1 – Como começou a Surya? E como ela se encontra hoje?

Começamos há 28 anos com a indústria Vedeic Hindus, que desde 1980 importava henna dos Estados Unidos. A Surya só em começou em 1995 numa outra fase, que era a do mundo natural. Hoje este é um mercado forte, especialmente nos EUA e nos países escandinavos, onde essa tendência se espalhou e ficou mais forte entre os intelectuais elitizados.
Somos uma empresa pequena, mas já exportamos para vários países. Nossa previsão de faturamento para este ano é de U$ 6 mns. Somos bem sucedidos nas exportações porque nossos produtos oferecem o diferencial de serem naturais de verdade. Estamos em fase de certificação Ecocert. Nossa quantidade de ingredientes orgânicos é até acima do que a entidade exige. Nosso diferencial é a qualidade e o segredo do sucesso da Surya.

 

2 – Porque a henna como negócio?

A henna é a única planta capaz de fixar uma coloração no cabelo e dura cerca de dois meses, a em creme dura menos porque tem corante.


3 – Como é que de importadores de henna dos EUA vocês passaram a ser exportadores?

Em 1997 começamos a trabalhar no mercado americano para atender a demanda de um certo tipo de consumidor, que exige produtos seguros. Assim passamos a exportar nossas linhas de produtos para cabelos, principalmente os colorantes à base de henna pura, além de outros ingredientes naturais. A Safe Cosméticos, organização que está em constante pesquisa contra os ativos que sejam prejudiciais aos consumidores nos cadastrou como empresa cosmética cosméticos de No Risk. Todos os nossos ingredientes usados nas formulações estão lá na classificação No Risk. A diferença da Surya é que ela é realmente natural.


4 – Para que países vocês exportam além dos Estados Unidos?

Hoje estamos em 16 países, mas países de mercados fortes, além dos EUA, Japão, Inglaterra, França, Portugal, Grécia, Chile, Uruguai, Colômbia, Arábia Saudita, entre outros. Ah e por incrível que pareça, exportamos nossos produtos à base de henna também para a Índia.


5 – Como é que a Surya sendo uma empresa ainda pequena exporta para tantos países?

Trata-se de um conjunto de experiências com o comércio exterior e também com uma vivência no mundo natural que fez com que criássemos uma marca de  produtos naturais com performance. Começamos a empresa em Londres, praticamente sem capital, mas com o diferencial da qualidade e de um conceito muito arraigado na nossa base.


6 – Que outra certificação a empresa tem?

Estamos em fase de certificação pela Ecocert. A nossa quantidade de ingredientes orgânicos é acima do exigido pela entidade.

7 – Conte-nos como é que vocês lançam uma linha da Amazônia primeiramente nos Estados Unidos?

No caso da linha Amazônia Preciosa, aconteceu de fazermos o caminho inverso. Ela foi lançada primeiramente nos Estados Unidos e cada novo produto dela é lançado lá. Ela também já foi lançada na Grécia e vende super bem na Índia. Estamos vendendo ainda na Liberty, em Londres, que é uma loja tão conceituada quanto a Harrods, mas um pouco mais popular. Em Paris vendemos a linha na Le Prinptemps, uma concorrente das Galeries Lafayette. E aqui já estamos em quatro lojas da loja Mariana, uma loja premium e estamos entrando na Oruan.


8 – Os Estados Unidos e Índia são os países mais fortes em exportação para a Surya porque são grandes mercados ou porque são mercados naturalistas?

As duas coisas. Porque o mundo natural não existe por si só. Precisa haver todo um conceito. Os consumidores no caso dos Estados Unidos e também de outros países Europeus, querem saber se quem são os proprietários e como eles vivem condiz com o que a marca apregoa. Conceitos, estilo de vida, se o dono da empresa se alimenta corretamente e o que ele levou de seus conceitos para a empresa.


9 – Os conceitos da Surya condizem então com o seu estilo de vida?

Sempre fui naturalista e sempre pesquisei e busquei ingredientes. Hoje me coloco no lugar de meu consumidor e é por isso que eu os respeito, tenho e sempre tive muito carinho por animais. Só que venho de uma geração do capitalismo selvagem, da exploração. Mas sempre fui empreendedora e quando entrei no mundo dos negócios, me sentia frustrada. Só fui me realizar quando comecei com a Surya e a trabalhar com um conceito de harmonia com o consumidor, com o meio ambiente, com a sociedade. Hoje aqui na empresa, temos periodicamente o café da manhã com os funcionários, nossa empresa tem também um diferencial nesse sentido, que é espontâneo. A maioria das pessoas é ligada ao Reiki ao vegetarianismo. As pessoas trabalham com garra e amor. Já passamos por dificuldades em que todos arregaçaram as mangas e ajudam mesmo.

