Os cerca de 350 lançamentos anuais em perfumaria de prestígio, bem como seus preços elevados, abrem discussão sobre a saturação desse mercado e coloca em foco a tendência crescente da perfumaria Mass Market.
 
O segmento vem abrindo caminho mundialmente como opção de perfumaria a preço baixo, mais adaptada nova realidade econômica.  Os perfumes Mass Market tem diversas origens: França, EUA, Itália e também Índia.
 
Pode-se pensar também numa opção não tão cara para ocasiões menos formais. Mas há quem veja no crescimento do Mass Market, uma decorrência da falta de inovação real no segmento de prestígio: “A disputa pelos grandes mercados traz como conseqüência a criação de fragrâncias com retorno comercial garantido, em detrimento de lançamentos com inovações e conceitos reais, porém de retorno comercial não assegurado”, diz Jerome Massei, consultor e representante da Arcade, empresa de tecnologia em samplers para cosméticos, fragrâncias e para veiculação em papel (
www.arcadeinc.com).

De acordo com ele, os lançamentos inovadores, elaborados e bissextos, de cerca de 40 anos atrás, eram fundamentalmente alicerçados em grandes grifes da alta costura como Chanel, Dior e Guerlain. Hoje as marcas de prestígio lançam até  4 perfumes por ano, com propósitos notadamente comerciais.

“São perfumes caros, com design e embalagens elaborados, grandes campanhas de marketing e rico material promocional, mas praticamente sem criatividade olfativa”, opina Jerome.

Para ele as inovações têm sido pequenas, o mercado tem essa percepção e reage buscando outro tipo de vantagem: “É evidente que se hoje temos acesso a perfumes que agradem, por preços acessíveis, este mercado Mass Market esteja crescendo”, afirma Jerome.  

    

Os perfumes Mass Market ganham terreno pelo preço bastante reduzido, fragrâncias que seguem tendências já bem sucedidas, componentes de laboratório, fixação reduzida e design padrão para seus frascos. Sendo assim, o custo final do produto é baixo e o lucro advém do volume de vendas.

Adequações

Num país com altas taxas de importação como o Brasil, fica difícil entender o crescimento desse mercado.
                                                             

Eric Foutrier, Diretor Comercial da TFS Gerenciamento de Marcas, que está trazendo ao país Ulric De Varens, uma fragrância de categoria semiprestígio, ao preço médio R$60,00 e o recém lançado Euroluxe, R$ 29,90, explica:

“Nossa atividade promocional está centrada basicamente nos pontos de venda. Não investimos em publicidade como as marcas de alto luxo. Trabalhamos com uma assessoria de imprensa para divulgar nossas marcas. Temos que ser criativos e originais em nossas ações, sem esquecer uma gestão muito rigorosa de nossa empresa e a relação de parceria com nossos clientes e fornecedores internacionais”.

“Não tem mistério. Repassamos nossos custos aos distribuidores. Se pagamos US$ 0,50 por um produto, vendemos a US$ 3 ou US$4. São produtos cujo custo não envolve marketing ou embalagem, os produtos tem a mesma embalagem, os  componentes e a fixação são produzidos em laboratório”, diz Mariza Zanirato, da MFM Perfumes, cujo carro-chefe é o perfume francês Cuba, que custa R$ 17,00. A empresa vende também perfumes da categoria semiprestigio e prestigio, como Ocean Pacific, em torno de R$130,00. Os perfumes da MFM Perfumes tanto são vendidos em perfumarias quanto em redes de farmácias.



Com atividades iniciadas em 2000 e sob o comando de Laurrent Morcrette, a Parfums de France  este ano deverá superar a marca de um milhão de frascos vendidos.“A tendência mundial é a queda do poder aquisitivo. Os focos de crescimento estão nos produtos que se adequam a essa realidade financeira dos consumidores”, aposta  Morcrette.



Eric Foutrier concorda e aponta para um outro argumento irrefutável: “O luxo não pode ser só sinônimo de produtos de alto preço. Todo ser humano tem de ter acesso à emoção e ao sonho invocados na compra de um perfume”.

Ainda mais se o perfume for francês, um apelo adicional na hora da venda.

Uma das primeiras empresas do gênero a chegar ao país, em 1998, a Paris Parfum, iniciou efetivamente suas operações em 2001. Sua aposta foi nos perfumes de semiprestígio, com fragrâncias próprias, matérias-primas de qualidade, embalagens atraentes e preços competitivos (R$ 60,00 e R$ 80,00). De acordo com Roberto Itaqui, Gerente de Marketing da Paris Parfum, os perfumes da categoria Mass Market, se baseiam em meras cópias de perfumes famosos, fragrâncias consagradas, com preços entre R$20,00 e R$ 30,00.

O incômodo nacional

O tamanho que o mercado brasileiro pode representar para este tipo de perfumaria? Eric Foutrier aposta na democratização e tamanho do mercado brasileiro, tanto para as marcas de prestígio, quanto para as nacionais e as de Mass Market:  “O mercado é enorme e haverá espaço para todos aqueles que saibam trabalhar profissionalmente”, acredita.

Os números baseiam-se nas estatísticas de vendas dos nacionais, como O Boticário, Natura, Avon e outras marcas, que até o ano de 2003 apresentaram vendas líquidas de R$ 1.503.076,89, de acordo com dados da Abihpec. Na verdade os Mass Market representam uma concorrência direta para colônias brasileiras que primam pela criatividade de suas fragrâncias e excelência no design, custam o mesmo que as fragrâncias Mass Market entre R$ 20 e R$ 30,00.


“É importante ressaltar a boa qualidade da indústria nacional, com perfumes de boa aceitação e fragrâncias modernas, porém é claro que estes franceses de preço baixo batem de frente com os nacionais”, aponta Roberto Itaqui. “É importante que cada vez mais os consumidores saibam diferenciar um bom importado de um importado ruim, sem qualidade”.