1 – Fale um pouco sobre a FRCH e de como uma empresa de um país onde O Boticário ainda não atua, pode perceber, assimilar e propor lojas de varejo?

A FRCH é uma empresa de design e arquitetura para varejo, entre outros segmentos. Estivemos no Brasil por cinco dias para conhecer os brasileiros, conhecer as lojas O Boticário e entender o alcance da marca entre seus consumidores. Visitamos apenas São Paulo e Curitiba, mas assistimos a uma apresentação da marca e de suas lojas pelo país. A partir disso, desse conceito, o transportamos para as lojas, para dividi-las em três partes: Preparação, Cuidados e Transformação.


2 – No que a FRCH acredita para o varejo?

Algumas das melhores experiências que tivemos foram com o varejo. A crença da marca tem que estar permeada em todas as pessoas da loja para que elas transmitam as características da marca para os consumidores. O varejo pode ser uma experiência mágica para o consumidor, o sentido de que os consumidores precisam comprar coisas que estejam conectadas com o emocional delas e que reforcem o que elas são.


3 – Houve requisitos em relação aos diferentes tamanhos de lojas e orçamentos?

As lojas precisam ser simples porque são pequenas. Acredito 100% na intuição para o varejo. As pessoas estão relaxadas. Se elas estão confusas ou desconfortáveis, pela profusão de elementos, elas não compram. Por isso a intuição é importante.


4 – A intuição das marcas em relação ao consumidor, talvez não posta como uma tendência para o varejo, não seria desde sempre uma prerrogativa das marcas em relação ao consumidor?
 
O futuro está nas marcas intuitivas para o varejo. Um dado que me deixou feliz foi saber que as pessoas passam mais tempo nesse modelo (Veja matéria) de lojas que propusemos ao O Boticário.


5 – Apenas a FRCH trabalhou nas lojas? Houve sugestões em relação a materiais?

Não, nosso time trabalhou junto com arquitetos brasileiros. Trabalhamos com muito vidro, um projeto eficiente de iluminação e também materiais reciclados e de reflorestamento.


6 – Na sua apresentação do projeto, você falou em cinco tendências para o mercado. Quais são elas?

Story Telling, que é a história por trás da marca; Intuitive Branding, ou a intuição da marca, em que o consumidor é ouvido e a empresa reaja a ele, conforme suas necessidades; o Merchandising visual ou a Arte da Apresentação; o Luxo Acessível e a Dramaticidade que tem a ver com a transformação.


7 – Entre as tendências internacionais para o varejo, a digitalização aparece em muitas marcas. A FRCH não a considera como uma tendência?

Tínhamos a opção da comunicação digital para as tendências em comunicação. Pessoalmente não sou fã dessa tendência. Gosto mais da velha escola, com impressos, papéis. Acho que O Boticário faz isso muito bem.


8 – Você poderia explicar melhor o luxo acessível?

Marcas super premium atualmente fazem o movimento de descida entre as classe sociais, tornando-se mais acessíveis e as pequenas buscam mostrar o que de mais luxuoso têm para entrar em outros patamares.


9 – O luxo não estaria na contra-corrente dos excessos em consumo?

As mulheres brasileiras têm auto-indulgência, uma tendência global. Não é preciso gastar muito, mas pouco em grandes coisas. A beleza tem essa facilidade porque é acessível. São as pequenas auto-indulgências.


10 – Qual é a principal proposta de design para as novas lojas O Boticário?

Pensamos num design simples em que se possa ver a marca, para torná-la única, de maneira que o consumidor possa entender que ela não é uma outra marca qualquer, mas colocar elementos da marca O Boticário à vista do consumidor.


11 –  Você falou em Dramaticidade, que tem a ver com transformação. Em que sentido?

Aprendemos também nesse mergulho na marca e com as pesquisas de O Boticário que as mulheres brasileiras tem o senso de beleza como transformação.  A parte dramática e de transformação é bem visível nas lojas, é a de maquiagem e perfumaria, que também inclui transformação e dramaticidade.