 

10 – A busca do perfeito equilíbrio com a natureza é limitadora?

Sim, porque cada novo produto que criamos acaba nos colocando num processo de qualidade que é demorado e trabalhoso. Não usamos derivados de animal. Até o mel, vamos substituir por mel vegetal.


11 – Foi assim que a Surya conquistou o Selo Vega?

Trata-se de um trabalho desenvolvido desde que a marca foi criada.  E ela foi criada com este propósito: de desenvolver produtos saudáveis para a beleza.
Uma empresa tem um papel muito forte na sociedade, ela cria tendências, gera empregos e influências. Ela tem que ter lucro, mas ela tem de ser responsável. A matéria depende do uso que você faz dela. Então uma empresa tanto pode ser maligna, quando usa não respeita quem vai usar seus produtos e coloca ingredientes que causam mal à saúde ou à natureza, aos animais, quanto ela pode criar um produto que vai embelezar um consumidor respeitando-o, sem agredi-lo, fazendo bom uso da matéria e conhecimento.


12 – Mas como conciliar num mundo globalizado, dinâmico e bastante competitivo práticas de fabricação rigorosas com a demanda dos mercados?

Tudo na vida tem a sua Natureza. Separo sonho de realidade. A empresa tem que ter lucro, estrutura. O que acontece muito nos EUA é que os empresários naturalistas vêm dos anos 70, com projetos maravilhosos. No entanto eles pecam em relação a manter um financeiro organizado, sadio, vendas agressivas. Nosso marketing é extremamente agressivo. Temos 10 a 12 pessoas trabalhando no marketing. No internacional tenho um gerente comercial, um gerente de marketing internacional e mais todas as pessoas envolvidas com eles. Tenho pessoas na Índia e nos EUA envolvidas com o marketing e aqui também, com pessoas que trabalham para eventos, uma agência de publicidade.


13 – Quantas pessoas trabalham na empresa e quantos itens e linhas a Surya produz?

São cerca de 70 pessoas. Temos uma linha de coloração e fixação de cor, que é extensa; uma linha orgânica de tratamento, com xampus e condicionadores produzidos a partir de óleos orgânicos, sem parabenos, sem sal e sem óleo mineral.  Temos a linha Frutos da Natureza, que também não contém parabenos, sal, fragrância ou corante sintéticos, e também não tem óleos minerais assim como a linha Amazônia Preciosa, de cabelo, corpo e rosto.

14 – Vocês têm alguma ação diretamente na Amazônia?

Os ribeirinhos que são da zona da Amazônia possuem um vasto conhecimento da mata, mas não tem conhecimento dos produtos para uso científico. Para sobreviver eles trabalham destruindo a floresta, cortando a mata, que produz matéria orgânica. Assim, estamos oferecendo um curso a eles, com alimentação e tudo, para que eles parem os seus trabalhos por algumas horas para serem capacitados verdadeiramente, de forma que eles possam trabalhar para pesquisas científicas, laboratórios, para empresas de cosméticos, como guias turísticos também, uma gama enorme de possibilidades para eles, tornando-os conscientes de que essa mata que eles conhecem tão bem tem muito valor, para a vida deles e para o futuro deles e de seus descendentes. Na verdade eles sentem que estão indo contra seus próprios princípios destruindo a mata como fazem. Mas já formamos uma turma e um deles será contratado por nós pra trabalhar com a próxima turma do curso. Fazemos esse trabalho sem qualquer incentivo até agora.


15 – Você acredita numa ligação Amazônia e Índia?

Previa isso essa ligação há muitos anos. São dois países opostos que ao mesmo tempo tem muito em comum: calor humano, essa coisa de gostar de viver em grupos sociais.
Eles se complementam. O Brasil é muito novo, aberto a Índia é o contrário. Mas haverá um intercâmbio muito grande, tanto cultural quanto a nível de negócios. Já foi criada a Câmara Brasil-Índia aqui no país e a colônia indiana está crescendo aqui. Além disso, aumenta o interesse dos empresários indianos no Brasil e vice-versa. Esse mês estão sendo promovidos vários congressos de medicina Ayurvedica, e de medicação só no mês de Outubro.  Tudo o que temos na natureza é empírico no Brasil, já na Índia eles tem a Ayurveda, que é um conhecimento tradicional da natureza que vê o mundo como um todo.