Estudo Meteorotrópico realizado no Rio de Janeiro pela Pesquisa e Inovação da L’Oréal Brasil e pesquisadores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei-MG) revelou que no Brasil o sol oferece perigo todos os dias, mesmo durante o inverno, mesmo cedo pela manhã, mesmo para peles com maior pigmentação. O Brasil é um dos recordistas mundiais em relação a casos de câncer de pele, que correspondem a 25% de todos os tipos de câncer. É o segundo mercado em proteção solar no mundo.

A pesquisa realizada em 23 países sobre os hábitos de proteção da pele, revelou que a população brasileira está bem informada sobre o assunto. Entre os entrevistados, 94% já sabiam os riscos da exposição ao sol sem proteção, enquanto o índice global é de 88%. Entretanto, em 2014, 66% das brasileiras declararam ter usado protetor solar no rosto alguma vez, ao longo de um ano (em 2010 eram 45%) e 30% delas o fez em média quatro vezes por semana. Ou seja, embora haja um grande conhecimento dos riscos a que está exposta a pele sem proteção solar, fatores como a cultura ao bronzeado, entre outros, ainda são desafios a serem vencidos em favor da saúde.

Essas informações e seus  resultados foram divulgadas no 1º Fórum de Proteção da Pele “Além do FPS”, realizado pela multinacional francesa no Museu do Amanhã, na capital carioca. Com base nelas, a empresa está construindo um Centro de Pesquisa e Inovação na Ilha de Bom Jesus,  no Rio de Janeiro, que será inaugurado em 2017 (foto).

“O Brasil é o país da diversidade, por isso temos vários Brasis. É um país com altas temperaturas o ano todo e umidade do ar diferente em cada região – 1 em cada 2 brasileiros com pele oleosa. Além disso, temos grande diversidade étnica, o que nos torna um verdadeiro laboratório de estudos”, diz Ana Teixeira, diretora de Consumer & Market Insights na L’Oréal Pesquisa & Inovação Brasil.

A pesquisa mediu diversos parâmetros meteorológicos e ambientais para avaliar os seus impactos sobre a saúde humana. Para isso, os cientistas simularam a rotina de um morador da capital fluminense ou de um turista que visita a cidade e avaliaram a dose acumulada de radiação recebida, comparando-a com a dose necessária de proteção solar para o cuidado adequado da saúde. “A região sudeste encontra-se a uma latitude de 23 graus e o planeta a uma angulação equivalente em relação ao Sol. Por isso, durante o verão o caminho que a radiação atravessa na atmosfera é mais curto e, consequentemente, a incidência solar na região é maior do que em outras partes do mundo”, explica o Prof. Dr. Marcelo Corrêa, professor da UNIFEI e um dos condutores do trabalho.

Para realizar a pesquisa, os cientistas utilizaram bicicletas providas de equipamentos especiais que percorreram diferentes regiões da capital fluminense, em agosto de 2015, coletando os dados. “Assim, estudamos as doses acumuladas de radiação que um indivíduo recebe ao desempenhar atividades externas, associadas ao índice de poluição urbana e de ruídos a que ele está exposto, que também prejudicam sua saúde”, explica Corrêa.

A partir das informações coletadas concluiu-se que durante o inverno a radiação registrada no Brasil é comparável à que atinge a Europa durante o seu verão, por exemplo. Com uma intensidade tão forte, é preciso aumentar os cuidados com a proteção, independentemente do tipo de pele, já que, o trabalho revelou que até mesmo as mais pigmentadas, quando expostas ao sol por cerca de 2 horas sem proteção, podem atingir a dose necessária para gerar uma queimadura (vermelhidão).
“Apesar desse alto índice, 36% das brasileiras pensam que é seguro se expor ao sol sem proteção”, afirma Ana Teixeira.
Mesmo conhecendo os riscos e malefícios da falta de cuidado, entre as expectativas expostas pelas consumidoras em relação aos protetores solares, apenas duas têm relação com a saúde: ser eficaz na proteção contra o sol e resistir à água e ao suor. As outras estão relacionadas às questões de beleza e cosmética, como rápida absorção, perfume e consistência agradáveis e toque seco.

“No Brasil há uma demanda muito forte pelo sensorial dos produtos de proteção solar. Eles precisam oferecer uma experiência muito agradável, com produtos que conciliem eficiência e prazer. É o que faremos nesse Centro de Desenvolvimento que a L´Oreal está sendo implantando no país, disse Blaise Didillon, diretor de Pesquisa & Inovação da filial brasileira.

“A L’Oréal vem investindo em produtos que aliam alta tecnologia em performance às prioridades indicadas pelas brasileiras, com fórmulas que combinam eficácia, hidratação, anti-oleosidade, leveza, frescor e fragrâncias para seus dermocosméticos”, conta o Dr.Blaise Didillon. Os estudos são realizados nos centros de pesquisa da companhia e utilizam a técnica de pele reconstruída in vitro. A partir daí, as formulações são aplicadas em protetores e também em produtos multifuncionais, , que simplificam a rotina da mulher. “Por isso nossos avanços também envolvem o desenvolvimento de tonalidades aos nossos produtos, adequadas a diferentes pigmentações de pele”, ressalta o diretor.

Também palestraram no evento o presidente da L’Oréal Brasil, Didier Tisserand, uma das pesquisadoras associadas na L’Oréal Pesquisa & Inovação França, Françoise Bernerd, especialista em fotobiologia e desordens pigmentares a nível genômico, o dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), dr. Sérgio Schalka e o presidente do Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, dr. Alexandre Filippo.