1 – Qual será o seu trabalho como diretor de marketing de produtos da Natura? (o executivo está deixando o cargo de diretor da marca)

Cuido do marketing de produtos da Natura, de maneira a consolidar suas marcas, na medida em que vamos trabalhando na implantação dos produtos.


2 – Que imagem corporativa a Natura trabalhará, além da já bem conhecida de empresa de produtos naturais. Quais as novidades em marketing de marca para este ano, agora que o sr. está assumindo a diretoria da marca?

A imagem corporativa da marca transcende a de produtos naturais. Ela traz uma proposta de valor que está baseada na sustentabilidade como um todo. O que passa não só pelo aspecto ambiental, mas aí sim pela diversidade brasileira e também pelo aspecto econômico e social. O consumo consciente que vemos aqui (no evento da Natura no SPFW), traz muito desse aspecto social, do trabalho de educação da sociedade, de saber o que ela está consumindo. Assim, as novidades em produtos estão muito relacionadas a dar continuidade ao exercício da identidade da Natura nos últimos 35/37 anos.


3 – O tema escolhido para esta edição do SPFW – reciclagem e consumo consciente é também parte do marketing corporativo da empresa?

A Natura sempre buscou ampliar a consciência de seus consumidores ou de toda a sociedade. Por exemplo, as propagandas da Natura, nós as usamos como ferramentas de ampliação de consciência, mostrando a atitude corporativa da empresa com ações que são traduzidas em produtos, sempre com o objetivo de ampliar a consciência da sociedade como um todo. Talvez agora, com várias frentes da sociedade, instituições, organizações, como agora este evento do SPFW abordando o tema, isso se mostre mais presente. Mas isso acontece desde sempre pelo ponto de vista da Natura.


4 – O convite para o lounge Natura na SPFW, em PET reciclado com o pedido para depositá-lo numa urna afim de reaproveitá-lo, funcionou então como uma proposta para os convidados, formadores de opinião a praticar a ação de reciclagem?

De alguma maneira ela é uma coisa nova, mas a ação de reciclar implícita neste convite já foi feita pelo consumidor há mais de 20 anos, com a introdução pela empresa dos refis. Somos a primeira empresa de cosméticos do mundo a utilizar refis. Na edição do ano passado do SPFW lançamos uma linha de batons e bases para o rosto com refis. E nesta edição estamos trazendo três novas ações: a utilização de PET 30% reciclado nas embalagens dos óleos trifásicos, a vegetalização das fórmulas de Natura Ekos e toda a parte de refilagem.


5 – O que há de estimulante no trabalho das marcas?

São os lançamentos um dos grandes propulsores da categoria de cosméticos no trabalho das marcas.  A Natura lança um novo produto a cada dois dias. Tivemos quase 280 novos produtos no ano passado. Então, isso é muito estimulante, principalmente porque você não pode parar com esse vigor, essa vitalidade no processo de inovação, para se manter competitivo no mercado.

Isso respeitando toda a essência da empresa, ou seja, a biodiversidade utilizada de maneira sustentável. Mais que trazer o cupuaçu, que tem apelo exótico para cosméticos, ou funcional – esse xampu lava meus cabelos ou, ainda, emocional – esse xampu lava meus cabelos e me traz o prazer do cheiro. É trazer, além do funcional, o filosófico para o consumidor final. Porque o cupuaçu e o seu manejo sustentável traz a inclusão social e não está prejudicando a floresta. Então é aí que está o estimulante dessa atuação e acho que é onde está a beleza.


6 – O filosófico seria então um diferencial do mercado, que vende o funcional, o exótico?

Não fazemos isso porque nos dá a oportunidade de nos diferenciarmos no mercado. Nós fazemos assim porque somos assim.

Hoje estamos aqui celebrando o fato de que um dos grandes eventos de moda do mundo, um templo do consumo, que incentiva o consumo, está trabalhando na ampliação da consciência do consumidor final, com relação a consciência do consumo.

Quando a Natura apresentou o conceito de mulher de bonita de verdade, há 15 anos, o mercado falava da seguinte maneira em relação à beleza: eu quero que você pare o tempo, reverta a minha idade. Quero ser uma top model ou atriz global. O mercado, a indústria cosmética deu isso: tome aqui um reversor de idade, um anti-tempo. Você quer se parecer com uma top model. Aqui está a top model para você se mirar.

A Natura pegou essa mesma informação, olhou para dentro de sua essência e falou: A beleza é um anseio legítimo de todos, mas deve ser livre de manipulações e estereótipos. O nosso compromisso é com a verdade, com o consumo consciente. A Natura mostra um produto e propõe: Olha isso não vai parar o tempo, não vai reverter sua idade. No máximo ele é um anti-sinais e você não vai se tornar uma top model com nossos produtos, mas você pode se mirar nessa pessoa, que é igual a você, mas ela tem identidade e tem expressão. Isso é dar consciência ao consumidor final.

Eu falo isso porque esse produto não é nem líder de mercado. Talvez não se utilizem as ferramentas de marketing comuns, mas também não maculamos a nossa marca e o consumidor final reconhece isso.


7 – Vocês fazem pesquisas de mercado entre os consumidores e atendem a itens que eles mais pedem?

Sempre investimos em pesquisa de mercado e desenvolvimento de produtos. Somos talvez a empresa que mais investe em pesquisa e desenvolvimento, que representa 3% do nosso faturamento. Agora, pesquisamos, por exemplo, por faixas etárias, por classes sociais, para trabalhar oportunidades de negócio, mas nós sempre oferecemos o produto ou serviço que não destrua nossa identidade e nossos valores.