O mercado de embalagens de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos – HPPC – é um dos mercados de embalagens mais vibrantes, porque inclui estratégia, design elaborado, materiais texturas e tecnologias diversas para frascos de Vidro e plástico, tampas, decoração, rótulos, cartonagem e adesivos. Por isso a concorrência é forte, e nas premiações a disputa é acirrada. O cosméticos br decidiu então, publicar uma série de matérias sobre o tema. Há muito sobre o que falar, por isso vamos por partes, começando pela indústria vidreira, que abastece o mercado de cosméticos principalmente no fornecimento de frascos de perfumes – padrão e de molde exclusivo.

De acordo com relatório da MarketsandMarkets, agência de pesquisa do mercado global e empresa de consultoria sediada em os EUA, o mercado de embalagens de cosméticos deve crescer no mundo todo a uma taxa anual composta de crescimento (CAGR) de 5,4% entre 2013 e 2018. Assim, a indústria globalizada de embalagens de cosméticos se esforça para diversificar a sua carteira de produtos buscando a competitividade. Afinal, uma embalagem eficiente e adequada é essencial para todos os tipos de cosméticos e as embalagens de vidro são essenciais para a indústria de perfumaria .

O que ocorre é que um frasco de perfume não é mais um produto que deve apenas ser elegante e representar o seu conteúdo. Ele deve atuar sobre o sonho de consumo, e criar e manter a preferência pela marca. Um frasco comunica uma identidade a um certo tipo de consumidor e tem a ver com o marketing. As vidrarias entregam a forma perfeita, com o material mais adequado a partir da criação dos designers, utilizando tecnologia de execução – da pintura ou decoração ao equilíbrio do frasco – um trabalho altamente especializado.

Entre as empresas que atuam nesse mercado no Brasil, conversamos com duas de suas maiores representantes: a Wheaton, líder nacional no fornecimento de embalagens de vidro para os segmentos de Perfumaria e Cosméticos e Farmacêutico, e uma das cinco maiores instalações especializadas nestes segmentos do mundo, com exportações para 30 países; e a SGD Brasil, parte do Grupo SGD, de origem francesa, criado em 2007 a partir da divisão dos negócios de farmácia e perfumaria/cosmético proveniente da empresa Saint-Gobain Desjonquères , com 11 plantas e aproximadamente 5000 funcionários para a produção de vidro e decoração. A empresa tem nove escritórios de vendas em 6 países: França, Alemanha, Espanha, EUA, Brasil e China.

Estas duas grandes empresas nos serviram de pulso para uma percepção, ainda que parcial, mas de qualquer forma reveladora, da saúde do mercado de cosméticos e perfumaria no Brasil, diante da crise econômica que se abate sobre o país. Com elas soubemos que este mercado pode até estar passando por uma retração – considerando-se os problemas político- econômicos do país, com a alta incidência de impostos e o dólar elevado, entre os fatores de maior destaque-, mas que ele se adapta e cria estratégias próprias para continuar pulsando. Soubemos também que a inovação é uma busca constante, tanto por parte das empresas de produto final quanto pela indústria vidreira, e que o mercado de beleza aprende mais uma vez a se reinventar com a crise, para atender à sua razão de ser: o elevado consumo de beleza e perfumaria por parte dos brasileiros – com crise ou sem crise.

A Wheaton, por exemplo, investiu R$ 50 milhões em sua fábrica nos últimos 5 anos. Só em 2015 investiu R$ 28 milhões, para a modernização de um de seus fornos especializados em perfumaria. “Este forno entrou em operação em maio e possibilita a produção de novos modelos de frascos, com maior qualidade,” explica Ricardo Antonio Cristofalo Lopes, gerente de desenvolvimento de produtos da Wheaton. “Além disso, desde o final de 2013, a empresa conta com um Grupo de Inovação, formado por uma equipe multidisciplinar, de diferentes áreas, que vem gerando bons projetos para a empresa,” acrescenta.

Atual cenário

Mesmo com o cenário atual os mercados de vidro e decoração estão em constante evolução, faça chuva ou faça sol. É uma necessidade atender às expectativas do consumidor por frascos melhores e mais bonitos.
“O movimento em relação a novos produtos sempre cresce”, afirma Sonia Grassi, diretora comercial da SGD Brasil. “A cada dia o consumidor busca produtos novos e diferenciados. Assim, os volumes de lançamento são sempre agressivos, o que mostra que a mente do consumidor está aberta à experimentação. Os perfumes têm suas linhas renovadas constantemente e a inovação é a chave do crescimento para qualquer empresa de HPPC,” diz. “Isso acontece porque a inovação é a chave do crescimento para qualquer empresa desse mercado,” garante.

A crise no setor acentua a busca por inovação, que demanda investimentos, hoje mais controlados pelas grandes empresas. As pequenas descobrem com a crise que podem ser tão criativas quanto às grandes quando se trata de novos lançamentos e utilizam soluções em decoração de frascos para suas linhas de perfumes de frascos standard –  frascos padrão que, com as novas tecnologias em decoração, podem ser personalizados para entregar identidade ao produto.

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frascos standard Wheaton

“Este ano, desenvolvemos modelos de novos frascos para nossa linha standard, buscando atender a demanda de projetos com volumes menores ou que busquem inovar através das diferentes técnicas de decoração que oferecemos,” diz Ricardo Lopes. Entre as técnicas de decoração desenvolvidas pela empresa, ele destaca um leque de opções decorativas para destacar o vidro: pintura multicolors, silk screen transparente, silk screen em alto relevo, silk screen com efeito flocado e toque aveludado e decoração em frascos irregulares.

