Sem dúvida a Natura vive dias de regozijo. O resultados apresentados à imprensa são superlativos: O lucro líquido da empresa foi de R$300,3 milhões, contra os R$ 63,9 milhões em 2003, de acordo com dados divulgados pela empresa na sexta-feira. E que representam uma variação de 370,1%. Apenas no quarto trimestre de 2004 o lucro da empresa atingiu de R$ 99,3 milhões.

.A receita bruta de R$ 2,539 bilhões em 2004 foi 33% maior que a do exercício de 2003, de R$ 1,91 bilhão. E a receita líquida foi de R$ 1,769 bilhão, um crescimento de 33,2% em relação aos R$ 1.328,9 milhões do exercício anterior.

A empresa atingiu uma participação no mercado de Cosméticos, Perfumes e Higiene Pessoal de 18,9% (Cuidados com a Pele, Protetor Solar, Maquiagem, Perfumes, Fragrâncias, Cuidados para o Cabelo, Creme de barbear e Desodorantes), contra os 17,1% em 2003. O número de consultoras cresceu 15,6%, de 374,6 mil em 2003 para 433 mil em 2004.

A procura de algumas linhas ocasionou alguns gargalos de produção. De acordo com o novo presidente da empresa, Alessandro Carlucci, especialmente na concentração de venda de produtos para os cabelos, estojo de fim de ano, desodorante, que ficaram acima do previsto. Para contornar o problema foram investidos R$ 83,1 milhões na  ampliação da capacidade de produção e logística, com a construção do novo armazém vertical cuja inauguração está prevista para Março deste ano.

A empresa atribui o seu bom desempenho à recuperação do PIB, em particular ao crescimento do consumo das famílias; à capacidade de inovação da indústria, atraindo cada vez mais novos consumidores e aos efeitos demográficos, como o envelhecimento da população e a crescente participação da mulher no mercado de trabalho.

O aumento nos lucros inclui ainda o final da participação das debêntures subordinadas no lucro e à redução do endividamento líquido médio verificado na comparação dos períodos. Jose David Vilela Uba, Diretor Financeiro da Natura afirmou que a companhia encerrou 2004 “praticamente sem endividamento nenhum”.

A Natura vai distribuir dividendos e o pagamento de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 211.935,8 mil líquidos. Do total bruto de R$ 216.352,1 mil, R$ 86.765,7 mil já foram pagos em agosto de 2004, resultado do primeiro semestre. Concluiu 2004 com uma geração de caixa livre de R$ 203,1 milhões, inteiramente reinvestido, segundo seus diretores.

                                                

Globalização
As operações na América Latina (Argentina, Chile e Peru) tiveram crescimento de 48,1% (moeda local) e 52,0% em dólar sobre a receita líquida em 2004. O número de consultoras cresceu 31,6%, alcançando, 26,3 mil no ano.

A prioridade, de acordo com Guilherme Leal, co-presidente do Conselho Diretor da empresa, é manter atuação forte e eficiente no Brasil, mas expandir operações na América Latina. “Temos um plano de expansão muito forte para a região. Em meados deste ano já estaremos inclusive iniciando a operação mexicana”. De acordo com Leal, mesmo sem uma estratégia definida, a Natura deverá fazer algumas investidas nos países economicamente fortes, como França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos e outras ainda na Ásia e Leste Europeu. “Acreditamos que o caminho da Natura é ser uma empresa global”, diz Leal.

No mês de abril a empresa estará inaugurando uma nova experiência em venda com a sua primeira loja em Paris.”Esta é  uma experiência que tem o objetivo de testar os produtos da linha Ekos, assim como seus conceitos de brasilidade e de sustentabilidade”. Poderão ou não haver outras experiências nesse sentido, diz o empresário.