Neste início de atividades no ano, nada mais propício do que se abordar a questão da motivação empresarial, como ferramenta para criar vínculos entre equipes de trabalho, de forma a transparecer em ações futuras.

Peter Thigpen , presidente da Levi Strauss dos Estados Unidos apontou certa vez para o fato de  que empresas gastam milhões por ano na manutenção preventiva de suas máquinas e que não haveria razão portanto, para não haver a mesma atenção com as pessoas.

Empresas atentas a essa questão, sabem que é preciso investir na motivação de suas equipes, para renovar potencialidades, oferecer alternativas para que estas possam aumentar a capacidade de dialogo, troca de experiências  e produzir melhores soluções.

O consultor e palestrante Sérgio Dal Sasso aponta: “O principio de tudo está em criar uma condição que permita que o tempo seja administrado com autoconhecimento e prazer”.

Débora Martins, jornalista especialista em gerenciamento das relações entre empresas e clientes destaca em um artigo sobre relações empresariais, que a motivação individual é um diferencial competitivo, um impulso fundamental para gerar um comportamento positivo.

De acordo com ela, reuniões diárias; leitura de artigos do interesse da equipe; brincadeiras; presentes surpresa; bilhetinhos com frases de incentivo ou citações; massagens; monitoração; conversas particulares e outros recursos não chegam a ser suficiente quando a questão é motivar a equipe ou reconhecer o talento de seus funcionários.

A resposta segundo a especialista, está em sentir-se mais ligado às pessoas e ao aumento do bem-estar.

                          

Os conferencistas e pesquisadores americanos Dr. Aric Rindfleisch, Frank Denton, e Dr. James Burroughs desenvolveram uma pesquisa entre executivos, cujo resultado sugere que a depressão que acompanha uma obsessão por dinheiro é reduzida se a pessoa tiver um relacionamento sincero e profundo com outras pessoas. O trainer em PNL, Dr. L. Michael Hall, coloca isso de maneira mais clara: “Ganhar dinheiro exclusivamente para ter mais dinheiro não enriquece nossa experiência interior de vida, nem nos dá mais qualidade de pensamento ou sentimento”.

Pesquisa do Families and Work Institute (1998) agrupa valores em dois segmentos: qualidade do serviço e apoio do ambiente de trabalho. A qualidade do serviço refere-se a autonomia, significado, segurança e oportunidades de melhoria. O apoio do local de trabalho é subdividido em tratamento respeitoso, oportunidade igual e relações de apoio na equipe.

Robert Rosen, presidente da Healthy Companies e consultor de dezenas de empresas diz que “Organizações do futuro são redes de relações. E as relações são o que une as pessoas.” (em Makower, 1994, p. 170). Outro aspecto que Rosen destaca é a atividade física, como motivação, no sentido de atuar de forma dinâmica, criativa, educativa e consciente, para sensibilizar a equipe quanto a  necessidade de responsabilidade pessoal em auto gerenciar seu estilo de vida, tornando-se assim mais saudável, produtivo e feliz.

Pensando nisso duas empresas associadas de São Paulo colocaram todos esses conceitos em prática: a Base 84, que fornece a estrutura física numa fazenda em Itu e a Ideal Treinamentos, empresa que traz para o dia a dia das empresas situações vivenciadas em equipe no treinamento ao ar livre.

Entre algumas das atividades oferecidas por estas empresas estão: escalada, tiroleza, ciclismo, tracking e gincanas, o que não significa o ensino dessas práticas, mas a oferta aos participantes de uma oportunidade de internalizar ideais e idéias ao experimentar a sua aplicação prática.

Assim, planejamento estratégico, trabalho em equipe, liderança, persistência, superação de desafios, motivação, autoconhecimento, autocontrole e auto-superação e foco em resultado, entre outros, são evidenciados e desenvolvidos durante os trabalhos. 

                       
“Além do aspecto emocional o objetivo de levar nossas equipes de venda, administração e marketing a este tipo de evento, foi repassar objetivos e desafios para estas equipes, de uma forma única, mas de uma maneira leve, junto à natureza, mesclando atividades internas e externas”, conta Flávia Rocha, Diretora Comercial da empresa francesa de cosméticos L´Occitane,  uma das empresas que estão experimentando esses trabalhos, cujos valores estão relacionados à natureza. 

Qualidades não facilmente perceptíveis no trabalho cotidiano, mas importantes para o sucesso da empresa, são evidenciadas, aprimoradas ou desenvolvidas, com a participação de todos os envolvidos no processo.
Ela conta que entre os resultados obtidos estão: a descontração, integração, espírito de equipe e comprometimento dos funcionários de uma maneira mais espontânea. “Eles tinham objetivos ali que não eram muito diferentes do que acontece no dia a dia da empresa”, acrescenta.

A Natura também já treinou várias de suas equipes na Base 84. Gilberto Tarantino, um dos sócios da Base 84 conta que por essa razão a criatividade também é um dos quesitos trabalhados. “Alteramos rotas, gincanas e as corridas de aventura, que acabam apresentando novos obstáculos e proposições estratégicas”, diz Tarantino. A estrutura da Base 84 tem equipes atendem até 200 pessoas, com equipes de treinamento de 10 pessoas, em eventos de apenas um dia, com espaço para workshops e convenções inclusive”.

O Grupo Wheaton Brasil Vidros, uma das maiores fornecedoras de embalagens de vidro para a indústria cosmética do país, promoveu, entre outras atividades motivacionais, uma viagem de navio com sua equipe de vendas, e também, um happy hour inspirador com seus funcionários, onde uma banda de jazz e uma orquestra sinfônica se alteraram num workshop com várias equipes da empresa.

O workshop abordou os novos tempos da administração, onde uma empresa moderna deve se comportar com uma banda de jazz, ou seja, afinada, flexível, ágíl e capaz de improvisar. Em contraste com uma antiga estrutura administrativa, similar a uma orquestra sinfônica, departamentalizada, rigorosa, etc…

                         

Idéias não faltam.  O importante é que a ferramenta humana, mais do que as máquinas, não seja esquecida, pois, a manutenção dela, mais do que envolver produção envolve satisfação, que leva ao bom desempenho.

Nesse sentido, a gestão do conhecimento passa pela compreensão das características e demandas do ambiente e também pelo entendimento das necessidades individuais e coletivas associadas aos processos de criação e aprendizado.