1 –  Há quanto  tempo você está no negócio de cosméticos?

Há 12 anos.
 
2 –  É importante  ser arrojado ou ter os pés mais fincados em previsões e  pesquisas?

No Brasil é necessário ser arrojado nos investimentos, porém é necessário ter os pés mais fincados em previsões porque a instabilidade do País é muito grande e as dificuldades e tarifas criadas pelo Governo para produtos importados ainda são uma barreiras grandes que prejudicam o crescimento deste mercado.
 
3 –  Como é  prever, num país tão grande e diversificado, que produtos que funcionarão no  mercado?  

Por ser um país tão grande e diversificado fazemos as previsões quase que regionalmente, porque a cor de batom mais vendida no Nordeste, o vermelho, por exemplo, é diferente do gosto das consumidoras da região Sudeste, que se utilizam de  tons mais suaves como o tom de boca. Os produtos hoje produzidos pelos grandes laboratórios estão bem mais internacionalizados, A Dior, por exemplo, nos consulta para cada lançamento se o produto é ou não adaptado para a nossa região e se atende as necessidades das Consumidoras Latinas.                                            

4 –  Qual  o seu maior desafio na empresa?

O maior desafio hoje é manter toda a equipe motivada em anos difíceis, como neste ano e não deixar a “peteca cair”. Contamos com os melhores profissionais deste mercado de prestígio e por isso, sempre superamos nossas metas e objetivos.

5 –  Quais são as expectativas da LVMH para o segundo semestre  de 2004 e os planos para 2005?
Estamos bastante otimistas para este segundo semestre, onde realizamos quase 60% de nossos objetivos nesta época. Para 2005, esperamos retomar nossos crescimentos, com uma previsão de aumento nas vendas de 10% em relação a 2004.

6 –  Atualmente quem está se saindo melhor no país, perfumaria  masculina ou perfumaria feminina?
O Mercado feminino neste primeiro semestre está crescendo mais que o masculino em função dos fortes lançamentos neste período e em função do Dia das Mães. Já o mercado masculino tende a crescer mais no segundo semestre, além dos lançamentos previstos para este período o homem está utilizando mais produtos de cosméticos e também consome produtos em tamanhos maiores, perfumes de 100ml, por exemplo.

7 –   E  globalmente?

Os Homens vem sendo alvo de fortes investimentos também internacionais pelo aumento no consumo e pela mudança de hábito de consumo.

8 – 
Quais os  resultados de make up e skin care?
O mercado de cosméticos está estável e o de maquiagem com um crescimento de 6% em relação ao ano passado. Dior, por exemplo, está crescendo 22% e Guerlain 30% (em função do sucesso de Terracota).

9 –  O consumidor  brasileiro já assimilou a cultura da perfumaria, ou o hábito de perfumar-se bem  e constantemente precisa ser ainda mais trabalhado?
O consumidor já assimilou esse hábito, porém ele ainda não tem o hábito acentuado de consumir dentro do nosso próprio mercado. Ele ainda acredita, que consumir na França, por exemplo, é mais barato e que está comprando lançamentos que só chegarão aqui muito mais tarde, o que não é verdade. Hoje os lançamentos, em grande parte acontecem globalmente.

10 – Que tipo de marketing uma empresa  pode e deve usar para difundir esse hábito?
Divulgar através de mídia, com ações focadas na distribuição (perfumarias) e com parcerias com outros mercados (até mesmo vestuário) para que o consumidor conheça e se interesse pelos produtos.

11 – A distribuição tem planejamento  estratégico para cada marca. Mas no Brasil existe possibilidade maior para  quais públicos em perfumaria: prestige, ou mass?
Sim, a distribuição tem um planejamento estratégico por marca. Mesmo as marcas da LVMH, não estão todas presentes em todas as perfumarias e às vezes, uma marca como Guerlain não está presente onde Kenzo está, por exemplo.
O mercado massivo atende melhor a necessidade das classes menos favorecidas, conseguindo um volume maior por conseqüência.