Tino comercial é uma qualidade imprescindível a todos que realizam negócios, mas algumas pessoas, como Christopher Freeman, dono da Casa Granado há 12 anos, têm mais do que isso: está onde a oportunidade está e sabe exatamente o que quer e qual o potencial da escolha. Fala pouco, desconversa quanto aos seus planos, mas tem apostas próprias e promissoras. Sem expectativas demasiadas, vai fazendo seu caminho de maneira determinada.

                                         
1 – O Sr. era um executivo de que área mesmo antes de entrar para o setor cosmético? O interesse pelo setor veio da oportunidade ou o sr. já tinha alguma afinidade com ele? Porque as marcas antigas lhe despertaram o interesse?

Eu era um executivo de Banco. Entrei para o segmento cosmético em razão de uma oportunidade mesmo. As marcas antigas nos interessaram porque envolviam produtos  líderes de mercado e elas continuam líderes. Estamos ampliando a família anti-sépticos com novos produtos e embalagens, como os talcos que terão embalagens renovadas, um desodorante aerosol, roll-on, sabonete em barra e também desodorante em creme.


2 – Como o Sr. veio a produzir, estocar e distribuir de maneira terceirizada os cremes dentais da Arm & Hammer, da Church & Dwight? Quais são os volumes deste negócio? Qual é o tamanho de sua rede de distribuição?

Na verdade só fazemos apenas a distribuição dos cremes dentais e depiladores Arm & Hammer, para farmácias, varejo, cobrimos o país inteiro. Não disponho dos números exatos para onde distribuímos, porque um distribuidor acaba sempre distribuindo para outros e outros.


3 – O sr. também fabrica desodorantes da marca Adidas?

Já terminamos o acordo com a Coty.


4 – Como é que em meio a linhas e produtos tão diversificados o sr. ainda produz uma linha para bebês da própria Casa Granado?

Esta é uma linha que é muito importante para a empresa. Está crescendo.


5 – Como e porque o sr. resgatou a fragrância original da Phebo, assim como de alguns produtos das marcas originais da Casa Granado?

Porque percebemos que o consumidor guardava na lembrança a fragrância original e que para eles a original era melhor do que a que foi produzida posteriormente em mãos de outras empresas. Na verdade a diferença era pouca. Mas enfim, voltamos a produzir a fragrância original.


6 – O que são Pó Otológico, Solução Otológica e Pó Hemostático e como um sabonete humano se transformou num sabonete para animais?
 
São ao todo 14 produtos para animais domésticos, feitos com os mesmos cuidados e preocupações ecológicas que os demais produzidos pela Granado, já que dispúnhamos dos equipamentos e conhecimento necessários para a fabricação. O mercado pet movimenta cerca de US$ 1,5 bilhões ao ano, de acordo com a Assofauna -Associação dos Revendedores e Prestadores de Serviços Destinados ao Uso Animal.
A linha de sabonetes se adapta a cada necessidade do animal. O sulfol combate as afecções da pele, como sarnas e coceiras. O de glicerina é recomendado para peles sensíveis; o de enxofre é indicado como antibactericida e fungicida e o de coco é de limpeza. Há ainda xampus e condicionadores, um produto especial para filhotes e outro com silicone para dar brilho, maciez e volume ao pêlo de cães e gatos. E há ainda outro a base de coco que clareia.
O pó otológico mantém seco o conduto auditivo dos animais, a solução otológica é para a higiene dos ouvidos, com substâncias anti-sépticas e pó hemostático é usado para estancar o sangue em pequenos ferimentos.


7 -Quais são os carro(s) chefe(s) da empresa? Suas apostas em diversificar foram ocasionais, oportunidades ou o sr. buscou essa diversificação como forma de sobrevivência? Essa atitude em relação aos negócios tem dado os resultados esperados?

O Polvilho anti-séptico e o sabonete Phebo são os carros chefe da empresa. Foram oportunidades que surgiram. Sempre recebemos visitas de pessoas querendo fazer negócios no país.
Phebo foi uma oportunidade, a Procter, ex-dona da marca, decidiu, por razões internas vender a marca, concentrar esforços em marca mundiais. Eles procuraram a Sara Lee para a qual eu já fabricava produtos. Foi aí que tomei conhecimento da venda da marca.
Como qualquer outro ramo de atividade, algumas linhas dão bons resultados, outras nem tanto. Acho necessário sempre ter novidades para o consumidor. E também tentar continuamente melhorar a qualidade dos produtos.


8 – Quanto vende as linhas principais da Casa Granado em porcentagem (ou números, se preferir) em relação ao faturamento total da empresa?

 A Phebo representa mais ou menos 50% de nosso faturamento, a linha de anti-sépticos os outros 50%. As outras linhas têm resultados inexpressivos.


9 – Suplementos Vitamínicos são uma tendência crescente relacionada a cosméticos. Eles  estão entre as suas metas?

Ainda não pensei sobre isso.

11 – Fale um pouco sobre a linha de tratamento, quais são os produtos que ela dispõe e eles são à base do quê?

É uma linha de tratamento para os cabelos (xampu e condicionador) e também para a pele, com o sabonete. Em três versões: coco, de propriedades nutritivas e hidratantes, limpa profundamente, no caso do sabonete elimina a oleosidade; lanolina, que hidrata e suaviza a pele e aos cabelos dá emoliência e brilho e enxofre, de propriedades anti-sépticas e anti-seborréicas que atua também no combate a processos eczematosos


12 – O Sr pretende exportar?

Já começamos um pouco para os EUA, mas hoje nossos esforços são focados no Brasil Acho que é o nosso foco principal, porque ainda há muito que se fazer no Brasil.
 
13 – Como surgiu a idéia da Fundação Margaret Mee, que distribui bolsas de estudo para crianças carentes, que tem a oportunidade de aprender sobre a arte e a flora brasileira, onde as crianças concorrem inclusive a prêmios e bolsas internacionais no Concurso de Ilustração Botânica?

A Fundação existe há bastante tempo – foi fundada em 1989 – e está baseada no Rio de Janeiro. A idéia da Fundação surgiu em conversa com algumas pessoas que eu já conhecia e o projeto vai indo bem.

14 – Já que a sua atitude em relação aos negócios é dinâmica, o sr. tem em mente novas compras, venda ou  fusões? 

 Difícil dizer em relação a compra, venda e fusões porque não sabemos quando uma oportunidade pode surgir. Se a pessoa tiver uma boa proposta, vamos examinar com cuidado.