1 – Para empresários do setor de cosméticos que não conhecem, nunca foram à NRF, por que esta é a feira mais importante do varejo? O que ela tem a ensinar?

É a feira mais importante porque é onde estão os principais executivos e os principais empresários de todos os setores de varejo. São 30 mil pessoas participando de um evento de onde se trazem as principais novidades, principais tecnologias e os debates que vão pautar por que caminhos o varejo vai nos próximos anos. Então, acaba sendo uma janela de discussão de futuro para o setor de varejo e para o setor de cosméticos do ponto de vista de distribuição e consequentemente do varejo.

 

2 – A Beauty Fair leva um grupo de empresários para a feira há 5 anos. O sr. acha que os empresários do varejo, ou mesmo de empresas cosméticas que atendem a estes encontros, estão maduras e em condições de trazer e implantar as novas tecnologias vistas em Nova York em cerca de 5 anos? O que o mercado precisa hoje?

O exercício de se levar um grupo, passa por conectar os executivos brasileiros com o que há de mais moderno, as principais percepções, tecnologias, ideias inovadoras, métodos de ponta e principalmente pelo exercício de trabalhar a cabeça.

O que é visto na NFR não são ações que possam ser implantadas no dia seguinte em um negócio. É um evento para empresários que entram em contato com o que virá para o futuro. O amadurecimento é um processo que se inicia ali, depois leva alguns anos. A implantação das tecnologias e das ideias, pode levar até 3 anos. Como a NRF começou há 5 anos, sem dúvida o que vemos hoje, as principais operações de perfumaria no Brasil, em muitas delas vemos soluções que nasceram na NRF de 5 anos atrás.

 

3 – O sr. poderia nos explicar como as disrupções do varejo digital, parte da expansão do varejo, da maneira acelerada que vem ocorrendo, inclusive no Brasil, seriam complementadas com a personalização da relação com o cliente, o marketing personalizado? De onde vem essa tendência?

A disrupção do varejo é a mudança de como se faz o negócio. Ela já aconteceu na China, não aconteceu em outros países, mas vem chegando e parte dessa disrupção é justamente a maneira com que o varejo conversa e se relaciona com o cliente. A personalização é parte dessa agenda e quem conseguir fazer isso primeiro, trabalhar a forma com que se conversa com o cliente – desde qual é a oferta, de que maneira ela é proposta e para qual produto -, vai estar na frente e vai tornar as outras empresas obsoletas. Então a personalização é um dos exemplos de um varejo que vai ser cada vez mais diferente.

 

4 – A personalização em escala pode atender de forma eficaz ao mercado cosmético com dados sobre a pele e o cabelo armazenados no varejo. Mas e nas empresas? Como a personalização poderia ser aplicada?

Sem dúvida, a personalização em escala vai tratar o individuo. Então, cada indivíduo tem a sua especificidade de produto. Mas é importante dizer que não é só personalizar o produto para o indivíduo. O produto para cada indivíduo comunicado pela maneira com que cada indivíduo quer receber. Então, tem gente que quer receber isso por email, gente que quer receber por SMS, por um push de aplicativo, pelo telefone… E com a alavanca de oferta também diferente: tem gente que quer desconto, tem gente que quer pontos, tem gente que quer exclusividade, tem gente que quer cash back e ela vai ser aplicada primeiro no e-commerce, que é mais fácil, em algum momento vai chegar na loja, usando aí o CRM e os vendedores para aplicar.

 

5 – Qual o novo papel da loja? E qual o papel do empresário nesse mundo em transformação?

O novo papel da loja vai mudar na medida em que a digitalização vai chegando. Então, quanto mais e-commerce, quanto mais personalização, quanto mais CRM, a loja vai se transformando. É um processo gradual e os empresários do setor vão ter que entender isso. Ela já começou há alguns anos. Ela tem início com a ominicanidade, onde a loja tem que se integrar com o e-commerce, depois ela tem que transformar também o papel das pessoas – do vendedor e do gerente. A loja tem que receber a digitalização e aos poucos ela vai mudando.

 

6 – Como deverá ocorrer a evolução dos modelos de negócio, Marketplace, Plataformas e Ecossistemas?

Ela já chegou também porque marketplace (portal de e-commerce colaborativo) já é uma realidade no Brasil. Então querendo ou não os empresários têm que tomar a decisão de participar ou não de um marketplace. Plataforma e ecossistema é uma realidade mais da China e dos Estados Unidos. Vai levar mais uns dois, três anos para chegar até aqui. E é quando o marketplace se tornam tão poderosos, que viram de fato gigantes de pagamentos de tecnologia, que é o que a Amazon e o AliBaba se tornam, mas isso ainda está um pouco distante da realidade do Brasil.

 

Eduardo Terra é presidente e porta-voz da Associação Brasileira de Varejo e Consumo SBVC e diretor da BTR Consultoria, especializada em Varejo. Ele é um dos principais consultores que falou no evento Pós-NRF, promovido pela Beauty Fair.