal até 2000, também tem fábricas na Colômbia, onde produz maquiagens, e no Peru, onde fabrica linhas mais populares, como xampus e desodorantes e está de olho no Brasil desde 2007. Para este ano está sendo estudada a sua entrada no neste mercado.
 “Estamos estudando o Brasil há muito tempo, mas há uma proteção de mercado muito grande”, diz. “Os impostos de cosméticos importados são muito altos,” diz Júlio Nogueira, um brasileiro que trabalhou por 12 anos na Natura e está há quatro na Ebel. Atualmente, comanda a operação no México, onde a empresa ocupa a quarta posição do mercado.
A Ebel planeja a construção de uma fábrica no Brasil, para poder ser mais competitiva nos preços. “Ainda que os impostos sejam altos, não dá para ficar de fora do Brasil”. Tanto o mercado de beleza quanto o de vendas diretas crescem muito acima da economia brasileira, na casa de dois dígitos por ano.

Uruguai

No Uruguai a expectativa é de crescimento, de acordo com o vice presidente da Câmara de Cosmético, Álvaro Marquez. “Em 2010 a indústria cresceu 7%, os quais podemos dizer que a expansão deste ano também vai ultrapassar este número, em razão do importante incremento do consumo nos últimos meses de 2010, o que nos faz acreditar que 2011 deverá seguir esta tendência. De acordo com ele as categorias de cuidados com a pele, fragrâncias e maquiagem apresentaram em 2010 crescimento de cerca de 12% cada uma. “Nosso setor deverá continuar investindo em novas tecnologias e lançamentos constantes de novos produtos no mercado, o que deverá provocar um incremento nas oportunidades de trabalho no setor, especialmente nas empresas de venda direta, já que com o maior consumo, há mais mulheres interessadas em trabalhar neste nicho”, garantiu.

O mercado latinoamericano se ressente ainda com altos impostos presentes especialmente nos mercados brasileiro e mexicano, que teve em agosto de 2010 a redução dos impostos de importação dos Estados Unidos em 11 categorias. Há ainda os problemas com prazos de aprovação, registros, notificações e modificações com o que já está registrado, de acordo com a Câmera da Indústria Cosmética do Chile. A falta de informações pontuais de mercados, como o equatoriano, o paraguaio e o boliviano também dificultam uma melhor compreensão e desenvolvimento do setor na região. No entanto a América Latina é sem dúvida um mercado em expansão onde nenhuma possibilidade está esgotada e onde ainda há muito para ser pesquisado, desenvolvido e exportado, como estes mercados gostam de ser reconhecidos.