Andrea Mota é uma profissional dinâmica, difícil conseguir falar com ela. Num dia participa de uma série de reuniões, no outro, às 7:30 da manhã já está em outra cidade fazendo um curso. É assim que as grandes empresas demandam.

O cosméticos br acredita que ninguém melhor que o próprio mercado para formular questões para profissionais de áreas importantes das grandes empresas. Afinal, como não ter curiosidades em relação a elas? Como não buscar referências?



1- Quando e de que maneira O Boticário age em relação ao descredenciamento de parcerias que já não estão mais dentro dos conceitos da empresa? Joelma Francisco, Diretora Comercial – Contém 1G

Nosso nível de descredenciamento é realmente muito baixo, mas existe. Nestes casos buscamos sempre a transparência. Fazemos uma analise da performance do franqueado, damos a ele uma oportunidade de mudança e de melhoria, negociamos planos de ação. Quando chega no momento de dizer que não está adiantando, sugerimos que ele passe a loja para alguém de suas relações. Mas sempre que isso acontece é um momento difícil. Entretanto entendemos que a situação é amenizada quando a tratamos com transparência, respeito e quando foram apresentadas muitas oportunidades.



2 – Quanto um auto-adesivo valoriza a decoração das embalagens?
Walkiria Castro, Gerente de Marketing – Novelprint

Certamente valoriza muito, mas não tenho condições de responder a essa pergunta com dados mais consistentes. Seria mais indicado falar com um técnico da área na empresa.



3 – Que peso o consumidor atribui ao design do frasco de perfume e que peso ele atribui à fragrância? Renato Canuto Scabar – Gerente de Negócios de Perfumaria – Saint-Gobain Vidros

Inconscientemente o efeito do design é altíssimo sobre o consumidor. Não saberia quantificar, mas é o ponto inicial do contato do consumidor com o produto. No entanto, a fragrância é sem dúvida o que o fideliza.



4 – O que a indústria da embalagem de vidro pode fazer para fomentar o design nacional e que peso tem essa referência sob o ponto de vista comercial? Marta Bagolim, Gerente de Marketing – Wheaton do Brasil

Tem muito peso, comercialmente falando. Realmente temos grandes expectativas de que os nossos fornecedores possam oferecer o mesmo nível tecnológico das empresas de fora. Sabemos que é preciso investimentos para isso e as indústrias nacionais estão investindo.Tanto, que estamos trazendo várias embalagens para serem feitas no Brasil, inclusive com a Wheaton, que já é nossa parceira no Brasil e no exterior.



5) Quanto a embalagem para Perfumaria, O Boticário faz algum tipo de pesquisa de mercado no Brasil para detectar tendências regionais ou as novas embalagens baseiam-se nas tendências da Europa? Renato Canuto Scabar – Gerente de Negócios de Perfumaria Saint-Gobain Vidros

Tem um pouco de tudo. Tendências de fora inclusive. Buscamos o que há de melhor no mercado por causa da liderança de mercado que temos e do nível de exigência que os consumidores apresentam hoje em dia. Independe da localidade cuscamos o que há de melhor, no Brasil ou no mundo. Além disso, pesquisamos muito para adaptar algumas embalagens.
 


6) Qual a expectativa de crescimento do Mercado de Perfumaria no Brasil e do Boticário para 2005? Renato Canuto Scabar – Gerente de Negócios de Perfumaria Saint-Gobain Vidros

Em 2004, a informação que temos da Abihpec é o que o Boticário cresceu mais que o mercado em perfumaria. O que é ótimo. Demonstra que estamos maduros nessa categoria. O Boticário cresceu 26% no primeiro semestre deste ano e o mercado cresceu 20%. Então ganhamos participação. Nossa perspectiva é de continuarmos crescendo assim nesta categoria, acima do mercado.



7) Como você avalia o mercado de uma maneira geral em 2004 e quais são suas perspectivas para 2005? Rogério Dias – Diretor de Comunicação para a América Latina da Eastman

O ano de 2004 foi um muito bom e importante para o nosso segmento, de maneira geral. Foi bem melhor que 2003 e acreditamos que 2005 seja melhor ainda. O nosso segmento não sofre tanto com prazos e juros no consumo. O varejo é que está mais atrelado aos juros. O que precisamos mais é de aumento de renda para o consumidor, porque o brasileiro é muito vaidoso e gosta de consumir produtos cosméticos. Mesmo porque, a aparência, o cuidado pessoal, conta muito na vida profissional.