A SGD tem uma equipe global voltada para a inovação – tendências de cor, de moda ou tendência de pantone. “Tentamos trazer uma roupagem diferente para nossos frascos standard para traduzir o sonho em frasco,” diz Sonia, acrescentando: “O approach do cliente é num caminho sensorial. Mais clean ou mais rebuscado, ele tem que seguir a característica que vai entregar para o consumidor, ou seja, uma identidade, diz Sonia Grassi.”

SGDvidros
desenvolvimentos SGD

Novas abordagens

Por outro lado, a crise também resulta no desenvolvimento de novas estratégias e abordagens. “No nosso entendimento as grandes indústrias do setor de cosméticos estão sendo mais impactadas do que as pequenas, até por uma questão fiscal, na dependência de insumos importados. A valorização do Euro ou do dólar acaba trazendo um custo oculto para o serviço. Então hoje as pequenas indústrias estão aproveitando mais essa oportunidade, até do olhar mais para dentro do mercado, porque hoje está mais caro comprar um vidro de perfume importado. “Tanto as pequenas empresas quanto as grandes estão se reciclando, buscando novas formas de trabalhar, ” indica Sonia Grassi.

No mercado, a linha Humor, da Natura, oferece 4 ou 5 opções de frascos, para datas específicas, como Natal ou Dia dos Namorados. Ou O Boticário com sua linha de maquiagem Make B. que inclui um perfume novo a cada estação. São novos lançamentos utilizando flankers, ou, um molde exclusivo utilizado com diferentes roupagens, uma estratégia interessante e amplamente utilizada internacionalmente inclusive.

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Um dos frascos da linha Make B.

As agências de design definem o formato e as vidrarias procuram fazer a melhor adaptação para a entrega dos frascos com a utilização de tecnologias diversas. A textura, por exemplo, é um dos recursos. “Você tem pinturas com brilho, transparentes, fechadas, com glitter, touch, emborrachadas, entre outras. As tintas também agregam um efeito sensorial diferenciado”, diz Sonia Grassi. Além disso, cada marca e cada desenvolvimento tem uma entrega diferenciada. São desenvolvidos com moldes diferentes para cada cliente, explica Sonia Grassi.

O consumidor, que adora novidades, tem o olhar e o sensorial aguçados diante das prateleiras e busca não apenas o cheiro ou o produto em si, mas uma nova percepção que atenda a sua auto-indulgência ao adquirir um produto ou marca preferidos, com maior valor agregado.

“De uma forma geral a perfumaria das empresas está se reciclando, uma vez que os consumidores estão exigindo maior transparência, design e complexidade nas decorações. Então há desenvolvimentos em ‘pintura com reserva’, ou hot stamping , que agregam valor aos produtos de marcas existentes. Estamos conseguindo entregar identidade tanto em frascos exclusivos como em frascos standard, através da decoração.” afirma Sonia Grassi.

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SGD – frasco standard decorado

Para atender a essa busca do consumidor por aprimoramentos e, ao mesmo tempo por preço acessíveis, a Wheaton desenvolveu uma novidade promissora: miniaturas de frascos em versões de 50ml, 30ml e 25ml seguindo uma tendência internacional de ter o mesmo frasco com capacidades diferentes.

“Desenvolvemos ainda uma ampla palheta de cores para a pintura orgânica para o ano de 2016, além de grafismos e estampas baseados nas principais tendências do mercado da moda e da perfumaria,” ressalta Ricardo Lopes.  Wheamulticolorflocagem
desenvolvimentos Wheaton

Essas novas abordagens atendem aos caprichos do mercado, que encontrou nas datas especiais – Dia das Mães, Dia dos Namorados, do Homem, do Amigo, além do Natal, uma ocasião certeira para o aumento das vendas. E os perfumes são um dos presentes mais procurados nessas datas. É nessas ocasiões que as vidrarias têm a oportunidade de lançar mão de suas novas ferramentas e trabalhar com novas e diversas tecnologias para linhas que o público já conhece.

“O mercado foca nessas datas para atendimento das necessidades do público consumidor criando produtos surpreendentes e inovadores, trabalhando com a roupagem dos frascos – múltiplas cores em serigrafia exigindo alta tecnologia na aplicação de degradée por exemplo, ou pintura imitando metalização. As marcas se reinventam a cada coleção seguindo as tendências da moda mundial de primavera-verão, outono inverno, diz Sonia Grassi.

Novas direções

As inovações trazem consigo possibilidades amplas em diversificação e tecnologias, mas, a indústria vidreira também está se voltando para a sustentabilidade ou para o simples, tendências sociais que trazem outro tipo de valor agregado aos produtos do mercado.

“Vemos duas linhas claras focando a cultura da inovação com soluções simples e inovadoras: alinha da premiunização, com frascos pesados e valor agregado no formato com fundo grosso , maior brilho e maior transparência. E a busca da sustentabilidade através do vidro reciclado ,” diz Sonia. Esta última, uma técnica inédita no país para a qual a SGD desenvolveu estudos durante 8 meses e agora disponibiliza o serviço para o mercado.

De acordo com a diretora comercial da SGD, o simples também está em alta. “Reforçando a beleza do shape através do vidro. “Em termos de vidros especialmente desenvolvidos para as grandes empresas, as novas tecnologias trazem para o mercado aprimoramentos e designs especiais. “Sentimos ano após ano um crescimento na demanda de vidros com mais qualidade; seja em transparência, design ou complexidade de decorações. Assim, buscamos constantemente know-how externo, seja para aprimorar nossa capacidade intelectual, ou aprimorar nossa entrega de valor aos clientes,” diz Sonia Grassi da SGD.