Numa perfeita orquestração  entre empresas cosméticas brasileiras, Apex-Brasil – Agência de Promoção de Exportações do Brasil – , MDICE – Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior e Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – , o setor cosmético pôde exibir na 15º edição da Cosmoprof Cosmética, realizada de sexta-feira passada até ontem, um cenário proficiente e organizado aos 22 compradores de países como Estados Unidos, Emirados Árabes, Turquia, Peru, Índia e Uruguai, entre outros, além dos 6 jornalistas internacionais convidados a vir ao país para conhecer a indústria cosmética brasileira.

E não foi para menos: ao todo foram 400 empresas, 700 marcas e cerca de 2000 lançamentos, de acordo com a Alcantara Machado, realizadora do evento, divididos em 4 setores distintos e para públicos específicos. O setor verde, pavilhão da Abihpec, voltado para produtos cosméticos, perfumaria, matérias-primas e embalagens, apresentou em 10 mil metros quadrados 98 expositores, grande parte deles exportadores, para visitantes de cerca de 50 países.

No primeiro semestre de 2005, as exportações do setor registraram um aumento de 29,86% em valor em relação ao mesmo período de 2004, totalizando US$ 192,014 milhões no acumulado de janeiro a junho deste ano. Empresas brasileiras já participaram este ano de quatro eventos internacionais do setor: Cosmoprof Bolonha, NACDS Marketplace, BEauty World Middle East e Cosmoprof North America.

Os convidados internacionais da Abihpec, foram surpreendidos por um segmento pulsante, uma indústria de personalidade própria e por uma festa surpresa, que reuniu no sábado à noite, jornalistas e compradores, depois de um dia árduo de trabalho, numa folia contagiante que certamente não será esquecida tão cedo por estes visitantes.
                          
O jeitinho brasileiro de fazer negócios trouxe para a feira brasileira passistas, porta-bandeira (com a bandeira do pavilhão Brazilian Beauty), alegorias e uma potente bateria de escola de samba que não deixou ninguém sentado. Os compradores e jornalistas estrangeiros experimentaram a tal caipirinha e caíram no samba. Foram impregnados pela alegria, pela música e pela maneira brasileira de receber bem. 

                         
                                    Compradores e jornalistas internacionais
                                entram no ritmo das negociações brasileiras
 
De uma maneira simbólica, foi como abrir uma casa brasileira para receber, com exuberante simpatia, pessoas que vêm de muito longe para nos conhecer. Não é a primeira vez que João Carlos Basílio, presidente da Abihpec lança mão da mais peculiar das características do povo brasileiro para imprimir a maneira descontraída de o segmento cosmético brasileiro fazer negócios. Bolonha já conheceu a festiva apresentação da indústria brasileira.

“Estou com a alma lavada e a impressão de ter sido definitivamente conquistado por este país e por esta gente”, disse um comprador polonês no meio da folia, depois de ter passado o dia todo recebendo empresas brasileiras e conhecendo seus mais diversos produtos na rodada de negócios internacionais.

                  
                      negócios com descontração

“O evento é muito profissional e foi muito generosa a maneira com que nos receberam”, reconhece a jornalista americana Dorane Kaplan, da revista Cosmetic World, de Nova York. Ela confessa que não conhecia muito o mercado e a oportunidade foi um aprendizado. “Antes de vir para cá eu pensei em prospectar negócios para empresas de meu país, agora estou mudando de idéia, porque há muitas frutas interessantes em produtos novos e aquelas raízes nos frascos da Chamma da Amazônia, o que me fez pensar em talvez mostrar essas coisas por lá”, conta.

O comprador Julio Olguin, do laboratório Johasu Sac produtor e  distribuidor Peruano, veio para conhecer os produtos e produtores brasileiros, para depois analisar com calma junto à empresa e posteriormente entrar em contato com algumas das cerca de 30 empresas que apresentaram produtos a ele. “Há muitos produtos naturais da Amazônia, que interessam” disse Julio. Ele considerou a organização da rodada de negócios muito boa, mas fez uma ressalva quanto a tabela de preços: “Muitas empresas não tinham a tabela pronta, o que teria ajudado muito nas prospecções que levarei ao Peru”.

“Achei o mercado brasileiro bem profissional, com peças muito boas”, disse o jornalista alemão Joachim Sundmacher, da revista Euro Cosmetics, mais voltada para fornecedores da indústria cosmética. Para ele esta foi também uma oportunidade de observar embalagens e vidros de outros países, como os dos chineses, que expuseram em diversos estandes da feira: “Vi muita coisa boa nestes estandes também”, afirmou.