8) Qual a estratégia da empresa em relação ao álcool vinílico?
Francisco Telmo,  Diretor – Unichem

Nossa perspectiva é a da inovação. Acreditamos que é necessário inovar cada vez mais. A prova disso foi o lançamento extremamente bem sucedido de Malbec, um perfume masculino à base de álcool vinílico, até então inédito no mercado brasileiro.



9) A empresa pensa em expandir a sua utilização para outras linhas? Francisco Telmo,   Diretor – Unichem

Por enquanto não. O sucesso foi muito além do que imaginávamos, mas estamos estudando com calma essa possibilidade.



10) O que está previsto em relação à expansão do Boticário para o Nordeste?
Francisco Telmo, Diretor – Unichem

Não vai ter outra fábrica. Quando a informação passou no mercado, estávamos em fase de estudos. Avaliamos e achamos que não valia a pena. Mas pode haver um estudo futuro. Não está 100% descartado . No momento não é interessante.



11) Como são feitos os testes de novos produtos? Qual a amostragem ideal?
Neusa Armstrong, Diretora Comercial – Ecologie

Seria melhor que um técnico da área de Desenvolvimento de Produtos respondesse a essa questão.

Solange Semes, Gerente técnica de Avaliação de Produtos `de O Boticário responde:
Durante o desenvolvimento, os  produtos passam por testes de segurança, que garantem a inocuidade do produto. Passam ainda por testes de eficácia (comprovação dos apelos e funcionalidade dos produtos). Estes testes podem ser realizados internamente, em nossos laboratórios – principalmente os de eficácia, ou externamente, através de Institutos de Pesquisa.

Os testes de segurança são realizados em voluntários. Compreendem: testes de irritação dermal primária, irritação dermal acumulada, sensibilização cutânea, fotoalergia e fototoxicidade ainda os Testes em Uso.

Neste, conforme as instruções de uso, são utilizados durante 3 semanas e são avaliados por um profissional clínico, dermatologista ou oftalmologista. A percepção do voluntário também é investigada.

Quanto ao tamanho da amostragem depende do delineamento experimental que se deseja, mas sempre será feito com um número adequado de pessoas para garantir uma análise estatística.


12 – Como você vê os negócios em Internet? Quanto você acredita no potencial de comunicação desta mídia?

Eu separo de duas formas: a internet enquanto mídia e em termos de comercialização. Em termos de mídia ela é muito forte. Hoje em dia as pessoas não tem muito tempo e selecionam as informações que gostariam de ter acesso. A internet permite a liberdade de escolha de informações específicas. Nosso público é ainda muito jovem, seletivo e que quer se informar.
Como meio de comercialização, há setores em que a Internet funciona de maneira fabulosa. No nosso caso o e-commerce apresenta o faturamento de uma loja pequena. No entanto, percebemos que a loja virtual é um ponto de busca por informações para depois o consumidor procurar a loja. Onde ele experimenta, prova.  O e-commerce apóia a comercialização . O usuário de Internet vai ao site se consultar. Nesse sentido, a Internet é uma estratégia de grande apoio. A comunicação é muito mais que a venda propriamente dita.



13 – Como a empresa busca visibilidade no exterior, além da Cosmoprof e outras missões comerciais?

Depende muito do foco de cada mercado que queremos entrar. Cada mercado tem uma ação específica. A Cosmoprof funciona muito mais como um mostruário na, busca de parceiros. Mas esta visibilidade de que você fala depende do mercado mesmo, pode ir do apoio de embaixadas a mídia e Internet.



14 – Como O Boticário consegue resolver na planilha financeira a equação produtos de qualidade, bons fornecedores de fragrâncias e distribuir para todo o Brasil a preços acessíveis? Adriana Miranda, Gerente de Comunicação e Marketing – L´Acqua Di Fiori

Mas esse é o grande segredo do negócio. O grande volume que produzimos permite um preço acessível. Temos também uma cooperação com fornecedores que é uma história, construída ao longo de muitos anos.
Da mesma maneira que tratamos nossos parceiros em franquias tratamos nossos fornecedores. Com um profundo respeito. Alguns são até maiores que O Boticário em termos de faturamento. E essas empresas grandes, valorizam o prêmio que criamos para fornecedores, tanto quanto as menores.



15 – Qual é o seu maior desafio como Diretora Comercial de uma empresa do porte de O Boticário?
A profissionalização do varejo. Só com ela é que teremos diferenciação no mercado. Precisamos estar cada vez mais profissionalizados, porque não se consegue estabelecer uma diferenciação sustentada e de longo prazo sem essa profissionalização.