1 – Qual é o histórico de sua carreira e como foi sua entrada no setor de perfumaria?

Estudei agronomia por conta dos negócios de família, depois fiz administração de empresas e a partir de um convite da IFF da Argentina entrei para a área em 1994. Comecei como Call Manager. Depois passei a me responsabilizar pelo Chile e Uruguai. A partir de 1998 passei a atender a Unilever divisão de desodorantes e household. Em 2000 fiquei com o atendimento total da Unilever na América Latina. No final do ano passado assumi a posição de diretor geral no Brasil.

 

 

2 – Como é prever, num país tão grande e diversificado, o que funcionará no mercado brasileiro?

É difícil falar num mercado em particular diante da globalização. Você está exposto a todos os lançamentos de perfumaria fina e a estímulos de caráter global. E é preciso pensar em caráter global. O Brasil tem empresas locais fortes, inovadoras e com qualidade. Capazes de atingir tranqüilamente a esses mercados globais, em quaisquer áreas. De empresas de aeronáutica a empresas de cosméticos, como a Natura, O Boticário e muitas outras já estão fazendo. No entanto, é claro que há aspectos regionais a serem considerados. O sul é mais europeizado. O povo do norte do Brasil tem essa relação com o cheiro, desde expressões locais dar um cheiro a hábitos culturais como o banho de cheiro e a região Sudoeste, que já é mais metropolitana. O que fazemos é pesquisar muito. Para o perfumista criador, isso é muito importante.

 

 

3 – Qual o principal mercado para a empresa, globalmente falando e qual a importância do Brasil no ranking de interesse da IFF?

A América Latina representa em torno de 12% do faturamento da IFF global. O Brasil está entre os cinco mercados globais mais importantes, em termos de faturamento.

 

 

4 – O que representa a operação criativa do Brasil para a IFF?

Em termos de criação mundial O Centro Criativo de São Paulo está equiparado aos Centros Criativos da França, Holanda e Nova York. Há intercâmbio e sinergia entre técnicos e criações. E fazemos questão de dimensionar isso investindo ainda mais em estrutura, treinamento e atualização. Isso é superimportante para nós.

 

5 – Os investimentos na matriz brasileira da IFF este ano serão divididos em que proporção para tecnologia, pesquisa e recursos humanos?

Globalmente a empresa estará investindo aproximadamente US$ 160 milhões em Pesquisas e Desenvolvimento para o ano que vem. Cerca de 8% do faturamento mundial. No caso do Brasil, proporcionalmente este número é quase igual. Em termos de estrutura estaremos investindo cerca de US$ 3 milhões nos próximos 18 meses, para equiparar nosso Centro Criativo, que já é bastante moderno, aos nossos Centros na Holanda, em Paris e em Nova York, torná-lo como se diz no exterior state of the art, ou seja, de ponta. Isso é importante para que as estruturas se comuniquem, conversem. Recursos Humanos, para mim são o coração de uma empresa. Por isso investimos sempre na nossa equipe, fornecendo a eles subsídios para o crescimento profissional, estaremos investindo especialmente para que nossos perfumistas viajem, façam intercâmbios se reciclem sempre.

 

6 – O que o Sr quer dizer quando afirma que hoje na empresa busca-se uma terceira dimensão, uma sinergia entre todos os sentidos?

A IFF começou há tempos, cerca de 20 anos, a pesquisar o consumidor. Para entende-lo, estudando os cheiros relacionando-os ao estado de espírito. A mágica do perfume é fazer com que a pessoa se sinta da maneira que ela quer se sentir naquele momento. Este estudo traz uma riqueza de informações muito grande, pois fala em estímulos visuais e auditivos. Acreditamos numa terceira dimensão dos sentidos. Hoje em dia temos o lançamento de mais de 300 fragrâncias novas por ano. Para que uma fragrância se diferencie é difícil. Por isso estudamos o ser humano de maneira tridimensional. Suas emoções e sensações em relação aos cheiros. O objetivo é criar cheiros que fiquem no coração das pessoas. Perguntamos aos entrevistados, por exemplo, a que cor a fragrância o remete, perguntamos também que textura atribuiriam a ela. Tudo isso tem uma influência direta sobre o estado de espírito. Como eu disse anteriormente, a pesquisa fornece subsídios importantes para podermos oferecer um produto diferenciado ao cliente.

 

7 – Quem do setor interessa a IFF? Apenas as grandes empresas de higiene, cosmética e perfumaria? Ou o foco da IFF é maior?

Não há cliente pequeno ou grande. Todos os clientes são importantes. O mais importante é saber focalizar. Por isso dimensionamos grupos específicos para atender os grandes contas e criamos uma área para atender os menores. Temos distribuidores, como Scentec e Norscent, em diferentes regiões do país que estão bem preparados para atender de maneira focada. Porque acredito que ou se atende bem ou não se atende.

 

8 – Como tem sido trabalhar com o mercado brasileiro este ano?

Sentimos que o mercado brasileiro está se reativando bem. Para nós ele foi perfeito, levando em conta dos vários sucessos que tivemos. Tem sido um ano bom. As pessoas estão otimistas com os bons lançamentos e fortes investimentos.

 

9 – Quando a empresa atinge um grande sucesso com um produto, o que isso representa? Ampliação do mercado, prestígio, os dois ou representa que as apostas estão certas?

Diria que tudo isso acaba acontecendo. Estamos trabalhando junto com nossos clientes a nível global, local e regional, de maneira adequada, onde estamos atingindo a inovação para as criações que eles esperam. Isso permite aos nossos clientes crescerem e nós também. Estamos fazendo as apostas certas.

 

10 – É importante ser arrojado ou ter os pés mais fincados em previsões e pesquisas?

Esta é uma pergunta interessante. A nível global, todas as empresas procuraram seguir o caminho mais seguro. Com pesquisas e certezas. O que a IFF propõe hoje em dia é pesquisar com rigor, fazer tudo o que é possível tecnicamente, mas arriscar. Quando pretendemos que um perfume agrade a todos, perdemos na possibilidade de criarmos algo diferente. Hoje pesquisamos o que as pessoas sentem e essa é uma maneira arrojada de propor. Definitivamente, pensando em Chanel nº 5, em suas proporções até então inéditas, eu diria que arriscar, claro que dentro de algumas certezas, é uma maneira de ser bem sucedido.