O estande italiano da Unipro – Associação Italiana da Indústria Cosmética -, tem propósitos bem definidos: “Estamos procurando por uma aproximação distinta no mercado brasileiro”, disse Fabio Franchina, presidente da Unipro. “Trouxemos pequenas e médias empresas do norte da Itália, que trabalham com produtos de qualidade e nichos específicos, para buscar joint ventures com empresas daqui”, declara. 

                         
                               aproximação distinta

Na avaliação dele, este é um mercado com muitos produtos naturais, a grande tendência mundial dos últimos dois anos. Para ele o mercado brasileiro procedeu uma verdadeira revolução em 12 anos, aprendeu rapidamente a produzir produtos e embalagens de alta qualidade.

“Talvez o mercado precise apenas trabalhar um pouco mais próximo à moda”, diz Fábio, tendo como parâmetro nomes da alta costura italiana que impulsionaram o negócio cosmético italiano com o lançamento de marcas próprias, a exemplo de Giorgio Armani, entre outros designers. “A moda tem um link muito forte com o mercado de fragrâncias”, acredita.

De acordo com ele, o movimento ainda jovem de moda no Brasil precisa ser mais orientado para o mercado da beleza, das fragrâncias, “O consumidor relaciona a moda, à atitude”, sentencia. Por outro lado, o presidente da Unipro acha que os produtores brasileiros devem tentar manter as raízes brasileiras em seus produtos, trabalhando elementos chave da biodiversidade brasileira, com produtos únicos.

Os jornalistas internacionais – duas americanas, um argentino, um alemão, uma italiana e uma inglesa – foram conhecer a fábrica da Natura, patrocinadora da vinda dos jornalistas ao país, na quinta-feira, primeiro dia da feira. A impressão que tiveram não poderia ter sido melhor: “A fábrica da Natura é uma jóia. Nunca vi algo assim, disse Antonella Fillipi, da CEC Editore, de Milão. “Não apenas pelo tamanho, mas pelos produtos, pela qualidade de seus funcionários, do local de trabalho – com suas fontes, pequenos recantos para encontros-, enfim pela visão holística de seus proprietários”, afirma.

“É uma empresa do primeiro mundo”, concorda Cláudio Salerno, diretor da revista argentina Matéria Cosmética. “Além dos produtos que apresenta, há ainda o cuidado com o meio ambiente, com a qualidade de vida dos seus funcionários, na verdade eu gostaria de trabalhar numa empresa assim”, sustenta. “O Brasil conserva sua identidade e os cosméticos brasileiros, têm essa personalidade”, opina.

No sábado foi a vez de conhecerem a Niasi: “Uma empresa ótima, com vontade e potencial para crescer”, avalia o jornalista argentino.
Cláudio não compreende no entanto por que os produtos brasileiros não estão tão presentes no mercado argentino, lembrando-se da Cosmesur, em Buenos Aires, que começa agora no dia 16 e vai até o dia 19.

Para a americana Cristen Bolan, da Global Cosmetic Industry – GCI, em Illinois, EUA, este é um mercado sofisticado, bem desenvolvido, semelhante a qualquer outro mercado no mundo. No entanto, ela acredita que seu desenvolvimento poderá ser ainda maior se explorarmos mais as riquezas naturais do país: “Quanto mais autênticos os produtos brasileiros, maior credibilidade eles terão dos consumidores de produtos naturais mundiais”, diz a jornalista.

O mercado internacional está descobrindo o mercado brasileiro. Os números da indústria cosmética tanto quanto a festa que recebeu estes convidados internacionais são exuberantes: as negociações externas ao longo de 5 anos impulsionaram em 100% as exportações do setor no país, devendo ultrapassar a marca de US$ 400 milhões até o final de 2005.

“Os resultados extremamente positivos da Cosmoprof Cosmética como um evento voltado à realização de negócios comprovam que estamos caminhando no sentido de atingir um modelo que atenda cada vez mais os interesses da indústria brasileira de cosméticos, disse João Carlos Basílio. 

                        
                        João Carlos Basílio, o maestro da festa

Na abertura da feira, o Ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan comparou o volume de crescimento da indústria cosmética brasileira ao da China. “A expectativa e o otimismo invadem empresas e associados do setor”, disse exultante João Carlos Basílio.